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Zanchetta compra Ceratti para brigar com marcas da JBS e MBRF

Alexandre Inacio

O Grupo Zanchetta assinou contrato para adquirir a totalidade do capital da Ceratti, marca de embutidos controlada pela Hormel Foods desde 2017. O negócio inclui as subsidiárias Omamori e Clean Field.

A Ceratti é a operação de maior visibilidade da Hormel no Brasil. A multinacional americana a comprou a tradicional marca de mortadela e outros embutidos em 2017 por US$ 104 milhões, com a promessa de usar a marca como plataforma de expansão na América do Sul.

Ceratti impulsiona diversificação da Zanchetta

O Grupo Zanchetta opera de forma integrada na cadeia de frangos de corte, do incubatório ao abate. A empresa produz mais de 18 mil toneladas mensais e exporta para mais de 29 países.

No segmento bovino, a atuação é complementar, restrita ao abate e à comercialização de carne in natura. A Ceratti representa a primeira entrada do grupo no processamento de embutidos de suínos.

Com a aquisição, a Zanchetta incorpora mais de 100 produtos em 15 categorias. O portfólio inclui mortadelas, salames, presuntos, linguiças, bacon, copa e pastrami, além de linhas importadas.

Hormel no Brasil

A venda da operação para a Zanchetta marca o fim de uma era da Hormel no Brasil. A empresa americana não atingiu os resultados esperados ao comprar a Ceratti quase uma década atrás.

Nos resultados do quarto trimestre fiscal de 2025, a empresa apontou fraqueza no mercado brasileiro como fator de pressão. Custos elevados de commodities agravaram o desempenho do segmento internacional da americana.

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A estratégia da Hormel passou a priorizar desinvestimentos em commodities. O foco migrou para proteínas de maior valor agregado nos mercados domésticos dos Estados Unidos. A venda da Ceratti se enquadra nessa lógica.

As atividades dos dois grupos se sobrepõem apenas no mercado de salsichas. A participação combinada é inferior a 10% em volume e em faturamento, com base em dados da Scanntech referentes a 2025.

A integração vertical também tem alcance limitado. A Zanchetta detém menos de 10% dos mercados nacionais de carne bovina e de frango in natura, os mesmos insumos que abastecem parte da linha da Ceratti.

Nos mercados de processados onde a Ceratti atua — salsichas, linguiça frescal, mortadela e frios saudáveis — as fatias de mercado ficam igualmente abaixo de 10% em todos os casos.

Com a entrada no mercado de embutidos, a Zanchetta vai bater de frente com gigantes que já dominam o segmento há anos. O mercado brasileiro de embutidos é concentrado em torno de marcas da MBRF e da JBS. Sadia, Perdigão e Seara dominam volume e distribuição, competindo em segmentos de maior giro e menor preço médio.

A Ceratti se diferencia por atuar no segmento premium, com charcutaria e embutidos de maior valor agregado. Essa posição reduz a sobreposição direta com os grandes volumes das líderes de mercado.

Para a Zanchetta, a operação abre um canal ortogonal ao seu negócio original. A integração entre proteína in natura e industrialização de embutidos representa um salto no grau de processamento e na margem.


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