UPL vende Bioplanta para empresários, após fracasso no negócio
Alexandre Inacio

A UPL do Brasil acertou a venda de sua participação na Bioplanta Nutrição Vegetal para os empresários Marino José Franz e Miguel Vaz Ribeiro. A operação consolida o retorno do controle da fabricante de fertilizantes especiais ao grupo que a fundou, em 2014.
A transação inclui a participação da Amerra Chapada na Rio Verde Bio Participações, holding com 50% da Bioplanta. Com o negócio, Franz e Ribeiro assumem controle integral da fabricante sediada em Lucas do Rio Verde (MT).
Para a UPL, a venda representa a saída de um investimento que não mais se alinha às suas estratégias comerciais. Os compradores pretendem realizar aportes de capital e promover reestruturação financeira na empresa.
Gestão da UPL na Bioplanta
A Bioplanta foi fundada em 2014 em Lucas do Rio Verde, com foco em fertilizantes especiais foliares, para tratamento de sementes, e adjuvantes. Marino Franz figura entre os cofundadores da empresa.
A UPL entrou como sócia em 2022, ao adquirir a posição da Dakang, empresa chinesa que antes detinha participação na Bioplanta. A entrada foi apresentada como central à estratégia de expansão da multinacional em biossoluções no Brasil.
Em outubro de 2023, o então CEO da UPL Brasil, Rogério Castro, anunciou que a Bioplanta seria o foco prioritário para 2024. O plano previa novos laboratórios para desenvolvimento de biológicos e ampliação da capacidade produtiva da unidade mato-grossense.
A expansão não se concretizou e a empresa precisou de reestruturação financeira, com adequação do modelo operacional à realidade econômica. A sequência entre a promessa de 2023 e a venda em 2026 resume o insucesso da gestão da UPL no ativo.
Alavancagem da UPL
A UPL acumulou dívida elevada após adquirir a Arysta LifeScience por US$ 4,2 bilhões em 2019. A operação gerou rebaixamentos de rating pela Fitch e pela S&P e comprimiu a margem financeira da companhia por anos subsequentes.

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No exercício fiscal encerrado em março de 2024, a multinacional registrou prejuízo líquido de 12 bilhões de rúpias indianas (US$ 125,4 milhões). A dívida líquida atingiu 221,7 bilhões de rúpias (US$ 231,8 milhões) e a companhia iniciou ciclo de desinvestimentos para reduzir a alavancagem.
A UPL vendeu sua participação na subsidiária Advanta por US$ 250 milhões à Alpha Wave Global em 2024, destinando os recursos à amortização de dívida. A venda da Bioplanta segue a mesma lógica de simplificação de portfólio e geração de caixa.
No Brasil, a empresa figurou entre os credores no processo de reestruturação extrajudicial da Lavoro, distribuidora com passivo de R$ 2,5 bilhões com fornecedores. A crise de liquidez no mercado de insumos entre 2022 e 2024 agravou o cenário operacional da companhia no país.
Em fevereiro de 2026, a UPL anunciou reorganização global para separar seus negócios em plataformas distintas. O mercado reagiu com queda de mais de 13% nas ações, com críticas centradas na alavancagem ainda elevada da companhia.
Os novos controladores
Marino José Franz fundou a Fiagril em 1989, distribuidora de sementes e insumos vendida à Dakang em 2016 por cerca de US$ 200 milhões. Em 2025, entrou para a lista de bilionários da Forbes com patrimônio estimado em R$ 1,3 bilhão, único representante do Mato Grosso no ranking.
Franz foi prefeito de Lucas do Rio Verde por dois mandatos, entre 2005 e 2012. É acionista da FS Bioenergia, usina de etanol de milho ligada ao grupo americano Summit Agricultural Group e Amaggi, e atua como produtor rural no Cerrado. É também cofundador da Tapajós Participações e da Cianport, com presença em logística e atividades portuárias.
Miguel Vaz Ribeiro foi vice-prefeito de Lucas do Rio Verde durante a gestão de Franz, prefeito do município entre 2013 e 2016 e atual prefeito do município. Seu grupo econômico atua em atividades agrícolas, varejo de combustíveis, armazenagem, logística, imobiliário e assessoria empresarial.
Ambos já eram acionistas da Rio Verde Bio Participações antes da operação. Com a compra das ações da UPL e da Amerra Chapada, consolidam o controle sobre a Bioplanta.
O mercado de fertilizantes especiais no Brasil movimentou R$ 26,9 bilhões em 2025, conforme dados do Anuário Abisolo. O segmento de biológicos ligados à nutrição de plantas cresceu 22% ao ano nos últimos três anos, taxa quatro vezes superior à média global.
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