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Até as empresas poluidoras merecem uma chance

Paula Lepinski

Recorte ESG deve continuar, com novos alvos
Segundo a gestora holandesa Robeco, cerca de 86% dos investidores dizem que as mudanças climáticas estarão entre os principais parâmetros em suas políticas de investimento até 2024 | Imagem: freepik

Nos últimos 12 meses, o retorno para os investidores de ativos ESG (que priorizam fatores ambientais, sociais e de governança) foi, no mínimo, atraente. O índice MSCI World ESG Leaders, que rastreia cerca de 700 ações de companhias com alto desempenho em frentes ESG, bateu uma série de recordes e saltou impressionantes 80% desde a queda brusca em março do último ano. Já o índice Bloomberg Barclays MSCI Global Green Bond, que se baseia em pelo menos 600 títulos de dívida compatíveis com o viés ESG, saltou 11% no ano passado, desafiando uma fase de “liquidação” nos mercados globais de dívida. 

Com o aumento da demanda por investimentos responsáveis, analistas e gestores de fundos tentam identificar quais as próximas empresas capazes de captar bilhões de dólares e, por enquanto, o palpite da maioria envolve exatamente as maiores emissoras de poluentes — se elas adotarem iniciativas verdes. 

A aceleração da demanda por essa categoria de investimentos é um reflexo das atuais circunstâncias, começando pelo compromisso da administração Biden com o meio ambiente e pelo plano de estímulo verde da União Europeia. Segundo um levantamento recente da gestora holandesa Robeco, que tem 176 bilhões de euros sob gestão, cerca de 86% dos investidores dizem que as mudanças climáticas estarão entre os principais parâmetros em suas políticas de investimento até 2024, acima do percentual de 33% registrado há dois anos. 

Oportunidades em ESG 

A aposta do Bank of America (BofA) está concentrada em companhias responsáveis pela emissão de altas taxas de dióxido de carbono na atmosfera, mas que estão implementado iniciativas e reformas para diminuir esse total. O foco se volta aos setores de energia, metais e mineração. O BofA também vê potencial em empresas preocupadas em diminuir o impacto no aquecimento global nas indústrias química, de fertilizantes e de tintas. 

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Já a Newton Investment Management, com 63,7 bilhões de dólares em ativos sob gestão, favorece as empresas que procuram abrir mão do uso de carvão mineral e migrar para a energia sustentável. O Newton Sustainable Global Equity Fund seleciona companhias que têm um plano claro de transição de seus negócios, mesmo que elas não estejam necessariamente na vanguarda do movimento ESG. Em entrevista à Bloomberg, Yuko Takano, que administra o fundo em Londres, explicou que o portfólio pode incluir desde grandes companhias do setor de utilities que estão migrando para energia renovável quanto empresas que estão desenvolvendo tecnologias para produzir produtos mais eficientes e sustentáveis. “Queremos nos aprofundar um pouco mais nas áreas menos óbvias, nas quais existe algum elemento de inovação tecnológica que não é necessariamente uma área focal para a maioria dos investidores, mas que nos parecem bastante interessante”, disse Takano. 

Outra asset que acredita no potencial de valorização de ativos ESG é a VanEck, que gere 50 bilhões de dólares. Seus gestores favorecem companhias como a Enphase Energy Inc., que oferece soluções de energia doméstica, e a Vestas Wind Systems A/S, fabricante de turbinas eólicas. Em março deste ano, a VanEck lançou, na Austrália, um Exchange Traded Fund (ETF) de energia limpa para atender à crescente demanda de investidores. 

 

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