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XP entra na A5X e mira infraestrutura do mercado financeiro

Alexandre Inacio

A XP adquiriu participação minoritária no capital da A5X, empresa que atua na infraestrutura do mercado financeiro, com foco na negociação de derivativos. Fundada em 2023 por um ex-sócio da XP, a ideia é ser uma alternativa mais eficiente para o mercado de capitais.

Assim, a XP passa a se posicionar como acionista estratégica de uma potencial concorrente da B3, que hoje atua praticamente sozinha oferecendo boa parte da infraestrutura do mercado de capitais.

Com a entrada no capital da A5X, a XP vai garantir os recursos necessários para a fase pré-operacional da empresa, que deve iniciar suas operações até o fim de 2026. Já para a XP, a operação marca a entrada da empresa em um novo segmento de mercado.

Ex-executivos da XP

A A5X foi projetada para funcionar como bolsa de valores e Contraparte Central Garantidora. O foco central é a negociação de derivativos, com tecnologia licenciada da LSEG, o London Stock Exchange Group.

A empresa já captou R$ 385 milhões em três rodadas. A Série C, de R$ 200 milhões, concluída em setembro de 2025, avaliou a companhia em R$ 1,35 bilhão, segundo relatório do BTG Pactual.

Atualmente, a base acionária inclui ABN AMRO Clearing, Ideal CTVM, Jump Trading Group, Optiver e XTX Markets. A XP passa a integrar esse quadro como acionista com vínculo ao maior grupo de corretagem do país.

À frente da A5X está o CEO Carlos Ferreira, ex-sócio da XP. Karel Luketic, ex-diretor executivo da XP, e Nilson Monteiro, fundador da Ideal, adquirida pelo Itaú em 2022, completam o time fundador.

Produtos e estrutura

A nova bolsa planeja portfólio centrado em derivativos, com futuros e opções sobre ações brasileiras e internacionais. Entre os contratos em desenvolvimento estão futuros de câmbio, renda fixa e bitcoin.

A A5X também trabalha em um índice de ações para competir com o Ibovespa. O modelo inclui estrutura própria de compensação e liquidação, sem dependência da clearing da B3.

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A plataforma parte do zero em sua arquitetura tecnológica. Esse ponto de partida é citado como vantagem para adotar sistemas mais recentes do que os do incumbente.

Como a A5X ainda não opera, mas duas relações com a XP podem ser conflitantes e chamar a atenção dos reguladores.

A primeira envolve a XP como futuro cliente da A5X nos serviços de mercado organizado. A segunda conecta a Tecfinance, subsidiária de tecnologia do Grupo XP, à A5X como potencial fornecedora de sistemas.

A entrada da A5X é classificada como pró-competitiva, uma vez que a B3 tem quase que o monopólio da infraestrutura do mercado de capitais no Brasil. Corretoras e investidores operam com múltiplos fornecedores e podem migrar entre plataformas sem custos proibitivos.

B3 como alvo

O mercado de derivativos registrou volumes recordes em 2025. Os futuros de boi gordo na B3 somaram R$ 88 bilhões no ano, crescimento acima de 300% em relação a 2024.

O segmento permanece concentrado em três contratos: juros, dólar e Ibovespa. A A5X enxerga essa concentração como lacuna a explorar com produtos ainda inexistentes no Brasil.

Em maio de 2026, Cícero Vieira, ex-diretor da B3, ingressou como sócio e advisor estratégico. Vieira participou da integração das clearings da BM&FBovespa e da Cetip, que originou a B3.

O objetivo é ter todos os sistemas testados e integrados até meados de 2026. O início das operações está previsto para o quarto trimestre.

O movimento da XP integra um conjunto mais amplo de apostas contra o monopólio da B3. A CSD BR e a Base Exchange avançam em paralelo, formando o maior desafio à estrutura da B3 em mais de uma década.


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