Defesa de CEO da BlackRock a empresas de petróleo irrita ambientalistas
Paula Lepinski

Anualmente, em sua tradicional carta dirigida a executivos, o CEO e fundador da gestora BlackRock, Larry Fink, destaca os temas que ele considera prioritários para as lideranças no ano que começa. Graças aos 10 trilhões de dólares que possui sob gestão, a BlackRock detém influência substancial sobre companhias abertas de diversos setores. Na carta deste ano, intitulada “Letter to CEOs: The Power of Capitalism”, Fink reconhece que a pandemia acelerou — e muito — a necessidade de uma transição para o capitalismo de stakeholders e aponta a descarbonização da economia global como a "maior oportunidade de investimento da nossa vida". A atenção dada por Fink às ações de combate à crise climática, no entanto, contrasta com um aspecto polêmico de sua carta: a defesa aos investimentos na indústria de petróleo e gás.
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De acordo com o CEO da BlackRock, o caminho para a descarbonização das economias não é o desinvestimento em indústrias intensivas em carbono, mas a realização de “transformações radicais nos modelos de negócios”. "Para assegurar a continuidade do fornecimento de energia a preços acessíveis durante a transição, combustíveis fósseis tradicionais, como o gás natural, desempenharão um papel importante tanto para a geração de energia e aquecimento em certas regiões, quanto para a produção de hidrogênio", escreveu Fink.

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O trecho irritou cientistas e ambientalistas, entre eles Moira Birss, diretora de clima e finanças da organização ambiental Amazon Watch. Na sua opinião, a defesa de Fink a essas empresas sinaliza que seu discurso sobre a importância do combate à crise climática não é sincero. "Ele aparentemente quer estar acima da briga política, jogando bem com aqueles que lucram com as causas da mudança climática", alfineta Birss. A insinuação não chega a ser um disparate. De fato, a BlackRock detém quantidades expressivas de ações das maiores companhias de petróleo e gás do mundo, por causa dos 6,6 trilhões de dólares em ativos sob gestão que estão aplicados em fundos de índices (EFTs).
Com o crescente interesse dos investidores por questões ambientais, sociais e de governança (ESG), no entanto, é possível que, no futuro, a composição dos índices passe a abrigar empresas mais sustentáveis. Na visão do CEO da BlackRock, o mercado financeiro deveria prestar mais atenção nas climate techs — startups que ajudam a descarbonizar produtos e serviços ao mesmo tempo em que tornam a transição energética acessível a todos os consumidores.
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