Patagônia mira R$ 4 bi de AUM, quer expandir fundos imobiliários e planeja primeiro Fiagro
Jiane Carvalho

São quatro anos de história como Patagônia Capital e números expressivos: R$ 2,8 bilhões de AUM distribuídos em 53 fundos, em um Multi Family Office (MFO), Gestão de Fundos Abertos (asset) e em uma base de 130 carteiras administradas (Wealth). Hoje uma asset multiestratégia, a trajetória da Patagônia começou muito antes, em 2014, quando os sócios Gustavo Pupin e Tiago Baggio fundaram a consultoria Sower Partners. “Atendíamos as empresas, mas o empresário pedia aconselhamento na pessoa física. Foi onde nasceu o MFO, os primeiros fundos, até em 2021, quando criamos a Patagônia”, relembra Gustavo Pupin, sócio-fundador da asset, na entrevista ao Além do Capital. Definindo a casa como “pé no chão”, nos planos para crescimento estão elevar o PL dos fundos já na prateleira, como os FIDCs, que ganharam corpo a partir do fim de 2023, e do fundos imobiliários, que respondem por algo entre 30% e 40% do AUM. “Vamos ter um FIC FIDC, para qualificado. Também queremos aumentar a captação do FII SPVJ11, para incluir novos ativos na carteira”, comenta Pupin. Na entrevista, o executivo contou destalhes da operação e como pretende elevar, neste ano, em R$ 1,5 bi o AUM, para R$ 4 bi. Acompanhe:

A Patagônia se posiciona hoje como gestora multiestratégia. Era esta a ideia
original ou foi uma evolução da asset?
Fundamos a Patagônia Capital, eu e o Tiago Baggio em 2021, mas essa história nasce há quase 13 anos, com a consultoria de empresas Sower Partners. Com o tempo, um dos clientes pediu para cuidarmos do patrimônio dele, pessoa física. Fomos usando o que chamávamos, na época, de administradores menores e uma gestora parceira, para pôr uma estrutura de pé e atender o cliente. Estruturava o fundo, deixava operacional, fazia toda a parte de regulamento, integralização de ativos, e nasceu ali um viés muito voltado ao imobiliário, pelo perfil dos clientes que tínhamos. Vimos a necessidade de abrir uma gestora e criamos, há quatro anos, a Patagônia Capital, já pensando em ser multiestratégia, porque, de fato, a gente atua em todas as estratégias de fundo, tanto de líquidos quanto de ativos ilíquidos. A consultoria continua existindo, mas o Tiago e eu não fazemos mais parte da gestão.

Dos produtos da casa, o mais recente são os FIDCs. Qual a estratégia para os fundos
estruturados?
Quando a Patagônia nasceu, já tínhamos sete fundos, os quais tombamos a gestão. Eram fundos multimercado e imobiliário. Tínhamos também um FIDC, sob demanda dos clientes. A partir de 2023, com a tributação de fundos exclusivos, crescemos a estratégia de FIDC. No fim daquele ano, nasceram cinco FIDCs na casa, com recursos migrados de outros produtos, e de lá para cá, a gente começou a preparar a esteira da gestora para atender esses fundos. Depois, criamos outros fundos, que são multicedente/multisacado, patrocinados. Aproximadamente 10% do AUM da gestora está em FIDCs, que basicamente contam com a cota subordinada. O objetivo era criar um track record inicialmente e depois começar a criar cota sênior, cota mezanino, trazer dinheiro do mercado. Os FIDCs ainda estão com uma classe única, e a estratégia é aumentar o PL desses fundos, e montar um FIC de FIDC, para distribuição a mercado e alocação nos fundos da casa e de outros gestores. Sempre para investidor qualificado e profissional, que é o público da Patagônia.

Hoje, a Patagônia tem R$ 2,8 bilhões em ativos sob gestão (AUM). Como os recursos estão
divididos nas diferentes áreas da asset?
A maior parte do recurso está nos fundos imobiliários. Nos últimos dois anos, assumimos a gestão de dois fundos grandes no mercado. Um fundo com 10 ativos da Caixa, com PL de R$ 400 milhões, e outro de desenvolvimento, o SPVJ11, com perto de R$ 700 milhões de PL. Já fizemos a venda de 13 ativos para o Pátria. Do total de AUM, entre 30% e 40% é desta categoria. Olhando para frente, o imobiliário vai continuar sendo relevante. No final do ano passado, soltamos a mercado um fundo imobiliário de desenvolvimento para o interior, de permuta. É um fundo de R$ 100 milhões, que está na fase de distribuição. É um produto listado. Temos na nossa grade fundos imobiliários litados ou não. Vamos aumentar a captação do SPVJ11, que é listado, mas não aberto, e fazer uma reestruturação do fundo para trazer novos ativos para a carteira. Quando assumimos o fundo, ele tinha 14 ativos, vendemos 13 e, agora, a ideia é fazer uma nova captação. É um fundo de desenvolvimento e está nos planos fechar contratos com empresas, varejo, fazer o BTS (build to suit), carregar no tempo e depois vender um ativo com ganho para os investidores.

O ano de 2025 foi importante para a recuperação dos fundos imobiliários. Qual a perspectiva
do mercado para este ano?

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É um ano que promete ser bom para o setor imobiliário se, de fato, a taxa de juros seguir na tendência de queda. O ano de 2025 foi importante, mas a gente viu mais movimentos de consolidação de fundos do que, de fato, de captação de dinheiro novo, de ofertas que captaram um volume relevante. Foi mais uma junção de fundos aqui que a gente presenciou. Em 2026, se tiver mesmo o viés de queda na taxa de juros, a perspectiva de captação melhora e a perspectiva de investimento em ativos melhora.

A Patagônia nasceu em Ribeirão Preto (SP), atendendo um cliente de mais alta
renda, no MFO. Hoje, com a distribuição de fundos na plataforma, como está a
divisão entre varejo e demais clientes?
50% da nossa base está no braço do MFO e da Wealth e a outra metade na asset, distribuído tanto dentro desses fundos que tem mais investidores institucionais, quanto dos fundos varejo. São 14 mil cotistas. A ideia é ampliar a participação dos fundos de varejo na base. A escolha de montar um FIC de FIDC, para o varejo qualificado, ajuda nesta estratégia. Nós temos um fundo imobiliário de papel, o PATA11, listado, aberto e temos planos de elevar o PL. Fizemos o IPO do fundo no ano passado e agora, com track record, a ideia é aumentar, fazer novas ofertas.

Vocês montaram, no ano passado, uma corretora. No que o movimento agrega à asset?
A estrutura é voltada apenas a seguros e consórcio. Basicamente, foi uma oportunidade que se abriu com um profissional que trouxemos para a casa. A atuação é segregada, como tem que ser, mas voltada a atender o cliente da Patagônia. Não fazemos seguro de veículo, nem seguro residencial. É mais seguro de vida, que é estratégico, pensando em sucessão patrimonial, pensando numa estrutura para o nível das famílias que a gente atende, ou uma estrutura de seguros para as operações. Como a casa tem fundo imobiliário, eu preciso, eventualmente, de um seguro de obra, de um seguro para o término da obra, um seguro garantia. A ideia da corretora foi atender essas nossas demandas. Demanda interna.

Na prateleira de fundos da casa, o que ainda falta agregar? Há planos de incluir
outras categorias de fundos?
Falando em fundo de ações, por exemplo, tivemos, lá atrás, o Patagonia One, o primeiro fundo da asset e que tinha 30% crédito, 30% papel público, caixa, e 30% de ações. Como tudo aqui, sempre começamos a estruturar fundos fazendo um teste interno com um PL pequeno. A gente percebeu que o nosso cliente não tem um perfil da volatilidade e demos um passo atrás, mudamos o regulamento do fundo, sem ações, e com foco em crédito. Não temos planos de voltar a ter fundo de ações. Não é algo que esteja no nosso radar. O que a gente discute é a possibilidade de entrar na classe de Fiagros. O agro é diferente do mercado imobiliário, por exemplo, que é regional, que se eu tiver um ativo bem localizado, produto certo, bem-desenvolvido, vai vender. O agro não é assim. Ele tem a variável do tempo, clima, é uma commodity, e não depende só do local para definir o preço. São muitas variáveis e precisa de alguém que conheça muito bem do agro. Hoje, a gente não tem essa pessoa no time ainda. Estamos olhando oportunidades para ter uma pessoa que entenda do agro e podemos criar nosso Fiagro. Somos muito pé no chão. Temos muitos clientes da wealth que vieram ou são do agro. E sempre nos chamam a atenção para oportunidades no agronegócio. Hoje, o que faria mais sentido, é buscar oportunidades de compra de áreas e contratos de arrendamento.

A asset tem planos de captar, neste ano, mais R$ 1,5 bilhão de AUM. Quais são as
principais estratégias que devem trazer esses recursos para a casa e quais
planos de médio prazo?
Metade desse recurso, dessa captação, vem do MFO, incluindo a Wealth, e a outra metade deve vir dos fundos abertos da nossa gestão. Olhando para frente, queremos continuar crescendo em estrutura e base de clientes. Esse ano, se tudo correr bem, a gente inaugura um escritório aqui em Ribeirão Preto para dobrar o número de posições do time e investir em tecnologia. Queremos olhar um pouco mais para dentro de casa e ver como inteligência artificial (IA), como desenvolvimento proprietário, podem nos ajudar a escalar e continuar abrindo o mercado. Até agora, nosso crescimento foi 100% orgânico, mas estamos sempre olhando oportunidades. A gente já falou com algumas outras casas, pensando em algum movimento inorgânico. Olhamos tanto asset como consultorias.
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