Globo e MGM compram ‘Bingão’ e avançam no iGaming brasileiro
Alexandre Inacio
A Boa Lion, operadora da plataforma BetMGM no Brasil, firmou acordo para a compra da totalidade das ações da Bingão do Brasil, empresa voltada ao desenvolvimento de jogos de vídeo bingo.
Na ponta vendedora estão L.Eva Participações, Pipa Ventures, o Fundo de Investimento em Participações AJL II Multiestratégia e o empresário Antonio Alberto Gouvêa Vieira Filho.
A Boa Lion é uma joint venture constituída pelo Grupo Globo e pelo Grupo MGM Resorts, grupo americano de hotéis e cassinos listado na Bolsa de Valores de Nova York.
A plataforma BetMGM opera no Brasil desde fevereiro de 2025, com licença da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, oferecendo apostas esportivas e jogos de cassino online.
Globo e MGM no iGaming
A aquisição da Bingão é o primeiro movimento de consolidação declarado da Boa Lion no mercado brasileiro de jogos de chance. O racional da compradora é reforçar sua presença no segmento de bingo online, modalidade considerada estratégica no portfólio de iGaming, distinta das apostas esportivas de quota fixa que formam o núcleo atual da plataforma.
A Bingão está em estágio pré-operacional e não registrou faturamento até o momento, o que torna a operação essencialmente uma aquisição de tecnologia, expertise e capacidade de desenvolvimento. Seu objeto exclusivo é a criação de jogos de vídeo bingo, sem abranger apostas esportivas ou outros jogos de quota fixa.
Para os vendedores, o negócio representa acesso a capital e à escala de distribuição da BetMGM, em um mercado que passou a operar sob regulamentação integral a partir de 1º de janeiro de 2025. A integração à plataforma de um operador licenciado permite à Bingão acelerar o desenvolvimento de produtos e a monetização em ambiente competitivo.
Mercado brasileiro de jogos
A transação ocorre no primeiro ano completo de operação regulada do setor. O Gross Gaming Revenue (GGR) — receita bruta das operadoras após dedução dos prêmios pagos aos apostadores — somou R$ 36,9 bilhões no Brasil em 2025, segundo relatório da Secretaria de Prêmios e Apostas.
O número consolida o Brasil como o quinto maior mercado de apostas esportivas do mundo e evidencia o crescimento acelerado do setor desde a regulamentação.

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O mercado digital passou a dominar o setor de forma inédita: as apostas online representam mais de 90% do volume transacionado, enquanto os canais físicos — restritos essencialmente às loterias da Caixa Econômica Federal e loterias estaduais — movimentam menos de 10% do total.
O número de apostadores ativos chegou a 25,2 milhões de brasileiros em 2025, o equivalente a 11,8% da população.
MGM mira fatia de 10%
O CEO global da MGM Resorts, Bill Hornbuckle, declarou em conferência do setor bancário que a BetMGM pode conquistar entre 5% e 10% do mercado brasileiro, sustentada pelo alcance publicitário e pelos ativos de mídia do Grupo Globo.
A parceria prevê a integração de propriedades intelectuais da Globo aos jogos da plataforma — uma das iniciativas em desenvolvimento envolve um caça-níquel com elementos do fantasy game Cartola FC.
Hornbuckle sinalizou ainda que aquisições no Brasil não estão descartadas. O CEO da BetMGM no Brasil, Almir Ribeiro, confirmou que "M&A é uma forma natural de ganhar market share", posicionando a aquisição da Bingão como parte de uma estratégia de expansão mais ampla.
A plataforma opera com mais de 1.600 slots, apostas em mais de 20 modalidades esportivas e cassino ao vivo com crupiês brasileiros.
Além da Boa Lion, o Grupo MGM Resorts atua no Brasil por meio da Push Gaming Brasil, que distribui jogos online no modelo B2B — fornecendo conteúdo a operadoras licenciadas. A Push Gaming Brasil iniciou operações no país em 2025 e já tem contratos com bet365, Entain, Kaizen Gaming e Novibet.
A aquisição da Bingão cria uma potencial integração vertical entre o fornecimento de jogos de chance online (Push Gaming Brasil, upstream) e a operação de jogos de chance (Boa Lion, downstream), além de uma sobreposição horizontal com as demais operadoras do mercado nacional.
O setor cresceu 734% entre 2021 e 2024, com o número de operadoras de apostas esportivas saltando de 26 para 217 empresas, o que indica elevada fragmentação e dinamismo competitivo no ambiente em que a transação se insere.
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