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Anby estreia para simplificar consultas à autorregulação

Jaqueline Mendes

A busca por informações sobre regras de autorregulação do mercado financeiro ganhou um novo canal com o lançamento da Anby, assistente virtual baseada em inteligência artificial criada para responder consultas sobre os códigos e normas da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). A ferramenta, apresentada na sexta-feira (19), foi desenvolvida para facilitar o acesso a documentos regulatórios e acelerar pesquisas que hoje frequentemente exigem consultas a áreas jurídicas, compliance ou especialistas do setor.

Disponível gratuitamente no portal da associação, a assistente responde exclusivamente com base nos códigos de autorregulação e em materiais oficiais da Anbima, incluindo regras, procedimentos, deliberações, FAQs e glossários. As respostas são acompanhadas das referências utilizadas, permitindo que o usuário consulte diretamente a origem das informações.

Segundo Zeca Doherty, diretor-executivo da Anbima, a proposta não é substituir advogados, consultores ou equipes de compliance, mas tornar mais eficiente a consulta às normas. Para ele, a padronização das respostas e a indicação das fontes podem contribuir para reduzir divergências de entendimento e ampliar a uniformidade na aplicação das regras.

Desafio era encontrar e interpretar documentos

Durante o desenvolvimento da ferramenta, um dos principais pontos identificados foi a dificuldade dos usuários em localizar informações e acompanhar alterações promovidas nas normas ao longo do tempo.

De acordo com Doherty, muitos participantes do mercado demonstraram interesse não apenas em acessar a regra vigente, mas também em compreender a evolução dos dispositivos regulatórios. Esse comportamento levou a equipe a priorizar respostas contextualizadas e acompanhadas da indicação das versões e documentos consultados.

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IA já é usada na supervisão

O lançamento da assistente ocorre em um momento em que a inteligência artificial vem ganhando espaço em diferentes atividades do mercado financeiro. Embora a Anby tenha sido criada para consultas regulatórias, a Anbima já utiliza IA em processos internos de supervisão.

Um dos projetos mencionados pela entidade envolve a análise de regulamentos de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs). Com a automação da extração de informações desses documentos, a associação afirma ter aumentado a padronização das análises e a velocidade na identificação de potenciais riscos.

Responsabilidade permanece com as instituições

A adoção de ferramentas de IA para interpretação de normas também levanta questionamentos sobre eventuais riscos jurídicos decorrentes de respostas incorretas. Segundo Doherty, a Anby deve ser encarada como uma ferramenta de consulta e apoio, sem substituir a avaliação técnica ou jurídica realizada pelas instituições.

A entidade destaca que as respostas sempre apresentam os documentos que serviram de base para a orientação fornecida. Dessa forma, “a responsabilidade pela interpretação e aplicação das normas permanece com as instituições e seus profissionais, como já ocorre em qualquer processo de consulta a documentos regulatórios”, afirma o diretor-executivo da Anbima.


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