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“Caro é ter fraudes bilionárias”, diz diretor de fiscalização do BC sobre auditoria independente

Amanda Meneses

Ailton de Aquino Santos, diretor de Fiscalização do Banco Central do Brasil

A importância dos processos contábeis e da auditoria independente voltou aos holofotes diante de crises e escândalos no mercado financeiro e de capitais. A visão de executivos é que esse trabalho de confiabilidade das informações, somado à supervisão das entidades reguladoras, fortaleça o sistema.

Este foi o tema de discussão na abertura da 16ª Conferência Brasileira de Contabilidade e Auditoria Independente, promovida pelo Ibracon, nesta terça-feira (2).

“Vivemos num momento de negócios cada vez mais complexo, veloz e transformacional, e a informação circula em tempo real. As expectativas da sociedade aumentam, a cobrança no momento em que vivemos, por ética, transparência e accountability se intensifica”, diz Sebastian Soares, presidente do Ibracon.

O executivo complementa que, diante de cada crise corporativa, também “cresce o escrutínio sobre todos os agentes que integram o sistema de governança”. “Nesse contexto, uma palavra ganha protagonismo especial: confiança”, acrescenta.

Soares ainda citou a importância da auditoria independente e afirmou que “confiança é construída coletivamente e simplificar crises em um único responsável não fortalece mercados”. O executivo também anunciou a reunião de entidades no Fórum em prol do mercado financeiro e de capitais, que reune outros nomes como Abrasca, Anbima e Amec. 

Otto Lobo, presidente da CVM, também pontuou a relevância dos auditores e contadores e mencionou que a entidade está passando por uma grande transformação, como o desafio regulatório e as novas tecnologias que serão necessárias. 

“O investimento é o combustível para essa mudança”, disse, citando a recente decisão do STF de assegurar aumento na destinação de recursos de 70% da taxa de fiscalização do mercado de capitais. “Estamos trabalhando nesse projeto de aprimoramento da CVM.”

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O início da conferência ainda foi marcado pelo discurso de Joaquim Bezerra, presidente do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), destacando mudanças profundas no ambiente econômico e institucional como a IA e novas exigências regulatórias. 

“Nesse cenário, a confiança se transformou em um ativo estratégico. E a confiança depende, antes de tudo, da qualidade da informação”, aponta Bezerra, complementando que a auditoria Independente reafirma sua função estratégica no mercado neste cenário.

Durante a abertura do evento, Ailton de Aquino Santos, diretor de Fiscalização do Banco Central do Brasil (BCB) também ressaltou a importância dessa confiança, nas instituições, nas informações e nas regras. 

“Supervisão e auditoria compartilham objetivos convergentes. Ambas trabalham para reduzir riscos, identificar fragilidades, aprimorar mecanismos de controle e fortalecer a credibilidade do sistema”, pontua Santos.

Para o executivo, a qualidade das informações fortalece e a confiança fortalece os mercados, relação que é particularmente importante para o Banco Central. Santos menciona a recente nota do BC sobre ativos virtuais com foco na lavagem de dinheiro, e a presença de um auditor independente fazendo asseguração de novos entrantes do ecossistema.

“Dizem que fica mais caro, porque o auditor independente é caro. Acho que caro, de fato, são fraudes bilionárias. Cara são situações que estamos vivendo no país…”, diz, apontando a decisão do BC de aumentar a exigência de capital mínimo.

Segundo o executivo do Bc, algumas dessas entidades vão recorrer ao ao Poder Judiciário. “Prefiro ter centenas de processos judiciais a abrir mão da segurança no sistema financeiro”, finaliza.


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