Operações de crowdfunding crescem e mercado se prepara para nova era
Amanda Meneses

O segmento de crowdfunding, em que as empresas utilizam plataformas eletrônicas para captar recursos dos investidores, cresce exponencialmente ano a ano. A expectativa do mercado é que, com a nova atualização da regra da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) sobre o tema, a sair ainda este ano, dê novo impulso a este mercado.
Ila Sym, advogada do Martinelli advogados, destaca que as ofertas de securitização de crowdfunding, realizadas por plataformas de investimentos, representam até agora em 2026 mais de 75% do volume total das ofertas distribuídas por estas plataformas.
“Na iminência de uma reforma da norma, o produto continua em evolução e está começando a chamar a atenção das securitizadoras abertas, aquelas com registro na CVM e que estão em busca de parceiros para testar a tecnologia e a nova forma de captação. E esse testdrive tem algumas motivações”, conta Ila.
Ofertas de crowdfunding
As ofertas de crowdfunding totalizaram R$ 3,9 bilhões em 2025, montante três vezes superior ao volume de R$ 1,2 bilhão registrado em 2024. Já este ano, de janeiro a março de 2026, o volume financeiro avançou 83,3%, atingindo R$ 1,1 bilhão, e um crescimento de 66,7% da quantidade de emissões em relação ao mesmo período de 2025 (245 frente 147 anteriores).
“O que vejo é que realmente o número de operações cresceu muito. A Canal vê de forma muito otimista o mercado da CVM 88. Existe um volume de captação que vai até R$ 10 milhões, R$15 milhões que, para fazer dentro de securitização, ainda fica caro. A CVM 88 facilita isso”, afirma Nathalia Machado, fundadora e co-CEO da Canal Securitizadora.
Para Nathalia, essas operações têm mostrado uma estrutura de padronização muito mais alinhada e um volume informacional mais simplificado para o novo entrante ou incorporador/tomador que não tem uma estrutura de governança muito forte.
Segundo a executiva, a governança é menor, e precisa ser, porque são players que captam valores baixos, na casa dos R$ 2 milhões e não conseguem entregar toda informação o tempo todo. Ao mesmo tempo, em termos de perfil de operação, há operações menores e mais criativas.

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A Canal, embora ainda não atue no âmbito da CVM 88, monitora esse mercado. O intuito, inclusive, é adequar sua estrutura e se preparar para captar a demanda advinda do segmento.
“Estamos investindo. Recentemente saiu a nossa SCD, em que estamos botando R$ 20 milhões a cada 6 meses, porque realmente queremos investir em outros serviços, estrutura, e olhando para a CVM 88 também. Ainda que a canal não faça 88, acho importante abrir portas de entrada para as empresas no mercado de capitais”, diz.
Hoje, até por conta da estrutura de governança menor, as plataformas querem ter securitizadora própria ou parcerias que tornem a operação mais verticalizada. Portanto, para atuar neste mercado, é necessário montar o próprio marketplace, tese pela qual a Canal é “entusiasmada” para os próximos anos.
Só o que o crowdfunding captou esse ano até agora, até maio, já equivale a mais de 80% do ano passado, destaca Daniel Sabino, CEO da Ibirá Participações. O Mercado está cada vez mais concentrado em crédito privado e entrando, aos poucos, no institucional - FIDCs e Securitizadoras estão emitindo ou comprando dívida via Crowdfunding.
Com a mudança de regra que está a caminho, aumenta-se o perfil de empresas que podem emitir, bem como o valor por oferta, fazendo com o processo de seleção e análise de empresas tenha que ficar mais rápido e ao mesmo tempo mais completo.
“Por isso as plataformas vão ter que se aproximar de securitizadoras e gestoras, para profissionalizar esse processo de emissão de dívida e compartilhar essa responsabilidade - além de melhorar processos e melhorar a governança”, aponta Sabino.
A CVM já trouxe, na Consulta Pública SDM 05/2025, a relação entre o crowdfunding e as securitizadoras. No documento, a autarquia trouxe a sugestão de que todas as ofertas de securitização via crowdfunding tenham como emissor securitizadoras abertas e não mais as fechadas. Além disso, a CVM sugeriu um aumento do valor teto de captação via crowdfunding, passando de até R$ 15 milhões para até R$ 50 milhões.
“Isso é uma grande oportunidade e uma necessidade para as securitizadoras abertas. Uma oportunidade de atender seu cliente que requer uma operação com valores diferenciados e uma necessidade de atualização para não perder fatia do mercado”, opina Ila, do Martinelli.
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