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Construir confiança para gerar valor: governança e execução transformam capex em diferencial competitivo  

Redação Capital Aberto

Há um desafio recorrente entre as empresas que vem ganhando atenção no mercado: como garantir que grandes investimentos corporativos (capex) realmente gerem valor para o acionista?  

No geral, as empresas anunciam planos robustos ao mercado, mas acabam tendo de lidar com falhas na execução, decorrentes de atrasos, estouros de orçamento e baixa previsibilidade de resultados. Ou seja, a ausência de governança estruturada compromete a entrega.  

O efeito acaba gerando pressão no caixa livre (o dinheiro que sobra após investimentos), perda de sustentabilidade no longo prazo e aumento da percepção de risco. Em um ambiente volátil, isso encarece o acesso a recursos, seja via dívida ou novos investidores. 

Por isso, a gestão de projetos não pode se limitar apenas à eficiência operacional – ela deve atuar como uma alavanca estratégica de valor. Empresas que fortalecem governança, com decisões ágeis e bem definidas, alinham estratégia à execução e desenvolvem capacidades organizacionais, conseguem reduzir riscos e aumentar a previsibilidade da geração de caixa.  

Mais do que eficiência, trata-se de construir confiança. Empresas que transmitem previsibiliade ao mercado conseguem se diferenciar. Para isso, é essencial estruturar uma governança robusta de projetos, com decisões claras e ágeis, além de alinhar estratégia e execução.  

Esse avanço também passa pelo desenvolvimento de capacidades organizacionais, combinando processos, pessoas e tecnologia de forma integrada, o que permite maior precisão no cumprimento de prazos e custos.  

Para se chegar a essa previsibilidade, há um processo estruturado que começa com a governança de projetos e o estabelecimento de estruturas de decisão claras e tempestivas.  

Parcerias especializadas e avaliações independentes de maturidade têm papel relevante nesse caminho: ajudam a identificar gaps, evidenciar oportunidades de melhoria e trazer referências externas.  

Mas aqui há, antes, uma lição de casa importante para as empresas buscarem aprimoramento e elevação da maturidade, dedicando comitês executivos eficientes e processos rigorosos de priorização de projetos e tomada de decisão.  

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Com processos e rotinas definidas e uso intensivo de dados, analytics e inteligência artificial, as companhias tornam-se capazes de antecipar desvios, priorizar investimentos e garantir disciplina na execução. Em última instância, ajudam a transformar capex em valor efetivo.  

E, em todo esse processo, os CFOs (Chief Financial Officer) precisam que áreas como PMO, portfólio, projetos e engenharia busquem a maturidade para entregar a previsibilidade e, assim, eles tenham em mãos instrumentos poderosos de decisão para que a empresa sempre persiga os melhores resultados financeiros. 

Outro ponto fundamental é a integração da estratégia com a execução, investindo em mapeamento e estruturação para entender o que é preciso para entregar um projeto com processos, pessoas e tecnologias fortalecidos e sincronizados.  

Esse alinhamento é o que gera previsibilidade e precisão nas estimativas de cumprimento de prazos e custos, garantindo proteção de valor ao acionista.  

Com menor incerteza e maior grau de confiança, investidores e credores exigem um prêmio de risco menor, reduzindo o custo médio ponderado de capital (WACC), indicador que reflete quanto custa financiar a empresa. Na prática, isso se traduz em crédito mais barato e proteção do valuation, ou seja, do valor de mercado da companhia.  

Cria-se, assim, uma reação em cadeia: reduz-se o risco sistêmico, os investidores e credores aplicam um prêmio de risco menor e a empresa faz uma captação de dívida com taxas significantemente menores, blindando o valor de mercado contra as volatilidades e a imprevisibilidade de execução.  

É esse alinhamento perfeito entre estratégia, governança e execução que sinaliza ao mercado uma capacidade consistente e um diferencial decisivo para atrair capital e sustentar o crescimento. 

Maurício Nichterwitz é Sócio de Infrastructure & Capital Projects da Deloitte 


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