Polarizações políticas e ESG com nova roupagem são tendências de governança corporativa para 2025
Érica Polo

Geopolítica – as guerras no Oriente Médio e a tensão nas relações entre EUA e China –, as polarizações políticas, o uso da inteligencia artificial, a inevitável conexão em redes para as estruturas empresariais (e potencial efeito de cyberattacks), além de mudanças climáticas e questões sociais formam boa parte da lista de temas que são tendência para a agenda de governança corporativa em 2025.
“Temos o sentimento de que as pessoas vão parar de falar em ESG, o cenário [relacionado ao tema] é diferente do que víamos há três anos. Mas acho que as pautas de sustentabilidade, climática e social não vão sair do ar. Continuarão ativas, mas talvez com outra roupagem”, acrescentou Richard Blanchet, sócio do Blanchet Advogados, durante evento promovido pelo escritório – o primeiro encontro Blanchet Governance Day –, nesta terça (26).
ESG, por si só, é um mundo amplo, com infinidade de temas de impacto ao meio e aos negócios. Mas o mundo passa por um afinamento dessa pauta. Prestar contas (e observar mais de perto) o impacto de projetos realizados neste universo é um movimento cada vez mais frequente.
Apesar da posição dos EUA com o novo governo Donald Trump, a agenda climática, por exemplo, não deve perder força. Ainda é forte no continente europeu e, no Brasil, do ponto de vista político, a agenda energética leva o país a uma posição de destaque no mundo.
As repercussões econômicas da chegada do novo presidente americano à Casa Branca também podem integrar os acontecimentos do mundo que podem afetar estruturas de governança – e merecem um olhar atento, na avaliação de Blanchet. Um dos cenários decorrentes desse movimento é como ficará a relação entre Brasil e China, e as consequências para as correntes comerciais.
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“Quando se fala em risco também há oportunidade. Aproximação [maior] do setor agro brasileiro com a China, pelo que já li, pode ser interessante”, comenta Gabriela Blanchet, sócia do escritório. Ela cita, ainda, como importante, a abordagem do uso de inteligência artificial e os impactos do uso da ferramenta em discussões relacionadas à ética no ambiente de companhias. É uma questão que tem permeado conversas nos conselhos administrativos.

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Ademais, a busca por resultado voltando olhares para métrica e performance também devem voltar a ganhar mais espaço, na visão dos advogados. Novas tecnologias, riscos emergentes e o engajamento de stakeholders também foram citados. Para Blanchet, a rede Carrefour (que vive um problema após declaração de seu CEO global, Alexandre Bompard, sobre a qualidade da carne brasileira), por exemplo, não compreendeu a necessidade de mapear os stakeholders, levando a uma crise – que inclusive respingou para a diplomacia dos dois países.
Participantes do Blanchet Governance Day citaram outras tendências como relevantes durante enquete feita pelos advogados, como liderança com causa missão e cidadania, cota de mulheres nos conselhos, protecionismo reduzindo a globalização, transformação digital e conflito de gerações.
Compliance e pessoas
Também entrou na pauta dos debates do dia, o sistema de compliance, que precisa funcionar de forma sistêmica. Chantal Pillet, diretora na Kroll Associates, lembra que as pessoas têm o mindset de cultura de integridade. Para sensibilizá-las nas estruturas há uma série de treinamentos os quais, inclusive, já devem começar a ser aplicados no momento da contratação das lideranças que vão integrar a estrutura organizacional.
“Precisamos falar de gestão de pessoas. Num ambiente de tomada de decisão cheio de erros e medos do chefe, cuidar das pessoas é uma base importante de controles internos”, reforçou a executiva. Eduardo Luque, sócio do grupo Irko, reiterou que o desenho adequado de um sistema de integridade é essencial para que o comitê interno entenda o ambiente.
Contudo, o controle interno não é só baseado em pessoas e as companhias precisam investir em processos e segurança de dados, reforçaram. Responsabilidades do conselho na gestão de riscos cibernéticos, o impacto das normas de sustentabilidade IFRS S1 e S2 na atuação dos conselhos e acionistas de referência, além dos desafios de lideranças também estiveram em debate na parte da tarde do encontro.
Para Vicky Bloch, psicóloga e sócia da Vicky Associados, os desafios das lideranças hoje pedem um estudo aprofundado sobre o comportamento humano, com o fim de prepará-las para lidar com as mudanças das relações causadas pelo impacto da tecnologia. “Há uma crise [nas relações humanas] e a discussão sobre gerações só faz sentido se incorporarmos a capacidade de encantar as pessoas de novo", disse Vicky.
Uma constatação dela sobre o atual momento nos ambientes corporativos é a de que se tornou “chato” trabalhar. A forma de trabalho modulada por gerações mais antigas traz um “certo desencantamento”, sobretudo entre os jovens talentos. Como dar suporte à transição de jeitos de viver nos ambientes, considerado o impacto que poderá ser trazido pela IA, por exemplo, sem entender as pessoas e suas reações, visões?


