Oncoclínicas: RE é apontada saída para normalizar operação
Fabíola Gomes

A recuperação extrajudicial é a saída possível para a Oncoclínicas normalizar as suas operações em meio ao aperto de caixa que afetou o abastecimento de medicamentos para a empresa especializada no tratamento de câncer, de acordo com duas fontes familiares com o assunto.
A recuperação extrajudicial é inevitável para a empresa e já é um consenso entre todas as partes envolvidas no processo, acrescentaram as fontes.
A Companhia esclareceu, em fato relevante, em 26 de maio, que não há qualquer definição acerca da adoção de eventual medida de recuperação extrajudicial, mas que “tal alternativa permanece em avaliação no âmbito das discussões conduzidas pela administração e seus assessores”.
A Oncoclínicas passou a enfrentar um desabastecimento de medicamentos em suas clínicas a partir de março, em consequência da pressão de caixa enfrentada no período, que afetou as operações da Oncoclínicas, a empresa apontou em seu último balanço.
A receita líquida no trimestre encerrado em 31 de março, caiu 22,3% para R$ 1,16 bilhão, refletindo a queda na receita bruta em meio ao desabastecimento de medicamentos nas clínicas no período.
Oncoclínicas e a quebra de covenants
Além disso, a empresa aumentou a provisão para créditos de liquidação duvidosa (PCLD) por conta de ajustes contábeis realizados no período e a continuidade de uma política comercial mais restritiva, de acordo com o documento.
A dívida líquida da empresa atingiu R$ 3,3 bilhões ao final do 1º trimestre, enquanto o indicador dívida líquida/EBITDA subiu para 5,2x, no mesmo período.
Os covenants, cláusulas restritivas inseridas em contratos de empréstimo, financiamento ou emissão de dívida (como debêntures), limitam o endividamento da empresa a 3.5x dívida líquida/EBITDA.
Até 10 de abril, a Oncoclínicas obteve waivers (espécie de perdão temporário para descumprir esta cláusula) para um montante total de R$ 1,02 bilhão de suas dívidas. Porém, não conseguiu aprovação para o saldo remanescente de R$ 1,8 bilhão.
A empresa obteve aprovação para o seu pedido de Tutela Cautelar Antecedente, em 16 de abril, de acordo com a decisão da 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central de São Paulo. Com isso, a empresa obteve a suspensão, pelo prazo de 60 dias, da exigibilidade de determinados créditos e de medidas de execução contra a empresa, no contexto de negociações com credores.

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No período, a Oncoclínicas entrou em conversa não vinculante com a Porto Seguro, estabelecendo os principais termos e condições para a potencial criação de uma nova sociedade, com aporte de ativos pela Oncoclínicas, investimento primário pela Porto e emissão de debênture conversível em ações, anunciado em março.
A negociação incluía potencial criação de nova sociedade com aporte de ativos pela companhia, investimento primário pela Porto Seguro e Fleury de R$ 500 milhões e emissão de debênture conversível em ações, no total de R$ 500 milhões.
No entanto, o acordo venceu cerca de um mês depois sem que a empresa chegasse a um acordo com a Porto e o Fleury, de acordo com fato relevante.
Fôlego para negociar com credores
Com a homologação da tutela, a empresa conseguiu um fôlego pelo período de 60 dias. O prazo final para a empresa protocolar o pedido de recuperação, evitando aceleração de dívidas, é 15 de junho, observou uma das fontes.
A pressão de liquidez enfrentada pela companhia começou em 2025 após o colapso financeiro da Unimed FERJ, relevante fonte pagadora da companhia, que resultou em aumento significativo da inadimplência e deterioração do perfil de contas a receber, segundo o balanço trimestral da empresa.
A liquidação judicial do Banco Master também afetou a dinâmica de liquidez e a estrutura de endividamento da companhia, segundo informações do balanço da empresa.
A Oncoclínicas perdeu recursos depositados em instrumentos financeiros do Banco Master, que enfrentou uma crise de liquidez e acabou sendo liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025, de acordo com o mesmo documento.
A empresa tinha R$ 430 milhões em CDBs emitidos pelo Banco Master, apontou em seu balanço.
Diante deste cenário, a empresa ressaltou que o objetivo da administração continua sendo a retomada operacional. A empresa já engajou em conversas com seus credores a fim de reestabelecer o cronograma de amortização das suas dívidas financeiras e de aquisições, acrescentou no balanço.
“A empresa visa estabelecer um cronograma de amortização de dívidas consistente com sua geração de caixa e eficiência operacional, além de endereçar estruturalmente sua capacidade financeira para os próximos períodos”, acrescentou no balanço.
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