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PF deflagra Operação Miragem e bloqueia R$ 670 mi do Digimais

Alexandre Inacio

PF investiga operação do Digimais, de Edir Macedo (Foto: Site Digimais)
PF investiga operação do Digimais, de Edir Macedo (Foto: Site Digimais)

A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (23) a Operação Miragem contra o banco Digimais para investigar fraudes no sistema financeiro. Mais de 50 agentes cumpriram nove mandados de busca e apreensão da Justiça Federal em São Paulo.

A Justiça autorizou o bloqueio de até R$ 670,3 milhões em bens dos investigados. Os sigilos bancário e fiscal foram quebrados com base em relatórios do Banco Central.

Fraude contábil no Digimais

Segundo a PF, administradores do Digimais são acusados de manipular demonstrativos contábeis e registros regulatórios. O objetivo era aparentar solvência perante os órgãos de controle e viabilizar operações de crédito vedadas.

Os investigados respondem por gestão fraudulenta, dados falsos e operações de crédito irregulares. Macedo figura entre os alvos como controlador, mas reside no exterior e não foi alvo de busca.

O esquema se encaixa em padrão documentado por auditorias independentes do Digimais. Informações publicadas na imprensa revelam o uso de FIDCs para retirar créditos podres do balanço, com o banco como cotista dos fundos.

Rombo de R$ 8,5 bilhões

Macedo assumiu o controle total do então Banco Renner em 2020 e o rebatizou como Digimais. Em 2022, o banco registrou prejuízo de R$ 740 milhões, o que chamou a atenção dos reguladores.

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No início de 2026, estimativas de mercado apontam patrimônio líquido negativo de R$ 8,5 bilhões. A deterioração se acelerou com a transferência de carteiras podres para fundos sem divulgação de cotistas.

Essa estrutura, chamada de "Zé com Zé", colocava o Digimais nos dois lados das transações. Pela manobra, o banco declarou lucro de R$ 31 milhões em 2025 enquanto ocultava R$ 480 milhões em créditos vencidos.

Carteiras suspeitas e litígios

Em novembro de 2025, a gestora Yards identificou problemas em créditos usados para compor um FIDC do Digimais. Das 54 mil CCBs apresentadas pelo banco, cerca de 22 mil teriam problemas de lastro.

O fundo EXP1 acionou a 13ª Vara Cível de São Paulo por R$ 650 mi em carteiras consideradas falsas. O fundo Tabor acumulavou R$ 575 milhões em inadimplência sobre carteira de R$ 960 milhões em abril.

Para alguns analistas, as práticas adotadas pelo Digimais replicavam ações similares às da crise do Banco Master.

Em abril, o BTG Pactual assinou documentos vinculantes para adquirir o controle do Digimais. O negócio depende de processo competitivo com suporte do FGC e aval do Banco Central e do Cade.

Antes do BTG, o empresário Maurício Quadrado chegou a anunciar a compra em janeiro de 2025 com aporte de R$ 800 milhões. Ele desistiu da operação pela piora das condições de mercado e pela falta de documentação ao regulador.

A Operação Miragem acrescenta incerteza a um processo de venda que já acumula tentativas frustradas. O desfecho dependerá da extensão do inquérito e da postura do BTG diante do escrutínio da PF.


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