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Após pivotada, Bloxs volta à origem e mira ser a “XP do assessor B2B”

Jiane Carvalho

Felipe Souto, CEO da Bloxs
Felipe Souto, CEO da Bloxs

Criada em 2018 na esteira de avanços regulatórios promovidos pela CVM – instrução 588, de crowdfunding (2017) – a Bloxs nasceu com o desejo de facilitar emissões menores no mercado de capitais. Na sua trajetória, seguindo o avanço da agenda de inovação regulatória, a Bloxs ampliou os serviços para o mercado de capitais. Criou uma securitizadora, passou a coordenar ofertas (CVM 160) e a oferecer serviços de backoffice para fundos. Um dos movimentos mais recentes, após a casa decidir focar no B2B e em clientes institucionais - pondo o varejo de lado - foi o lançamento do Bloxs Workspace, em junho passado. Não deu muito certo e exigiu uma correção de rota.

“Muitas vezes, temos uma visão de que vamos resolver uma determinada dor específica do mercado, e nem sempre as coisas acontecem da maneira que você imagina. Tivemos que dar um passo para trás e ajustar. Podemos atender a todos, mas o foco tem que ser o sell-side, as boutiques de investimento”, explica Felipe Souto, CEO da Bloxs. Reforçando o posicionamento como “a casa do assessor B2B”, a Bloxs voltou à origem e retomou, conforme conta Souto na entrevista abo Além do Capital, o caminho do crescimento. “Começamos a ver volume de originação crescendo desde o final do ano passado. Hoje, a gente gera, em média, R$ 5 bilhões de operações todos os meses, das quais nós mandatamos, ou seja, vira negócio potencial, 10%, então, estamos falando de R$ 500 milhões a cada mês.” Acompanhe: 

Qual foi o motivador para a criação da Bloxs e, até aqui, qual o principal desafio
da casa?

A Bloxs nasceu em um ambiente regulatório de inovação, por parte da CVM, que tinha publicado a instrução 588, regulamentando as plataformas digitais de investimento participativo, ou crowdfunding. Entendemos que ali seria um bom caminho para montar uma plataforma com foco em facilitar o processo de emissões primárias no mercado de capitais. A 588 foi uma primeira camada de inovação e começamos a operar como uma plataforma de crowdfunding. Criamos uma plataforma B2B, com foco no sell side, com boutiques de investimento, assessorias B2B, para originar operações. A ideia sempre foi dar acesso, chegar a outras regiões do Brasil. Esse foi o grande desafio, e eu diria que segue sendo. Tem uma enormidade de empresas menores que ainda acham que o mercado de capitais é só para grandes emissões, e, de fato, nos grandes bancos, acaba sendo, com emissões acima de R$ 150 milhões.

E a Bloxs tem conseguido baixar este ticket, originar operações de menor valor?

Temos sim. Hoje, o nosso ticket médio das operações é de R$ 35 milhões. E está caindo. Mas surge um outro desafio, que é, ao mesmo tempo, oportunidade. É o nível de diligência do empresário de pequeno e médio portes, ainda há uma barreira muito grande. Temos que fomentar, educar, treinar e preparar esse empresário para acessar o mercado de capitais.

A Bloxs, hoje, é mais do que uma plataforma de crowdfunding. Como foi a evolução da
casa nos últimos anos? 

O crowdfunding é a licença que eu tenho e foi a primeira. Ao longo do tempo, os nossos próprios clientes começaram a nos mostrar a limitação do crowdfunding, que hoje são emissões de R$ 15 milhões. Em um momento, vimos que seria importante ter uma securitizadora, montada em 2024. Hoje, também fazemos a estruturação de fundos para gestores. Eu viabilizo o fundo como estrutura para o cliente. Além disso, fomos uma das primeiras empresas não financeiras a obter uma licença de coordenador de oferta pública, que é a resolução CVM 161. Qualquer semelhança não é mera coincidência, porque se a XP, o BTG se propuseram a ser a infraestrutura para o profissional vender produtos de investimento, nós somos a infraestrutura para escalar, para dar viabilidade para consultores empresariais.

Vocês descontinuaram o varejo na operação. Qual a estratégia?

Exato, foi quando nos posicionamos como um marketplace, uma plataforma de operações estruturadas para o investidor institucional, pensando no bolso. O institucional é aquele gestor de recurso de estruturado. Se a gente trabalha com originação e estruturação e, do outro lado, sai um CRI, quem compra são os fundos imobiliários, se for um crédito diverso, vai para um FIDC. Ao longo do primeiro semestre do ano passado, começamos a trazer para dentro de casa esses investidores institucionais. Hoje, no Brasil, tem mais ou menos 800 gestoras de recursos que focam em estruturados e temos 250 cadastradas. Deste total, 150 são usuários regulares. Por outro lado, a Bloxs tem uma enorme rede de originadores e assessores B2B que usam a plataforma. Unimos as pontes entre originadores e gestores procurando papeis. É nossa infraestrutura, que hoje chamamos de Investment Banking as a Service ou Shadow Investment Banking. Quando em 2024 anunciamos essa pivotada, para B2B, institucional, criamos uma expectativa muito grande, fizemos um grande investimento na constituição, adaptação de uma nova plataforma, o Bloxs Workspace, e lançamos em junho de 25. Acabou não dando o resultado esperado.

O que deu errado? Por que o resultado ficou abaixo do esperado?

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Muitas vezes, temos uma visão de que vamos resolver uma determinada dor específica do mercado, e nem sempre as coisas acontecem da maneira que você imagina. No segundo semestre do ano passado, tivemos que dar um passo para trás e ajustar a rota da nova plataforma. A expectativa foi frustrada. Encontramos, no ano passado, o Product Market Fit com mais clareza. O questionamento era: quem é o meu cliente? O meu cliente é a gestora, o meu cliente é o B2B, é o assessor, é assessor empresarial, o meu cliente é a securitizadora ou eu sou fornecedor de tecnologia? A questão era como estávamos nos posicionando. A Bloxs pode ter capacidade de atender todos os lados, mas não dá para focar em tudo. Esta foi a questão. Somos uma plataforma que oferece uma solução estruturada para escalar, viabilizar o sell-side, as boutiques de investimento. Voltamos à nossa origem. Adaptamos nossa plataforma, o Bloxs Workspace, com o foco de ser de fato a casa do assessor B2B. É ser para esse profissional o que a XP foi para o assessor de investimentos. Começamos a ver volume de originação crescendo desde o final do ano passado. Hoje, germos, em média, R$ 5 bilhões de operações todos os meses, das quais nós mandatamos, ou seja, vira negócio potencial, 10%, então estamos falando de R$ 500 milhões a cada mês.

Quais os principais papeis que passam pela plataforma da Bloxs? 

O principal, naturalmente, é CRI, por uma simples razão: tendemos a acompanhar a métrica do próprio mercado. Se você olha os dados, batem com o mercado no ano passado. Nossas maiores emissões são CRI, FIDC, enquanto o agronegócio (CRA) caiu um pouco. A gente navega muito em linha com o mercado. Até porque, assim como o Mercado Livre, empresa que eu sou fã, o trabalho é ajudar os lojistas a terem produtos que têm saída na prateleira.

A Bloxs lançou, em 2024, uma securitizadora. Hoje, ela atua apenas para produtos
originados na casa ou também presta serviços ao mercado? 

Este foi um dos aprendizados que tivemos ao longo do tempo. Sim, a securitizadora está disponível e aberta para o mercado inteiro. Mas não é uma linha de receita que a gente vai atrás. Se chegar algo, fazemos. A securitizadora existe porque buscamos, cada vez mais, um processo fluido, digital, integrado. Ela foi importante pelo momento do mercado. Eu não tenho dúvida que mercado está caminhando para uma maior interoperabilidade. Isto vai permitir que o nosso usuário escolha com quem ele quer emitir, com nossa SEC ou outra do mercado. Esse é o próximo passo, provar para o mercado, para minhas amigas de securitizadoras, Flavia (Palácios), da OPEA, as meninas da Canal (Nathalia Machado e Amanda Ribeiro), entre outras, a nova realidade. O próximo passo como ecossistema é ampliar esse leque.

Como a tokenização é utilizada nos diferentes negócios da plataforma? Quais os
números?

Você pode olhar a tokenização de duas formas. Uma, é como um facilitador do veículo de distribuição, que não é como a Bloxs olha nesse primeiro momento. Olhamos a tokenização como uma camada de backoffice, como a tecnologia pode nos ajudar a ganhar escala da porta para dentro, não da porta para fora. O conceito da tokenização é exatamente esse. Das operações que passaram pela plataforma, que avançou e liquidou em 2025, a metade, 50%, usaram a infraestrutura blockchain.  

Qual o próximo passo da Bloxs? O que ainda falta na estrutura da plataforma?

Entendo que o próximo passo é a integração junto às instituições financeiras e às bolsas de balcão. Temos a Cetip, a CSD e outras que chegarão. Hoje, apesar de 80% do processo ser digitalizado, fluido dentro do nosso Workspace, a etapa de depositar e liquidar ainda é muito manual. O mercado está evoluindo para que a gente consiga se conectar com as bolsas. No fim do dia, nós precisamos estar integrados a uma instituição financeira que está plugada no sistema de liquidação. Para isto podemos ter uma DTVM e o pedido no BC foi feito em 2024, é bem lento. Tem um ponto importante para mencionar. Eu não quero ter uma instituição financeira, não é o core business. Começam a ter alguns players no mercado, na mesma lógica do BaaS (Banking as a Service), que possibilitam que a gente integre uma camada tecnológica e use esses players como infraestrutura. Temos alguns testes andando. Isto independe de o BC autorizar a DTVM.  

Qual o desempenho da plataforma no ano passado, em volume de transações?

O end to end de operação que originamos, estruturamos e distribuímos no ano passado ficou perto de R$ 600 milhões. É um número, sobre 2024, bem expressivo, porque foi quando viramos a chave. Comparando ‘banana com banana’ para ser honesto, em 2024, devemos ter feito perto de R$ 300 milhões. Temos um volume mensal  de potenciais operações de R$ 5 bi, na média, e um índice de conversão em mandato de 10% sobre este total. Não é ruim, mas queremos melhorar a assertividade. Vamos dar munição, subsidiar e educar a nossa ponta vendedora. Vamos rodar as principais capitais do Brasil, que é o Bloxs on the Road, que tem exatamente esse conceito. Fizemos em novembro, em Salvador - Bahia, e depois fomos a Florianópolis (SC). Este ano, tem São Paulo, Rio, Belo Horizonte, interior de São Paulo. O foco é conversar com esse assessor B2B, dando direção para ele. Nossa meta é melhorar, ampliar isso para 30% de assertividade, conversão.


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