Luta antiga
Redação Capital Aberto

Quando esses casos acontecem, os acionistas partem para um duelo, conhecido como “proxy fight” ou “proxy battle”. Um dos exemplos mais frequentes é a batalha para indicação de membros do conselho de administração. O investidor dissidente registra diretamente na SEC um pedido de procuração para representar na assembleia os acionistas que aderirem à chapa proposta por ele. Os custos advindos da campanha de divulgação da proposta e dos pedidos de procuração são arcados pelo grupo descontente. Só ocorre o reembolso quando os investidores divergentes obtêm a maioria dos assentos do conselho e, dessa maneira, conseguem aprovar o pagamento. A maior motivação de uma proxy fight é a resistência do board a uma fusão ou venda da companhia (veja quadro). Mas os pelejadores também podem pedir as cabeças dos conselheiros simplesmente com o intuito de aprimorar estruturas de governança corporativa, lembra Robert McCormick, chefe de política (Chief Policy Officer, ou CPO, em inglês) da consultoria Glass Lewis.
Como se podia supor, a crise fertilizou o solo para batalhas por procurações. Foram 183 proxy fights em 2008, um recorde em cinco anos, segundo relatório da FacSet, firma norte-americana especializada em pesquisas financeiras. Por meio desse instrumento, investidores ativistas garantiram cadeiras nos conselhos de 84 companhias, o maior número desde 2001, quando a FacSet passou a acompanhar o movimento. “Contribuem para essa tendência fatores como a maior disposição de ativistas em transformar campanhas em proxy fights formais e o fato de apresentarem candidatos a conselheiros mais qualificados e experientes”, escreveram John Laide e Jim Mallea, autores do levantamento.

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A briga dos investidores pelo direito de indicar os seus conselheiros e incluí-los no proxy statement enviado pela companhia é antiga e tem até nome — proxy access. Em 2007, para acabar com a controvérsia, a SEC desenhou as regras para o exercício desse direito, mas o martelo não foi batido até hoje. De acordo com a última manifestação da agência, a proposta seria permitir que acionistas titulares de 5% das ações de uma companhia apontassem candidatos ao órgão máximo de administração e incluíssem esses nomes no material da assembleia. “São convincentes os argumentos de que esse gatilho é alto demais, especialmente em empresas de grande capitalização de mercado”, admitiu Luis Aguilar, um dos commissioners (cargo equivalente a diretor) da SEC, em discurso realizado dois meses atrás. “Com uma nova e energizada presidente (Mary Schapiro) e um espírito espalhado no país de renovação da prestação de contas, é hora de finalmente levarmos a sério as realidades modernas do voto por procuração e dar sentido ao direito fundamental do acionista de indicar conselheiros”, frisou Aguilar. Quem diria, a SEC demorou tanto para chegar a essa conclusão que o Brasil passou na sua frente.
| Intel libera voto eletrônico em tempo real
Marcada para às 8h30 de 20 de maio, na cidade de Santa Clara, Califórnia, a reunião anual de acionistas da Intel poderá ser um divisor de águas na história das assembleias. No edital de convocação preliminar arquivado na SEC, a gigante de chips de computadores dá boas-vindas à presença física, virtual ou por procuração dos investidores. Por “virtual”, entenda-se não somente webcasting, a mera transmissão on-line da cerimônia. Os acionistas poderão fazer questionamentos e votar remotamente. O evento será o primeiro a oferecer o voto ao vivo pela internet, segundo Dominic Jones, especialista em comunicação on-line para Relações com Investidores (RI) e blogueiro do site IR Web Report.
Segundo Jones, no passado a Intel permitiu o envio de perguntas pela web, mas não tinha meios de limitar esse recurso a acionistas devidamente registrados. A dúvida agora é sobre a tecnologia que será usada para o controle e a verificação de quem é acionista e a quantidade de papéis detidos por cada um. No documento enviado à SEC, a empresa diz que as instruções sobre como comprovar a propriedade e participar da assembleia pela internet serão publicadas no site de RI (www.intc.com). A iniciativa se insere num contexto de redução de custos. Neste ano, a assembleia vai ocorrer na sede da companhia, em vez de se dar num espaço maior alugado para esse fim; a tradicional refeição tampouco será servida. (D.G.) |


