Fami Capital planeja chegar a R$ 100 bi sob custódia com crescimento orgânico e via aquisições
Jiane Carvalho

A Fami Capital, referência em assessoria de investimentos, tem a diversificação dos produtos e serviços oferecidos para a pessoa física e jurídica como uma de suas marcas. Nos últimos cinco anos, focou em incrementar a prateleira e passou a atender PJ, oferecer seguro, crédito, câmbio e serviços bancários, sem deixar seu core: assessoria de investimentos. O resultado é traduzido em números. São R$ 75 bilhões sob custódia, 30% vindos de seu Multi Family Office (MFO). O segmento PJ já representa 25% da receita. Há dois anos, a holding da Fami comprou uma asset, a Persevera, casa com atuação independente e R$ 5 bi sob gestão. Os planos de crescimento são ousados. “Temos o objetivo de, até o final de 2027, chegar a R$ 100 bilhões sob custódia, um crescimento que virá orgânica e inorganicamente”, planeja Mauro Silveira, CEO da Fami Capital. O executivo contou, na entrevista ao Além do Capital, um pouco da história da casa e dos planos de M&As nas três frentes: MFO, Assessoria e Asset. Acompanhe:

A Fami Capital tem, hoje. uma gama de produtos de investimento e financeiros bastante
diversificada, mas começou como assessoria de investimento. Como se deu a
ampliação dos serviços?
Somos uma empresa com bastante tempo de história, quase 20 anos. A Fami surgiu da fusão de Faros e Messem, que eram as duas principais operações da XP. Sempre fomos uma empresa focada na distribuição de investimentos e segue sendo nosso core. Nos últimos cinco anos, identificamos que o cliente que concentrava os seus investimentos financeiros na casa, em muitos casos, é um empresário e consumia produtos financeiros em outras casas. Criamos uma área de PJ e fomos ampliando a oferta de produtos e serviços, além de investimentos. Começamos com seguros, pessoa física, depois jurídica e fomos avançando com base nas demandas dos clientes, como câmbio, crédito, entre outros. Temos todas as demandas de originação de crédito. Na PJ, transformamos a área de crédito para atender o cliente pequeno ou médio porte, dando suporte para estruturarem um CRI, CRA ou uma debênture.

Entre as duas áreas, de pessoa física e jurídica, quem responde pela maior parte do
resultado da companhia?
Hoje, 25% da nossa receita já vem de pessoa jurídica, seja de investimentos ou outros produtos financeiros. A gente vem crescendo a área de PJ ao longo do tempo. Nos próximos 3, 4 anos tem potencial para chegar a 35%, 40% da receita. Recentemente, criamos um canal de empresas focado em atender somente a pessoa jurídica. Tem um potencial enorme para penetrar nesse mundo de pessoa jurídica e estar cada vez mais presente dentro da oferta de produtos. A pessoa física também vai continuar crescendo. No Brasil, perto de 80% das pessoas ainda investem por meio dos grandes bancos. O objetivo é cada vez mais concentrar as demandas dos clientes por produtos e serviços nossos.

Na pessoa física, qual a relevância do Multi Family Office que vocês tocam?
Nosso multi family vem crescendo bastante. É uma área tocada pelo Felipe Bichara, sócio da Fami. Aproximadamente 30% da nossa custódia vem do MFO, tanto com recursos onshore quanto offshore. Nós começamos o family office em 2018 e atendemos famílias com mais de R$ 25 milhões. Ele pode ter os recursos em diferentes casas, que nós fazemos a gestão, prestamos assessoria. É um ponto positivo importante. Se ele tiver conta em cinco, seis bancos, a gente faz a gestão desse patrimônio e consolida os investimentos em um relatório.

O mercado de assessoria de investimento vem avançando no modelo de fee based,
desde que a CVM implantou regras de transparência na remuneração. Qual modelo
vocês praticam?
No MFO, 100% dos clientes são cobrados por fee based, mas na assessoria temos os dois modelos. O cliente pode escolher se ele prefere ser cobrado através de um fee based ou de comissão. O fee based vem crescendo bem, até porque não era antes uma opção. Considero importante ter as duas opções porque a escolha do melhor modelo para o cliente depende do tamanho do patrimônio, do horizonte de investimento etc. Algumas casas falam em conflito de interesses (os dois modelos), mas eu não concordo. A escolha tem que ser do cliente. Não há modelo certo ou errado. Investimos em um relacionamento de longo prazo com o cliente. Acompanhamos alguns por décadas. É o caso do Murilo Benício, que era cliente, virou sócio e é nosso embaixador. Está conosco há quase 20 anos.

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Dos produtos que a Fami tem para o PJ, qual você vê com maior potencial de
crescimento? Falta algo na grade?
Todos os produtos têm potencial, não há nenhuma grande inovação. Não estamos entrando em um mercado disruptivo, é um mercado que já existe, mas que, muitas vezes, enxergamos que, por ter o cliente investidor dentro da casa, podemos ser competitivos em preço e oferecer um serviço de qualidade. Sobre novidade, não temos nada previsto para os próximos meses. A parte de crédito vem crescendo bastante, porque ela é muito ampla. Tem centenas de produtos que a gente pode oferecer, mas dentro do crédito.

Há dois anos, a Fami ampliou sua atuação adquirindo a asset Persevera. Como tem sido o desempenho?
A asset está com R$ 5 bi sob gestão com fundos abertos. É outro negócio importante da casa que tem crescido. Temos estruturado novos produtos dentro da asset, olhado muito para a demanda do mercado. Adquirimos a asset sabendo que podíamos trazer produtos competitivos e rentáveis. A Persevera é 100% independente, outra empresa, outro quadro societário, mas a Fami é acionista. Vemos muitas oportunidades. Asset é um negócio de escala que precisa de produtos competitivos. A gestora tem uma gama de fundos bem diversificada, com fundos de renda fixa, de liquidez diária, multimercados, previdência, renda variável, crédito.

Qual a posição offshore dos clientes da Fami? Tem crescido o volume alocado em
outros mercados?
O cliente, principalmente o high e ultra high, acaba olhando mais para o offshore. Hoje, devemos ter por volta de 15% da nossa custódia offshore. É uma posição mais concentrada no MFO, mas tem crescido o volume de clientes pessoa física, dentro da assessoria, com demanda para investir em outros locais, conhecer este caminho. Independentemente do juro local, em 15% ao ano, o cliente deveria ter uma parte do investimento em outra moeda. Deveria fazer parte do perfil de qualquer investidor.

Há no mercado um movimento de consolidação, com assets menores, sem escala, se
juntando ou sendo vendidas. Você pensam em fazer aquisições?
Temos interesse no crescimento inorgânico tanto na asset quanto na assessoria. Somos muito diligentes em relação à equipe, a time, a pessoas que realmente querem vir para cá e ajudar na construção do negócio. Foi o que enxergamos no time da Persevera. Temos feito alguns M&As dentro da estrutura da MFO. Acho que tem oportunidade e, pela Fami ser referência no mercado, com estrutura robusta, estamos sempre atentos. Muitas vezes, alguma frente de negócio, algum novo produto pode ser uma oportunidade de M&A, mas não só na gestora, também no multi family e na assessoria tradicional. Nos próximos anos, a gente vai continuar com essa via de consolidação do mercado.

A Fami Capital tem hoje R$ 75 bilhões de custódia, onshore e offshore. Quais os
planos de crescimento de curto prazo?
Ano passado, nós crescemos 10% na custódia. E temos o objetivo de, até o final de 2027, chegar a R$ 100 bilhões. Um crescimento que virá orgânica e inorganicamente. Será um marco histórico, a primeira casa a atingir esse volume. Claro que isto ocorrerá com a chegada de novos assessores e clientes para dentro da casa. E buscar M&A nas três frentes – MFO, assessoria e gestora.
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