Prumo compra participação da Siemens em termelétrica no RJ
Alexandre Inacio

A Prumo Logística fechou acordo para adquirir a fatia de 22,11% da Siemens na usina termelétrica a gás natural – UTE GNA - localizada no Porto do Açu, no Rio de Janeiro. O negócio representa a saída definitiva da Siemens do capital da GNA I e amplia do controle da Prumo na operação.
A GNA I opera dois ativos estratégicos no complexo: uma usina termelétrica de ciclo combinado a gás com capacidade instalada de 1.338,3 MW e um terminal de regaseificação de gás natural liquefeito (GNL) com capacidade de até 21 milhões de m³/dia.
A usina entrou em operação comercial em setembro de 2021, após investimentos estimados em cerca de US$ 1 bilhão.
Prumo no controle
O negócio está alinhado à estratégia de reciclagem de capital da Prumo e reforça o desenvolvimento do Açu Gás Hub, iniciativa que reúne geração termelétrica, infraestrutura de GNL e projetos industriais na retroárea do porto.
Antes da operação, a estrutura societária da GNA I já tinha a Prumo como acionista indireta relevante. O grupo detinha 70% da GNA HoldCo., que por sua vez controlava 93% da Gás Natural Açu Infraestrutura S.A. (GNA Infra), detentora de 44,89% da GNA I.
Com a aquisição, a Prumo incorpora também a fatia direta da Siemens, consolidando sua posição acionária no ativo.
Os demais sócios da GNA I permanecem inalterados: a SPIC Brasil Energia Participações Ltda., subsidiária da estatal chinesa State Power Investment Corporation, retém 33% da usina.
A operação não afeta a estrutura acionária da UTE GNA II, segunda termelétrica do complexo, inaugurada em 2025 com 1.672,6 MW de capacidade e investimentos de R$ 7 bilhões.
O fim de uma era

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Para a Siemens, a venda encerra um ciclo de envolvimento direto como acionista na geração de energia elétrica no Brasil. A empresa alemã esteve presente desde a concepção do projeto, em 2017, quando firmou parceria com a Prumo para desenvolver a infraestrutura do Açu Gás Hub, tendo adquirido inicialmente 33% da GNA Infraestrutura por US$ 21 milhões.
Ao longo dos anos seguintes, a estrutura societária passou por reorganizações. Em 2022, a Siemens Gas and Power Holding B.V. e a BP Global Investments Limited adquiriram a participação indireta da Prumo na GNA II.
A saída agora da Siemens da GNA I é consistente com o movimento mais amplo do grupo alemão de reorientar seu portfólio para automação, digitalização e infraestrutura de rede, segmentos nos quais a Siemens Energy reportou receita anual de € 39,7 bilhões no exercício fiscal de 2025, com crescimento de 15% sobre o ano anterior.
A GNA I registrou faturamento bruto de R$ 1,33 bilhão no exercício fiscal de 2025, o que evidencia a relevância operacional do ativo no portfólio do grupo. A Prumo, por sua vez, reportou receita consolidada de R$ 2,1 bilhões no mesmo período.
Com a GNA II em operação plena desde 2025, o complexo termelétrico do Porto do Açu totaliza cerca de 3 GW de capacidade instalada, tornando-se o maior parque termelétrico a gás natural da América Latina.
A usina GNA II foi selecionada como projeto estratégico do Novo PAC do governo federal e opera com eficiência superior a 60%, com projeto para suportar até 50% de hidrogênio na mistura de combustível.
O Porto do Açu, gerido pela Prumo, já conta com mais de 30 empresas instaladas e mais de 10 terminais privados em operação. O grupo assinou, nos últimos 12 meses, cinco contratos vinculantes para projetos de hidrogênio verde e derivados com empresas como Fuella AS, HIF Global, Yamna, Sempen e H2Brazil, reforçando a ambição de transformar o complexo em hub de exportação de combustíveis de baixo carbono.
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