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De onde vem, para onde vão

PE

Peter Jancso

Prateleira: o que nunca muda

Quando pensamos na sociedade, é comum associar a metáfora de que a célula do tecido social é a família. Fazendo um paralelo com a economia, é razoável postular que a célula do tecido econômico é a empresa[1]. Mas como chegamos ao modelo atual, onipresente mesmo em regimes tão diferentes como capitalismo, socialismo ou até comunismo?

Este é o tema central da narrativa do professor de direito William Magnusson, que cobre desde as primeiras formas de organização com propósito de lucro até nossos dias de start ups de tecnologia.

A palavra “corporação” vem do latim corpus, um corpo único. Logo, o termo significa uma organização de indivíduos incorporados por lei como um único corpo (nasce a “pessoa jurídica”!). Ela é estabelecida com um propósito específico, muitas vezes em prol do bem geral da sociedade, muito antes do capitalismo definir o lucro como sua função objetivo.

A obra aborda algumas características importantes que foram criadas nessa jornada de aperfeiçoamento, como a questão da responsabilidade limitada e a possibilidade de vender de ações ao público.

Embora trate-se de um livro sobre história, ele é organizado por tipos de empresas (sempre sobre um exemplo real), em vez do padrão típico de seguir a linha do tempo. O primeiro capítulo trata da criação e evolução das societas publicanorum, as empresas que cuidavam da coleta de impostos para Roma.

Era uma ideia extremamente criativa para a época, pois descentralizava a coleta em um vasto império, possibilitando a manutenção e expansão deste e melhor padrão de vida para os romanos. O segundo cobre o florescimento do Banco Medici durante o Renascimento, e como esta organização tem o poder de multiplicação de capital na economia.

Em seguida, temos um desenvolvimento importante para a evolução das corporações, com o advento da emissão de ações ao público, e o objeto em discussão é a Companhia das Indias Orientais. E então seguimos com o monopólio (Union Pacific), a linha de produção (Ford), a multinacional (Exxon), o private equity (KKR) e a start up (Facebook).

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Chegando ao século 21, o fato central é que as empresas exercem muito poder sobre nossa economia, nossa política e nossas vidas. Embora seja inegável que os últimos duzentos anos de progresso e prosperidade estejam intimamente ligados a este tipo de organização, também existem histórias de excessos e ganância para poucos em detrimento da sociedade como um todo.

A conclusão da obra elabora uma lista de 8 pontos de atenção para que as empresas sigam sendo o alicerce do desenvolvimento econômico e social, mas o discurso parece pouco profundo e até ingênuo. O autor sempre lembra a máxima de Milton Friedman, de que “o papel social de uma empresa é ter lucro”.

Mas infelizmente ele esquece de completar o pensamento: “o papel social de uma empresa é ter lucro, mas dentro das regras do jogo”. Isto é, a busca do resultado dentro dos limites estabelecidos pela sociedade, sem maltratar clientes, empregados e meio ambiente, e sempre dentro da lei.

[1] Caso típico de perda na tradução, a versão em inglês “corporation” comunica melhor o significado pretendido (na minha modesta opinião!)

For Profit: a History of Corporations

William Magnusson

Editora: Basic Books

326 páginas

1a edição, 2023

Peter Jancso é conselheiro independente e consultor de finanças


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