Riza Asset atinge R$ 20 bilhões sob gestão e mira expansão em FIDCs e infra
Redação Capital Aberto

Do zero para R$ 20 bilhões de recursos sob gestão em apenas seis anos. A velocidade de crescimento da Riza Asset chama a atenção. Com uma grade ampla e bem estruturada, composta por 20 fundos – 10 abertos e 10 listados – a Riza avançou 25% em seu AUM neste ano e reforçou sua atuação em FIDCs. “Sempre alimentamos nossos fundos de renda fixa com um percentual de FIDC, entre 5% a 15% dos fundos. Agora, neste último ano, principalmente, maturaram muitas originações próprias, dentro das carteiras que somos gestores. Começamos a estruturar e gerir FIDCs”, comenta Renato Jerusalmi, sócio fundador da Riza e gestor de Renda Fixa e Renda Variável da asset. O ano de 2025 foi marcado por movimentos importantes da casa. A Riza comprou participação minoritária em nove ativos do FII XP Malls (XPML11) que valem perto de R$ 1,6 bi. A cota sênior, da Riza, equivale a R$ 1 bi. A casa também adquiriu fundos da Schroders, que encerrou a operação no Brasil, no valor total de R$ 1,5 bi e que devem ser transferidos até fevereiro para a Riza. Na entrevista ao Além do Capital, Jerusalmi fala sobre os movimentos recentes da asset e o que vem pela frente, com foco em segmentos como fundos de infraestrutura – incluindo listado, que ainda não tem – e em ampliar a oferta de FIDCs. Acompanhe:

A Riza Asset foi do zero a R$ 20 bilhões de ativos sob gestão em apenas seis anos
em atividade. O que explica o rápido crescimento da casa?
É uma combinação de fatores. O primeiro fator é performance. O mercado financeiro sempre é muito atraído pela performance. Nossos fundos foram bem e, com isso, conseguiram captar mais e se alavancar. Tem um segundo fator que é a estratégia de distribuição, bem-definida. Começamos com uma captação com varejo. Por conta do Daniel Lemos, tínhamos muita relação com todos os escritórios da XP. Conseguimos uma entrada boa de captação no varejo pelo relacionamento dele. A partir do terceiro ano, começamos a expandir para outros canais e acessamos o institucional, multifamily office, family office, fundo de pensão. Na medida que você tem track record nos fundos, uma governança solidificada, o institucional é bem assíduo. E o terceiro fator é acertar o produto. A Riza tem produtos bem definidos, que são independentes, não tem tanta correlação entre eles. Isso ajuda muito no pitch de venda. Então, eu diria que são esses três fatores que explicam o nosso sucesso, além, claro, de times bem constituídos, com pouca rotatividade, um capital humano importante.

Qual a participação dos investidores institucionais e das pessoas físicas nos fundos
da casa?
Primeiro, depende muito da natureza do produto. Por exemplo, nos fundos imobiliários listados em bolsa, a natureza é pessoa física e não o institucional. A gente tem mais ou menos R$ 9 bi de fundos abertos, líquidos, mais ou menos R$ 4 bi no agro, perto de R$ 3 bi em FIDCs, e R$ 4 bi em fundos imobiliários, em real estate. Destes R$ 20 bi, o varejo deve responder por 80% dos recursos, e o restante é institucional. A Riza sempre vai ter uma parcela maior no varejo por conta dessa natureza dos fundos. Já estamos com uma combinação bacana, mas talvez aumente um pouco o institucional. Isto vem acontecendo. Por exemplo, a gente captou um FIPE de Infraestrutura, de R$ 150 milhões, que foi todo institucional. Temos também fundos de previdência, parceria com o Banco do Brasil, e vamos ter um com o Itaú, que também é institucional.

Como foi o desempenho da gestora, nesse ano, em termos de captação?
Desde 2024, a casa teve uma captação forte para a renda fixa, que é a minha área. Fundos de crédito high grade, este ano, foram destaque, com os FIDCs ganhando espaço. A área de securitização de carteiras e real estate foram onde captamos mais. Saltamos de R$ 16 bi para R$ 20 bi.

Qual a estratégia da casa para os produtos estruturados, os FIDCs, grandes estrelas
dos últimos dois anos? Qual o desempenho dos produtos na Riza?
Vou segregar em duas vertentes: uma vertente são os FIDCs a mercado, que os bancos trazem, os originadores trazem, e a Riza, desde o começo, olhou para o produto. Sempre alimentamos nossos fundos de renda fixa com um percentual de FIDC, entre 5% a 15% dos fundos. Agora, neste último ano, principalmente, maturaram muitas originações próprias, dentro das carteiras que somos gestores. Normalmente, tem um sponser por trás e a gente faz a estruturação e a gestão do fundo. Por exemplo, tem o FIDC Paketá, deste ano, de crédito consignado privado, que está crescendo muito. Nós somos os gestores desse fundo. Tem outro fundo que fazemos bastante, de pro soluto das imobiliárias, com Direcional, MRV. São exemplos deste ano, de FIDCs que estruturamos e vendemos a outras casas.

Os FIDCs cresceram muito como alternativa de crédito, em cenário de juro bancário
alto. Em 2026, com início do corte na taxa básica, dá para o produto seguir com
o mesmo ritmo?
Acho que teve um sucesso grande nos FIDCs este ano, porque quando você mistura um juro alto com volatilidade de mercado, que foi a NTN-B saindo de 6% para 8%, grosso modo, com queda da bolsa no ano passado, e recuperação neste ano, os produtos sem volatilidade ficam muito atraentes. Juros altos sem volatilidade é tudo que o investidor gosta, o que explica muito o sucesso dos FIDCs. Nosso fundo Statheros, que é um FIC de FIDC, é uma linha reta. Para 2026, esse tipo de ativo continua crescendo, talvez em ritmo um pouco menor. Se o mercado se estabilizar em um cenário mais favorável do Brasil, talvez tenha uma vitória de um Tarcísio de Freitas, que é um centro-direita mais moderado, estabilizando o macro e endereçando melhor o fiscal, a gente pode ver uma NTN-B em níveis mais aceitáveis, uma bolsa um pouco mais atraente com o fluxo de investimento voltando a olhar ativos mais de risco. Neste caso, talvez eu ache que o crescimento marginal (dos FIDCs) diminua, porque vai ser um ambiente mais propício para ativos um pouco mais de risco

Na asset falta algo, em termos de teses de investimento, ou novas verticais que
estejam no horizonte?
Nós, nesses seis anos, conseguimos criar um portfólio bem robusto de produtos. Temos várias áreas, ou núcleos de negócios. Temos renda fixa, renda variável, real estate, infraestrutura, os FIDCs, o agronegócio. A gente já está cobrindo praticamente tudo. O que eu vejo é mais uma continuidade, focar no crescimento dos produtos existentes. Por exemplo, infraestrutura é um núcleo que dá para crescer muito ainda, tanto quanto a parte de project finance. A gente ainda não tem um fundo de infra listado e temos interesse em ter. Acho que esse seria o destaque, além de crescer o número de FIDCs ou da aposta no real estate.

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Vocês adquiriram parte dos ativos imobiliários do XP Malls, para o Riza Mall. Qual o
racional da aquisição e como anda a oferta de novas cotas?
No Riza Malls, tivemos uma oportunidade de alinhamento com o XP Malls (XPML11), no qual o XP Malls investe em uma cota subordinada e os nossos cotistas investem em uma cota senior com retorno alvo de IPCA+10% a.a.. Fizemos a compra de participação minoritária em nove shoppings que eles têm. Pensa que é uma compra em que você tem o sponsor, que é o XP Malls, por trás. E como tem um prazo de vencimento do fundo, a nossa estratégia é reciclar esse portfolio ao longo do tempo e gerar valor tanto para a cota senior quanto para a cota subordinada. O valor total do fundo será de R$ 1,2 bi, sentdo R$1bn de cota senior e R$200mm de cota subrodinada.

O mercado de crédito privado teve alguns sustos neste ano, como Ambipar, Braskem
e Raízen. Como foi para a asset e seus fundos de crédito enfrentam este período?
Sim, o mercado teve vários casos de stress ou de default. Quando eu falo de stress é quando os spreads abrem e o papel desvaloriza. Setor de saúde teve a Oncoclínicas, que abriu bastante, assim como Pão de Açúcar. Depois, vieram os casos de Braskem, Raizen, Ambipar. Nossos fundos navegaram bem. Não tínhamos exposição a nenhum desses papeis, exceto Ambipar, que tínhamos pouco e dentro dos nossos limites de risco para o rating da empresa. Foi uma perda controlada, tanto que, olhando o fundo Lotus, no ano, está rendendo praticamente 100% CDI mesmo perdendo um pouco. É a vantagem, para o cliente, de uma gestão profissional. Quem comprou o papel direto perdeu muito.

Qual a perspectiva para o crédito privado em 2026, ano que, se nada mudar, deve ser
marcado pelo início dos cortes na taxa Selic?
A nossa perspectiva é de que os juros vão começar a fechar em março, primeiro corte na Selic, com as empresas listadas ainda a refletindo um juro tão alto. A princípio, os juros devem cair de 15% para 12%, algo nessa magnitude, a depender do resultado eleitoral, mas as empresas vão passar pelo pior momento, após ficarem quase um ano com Selic a 15%. Vai dar um alívio no resultado financeiro de algumas empresas e a gente enxerga as listadas, bem maduras, com pouca alavancagem. Se olharmos a parte de utilities, commodities e bancos, que são o core da bolsa, as empresas estão muito saudáveis. Isso dá uma tranquilidade para navegar tanto no ciclo de alta de juros como agora, que será de redução. O mercado está bem funcional. Foi um período difícil, mas nada como Americanas e Light.

A Riza tem uma estratégia voltada para o agro, setor que desde o ano passado
também enfrentou desafios com RJs e defaults. Como se comportou o Fiagro da
casa e qual a perspectiva para 2026?
Conseguimos navegar muito bem nesse ciclo ruim do agro, pressionado pela queda de commodities, preço de soja, e até mesmo pela valorização do real. Se reparar, a grande parte dos defaults do mundo agro foi mais concentrada nas revendas, que eram muito alavancadas, margem baixa, o mesmo em relação a produtores pequenos e médios, que tiveram dificuldade. Não tivemos nenhum default em nosso Fiagro (RZAG11). O produto está mais exposto aos produtores grandes, focados em grãos, e não tinha exposição a revendas. É um processos de aprendizado para todos, incluindo bancos expostos ao setor. Neste ano, o preço da soja ficou meio parado e subiu agora na reta final do ano. Com o juro caindo, a cotação da commodity mais estabilizada assim como o dólar, pode ajudar o agronegócio de maneira geral.

Olhando para a grade de fundos da Riza, falta algo que vocês pretendam incorporar no
curto prazo?
Tem três áreas que a gente ainda é pouco penetrado e dá para crescer, uma é infra, que comentei, a outra é na renda variável, em que também podemos ganhar espaço, tem equipe, fundo rodando e precisa de tempo e performance. Por último, diria que a parte macro (multimercado), mas vamos avançar após o acordo com a Schroders, que encerrou a operação no Brasil. Vamos absorver alguns fundos deles e estamos trazendo dois profissionais da gestora, um gestor macro e um analista, o Thomas Lamachia e o Bernardo Mendes. Vamos absorver perto de R$ 1,5 bilhão alocados nos fundos, uma frente importante de crescimento. Um dos fundos da Schroders está sendo transferido para a Riza neste final do ano. Os outros vêm até fevereiro.

Tem muita asset menor, com menos de R$ 1 bilhão sob gestão, com dificuldade para
seguir operando. Crescimento inorgânico, via aquisições, está nos planos?
Aquisições estão sempre no radar. A gente é bem conectado com o mercado, conversamos com bastante gente. Acho que sim, tem abertura para aquisição. Por outro lado, a gente não tem um apetite tão forte como outras casas, como o Patria. Não temos este perfil, somos mais pontuais, precisa ser algo complementar, como foi a da Schroders. Mas a Riza sempre olha, está aberta, atenta para oportunidades que surjam.

Dá para manter, em 2026, o forte crescimento registrado neste ano, em cenário que
deve ser marcado por juro menor e eleições?
Eu não consigo responder muito bem a essa pergunta, porque eu prefiro não dar guidance. O crescimento depende muito das condições de mercado. Pode ter uma situação que abre uma janela importante para infraestrutura e a gente capte R$ 2 bi, R$ 3 bi na estratégia. É super razoável ter volumes grandes em infra. A renda variável também pode ter uma janela boa e quando vem, vem muito. E pode ser o contrário, que o presidente Lula se reeleja e os juros continuem altos, ruim para ativos de risco. É muito uma previsão de crescimento. O importante é focar na performance para crescer.
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