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Investidores alemães aprovam “dividendo verde”

Redação Capital Aberto

Investidores alemães aprovam “dividendo verde”
A ideia é implicar a Alstria, firma imobiliária alemã, nos esforços privados para o cumprimento das metas do Acordo de Paris | Imagem: freepik

Se os investidores globais em algum momento seguirem em massa o exemplo recente dos cotistas de uma firma imobiliária alemã, os projetos ambientais podem ganhar um reforço financeiro e tanto. Reunidos em assembleia, os cotistas da Alstria — uma Reit (real estate fund services), categoria de empresa que se assemelha aos fundos imobiliários brasileiros — aprovaram a destinação de parte dos dividendos a que teriam direito para duas iniciativas, de descarbonização e produção de energia renovável. Eles se alinharam ao que já pode ser chamado de “dividendo verde”. 

A proposta da administração, que obteve o aval de 85,2% dos cotistas, envolve a transferência de 1,78 milhão de euros dos dividendos a esses programas, que não estão diretamente associados à operação da Reit, empresa detentora de pouco mais de 100 edifícios na Alemanha, com área de 1,4 milhão de metros quadrados e ativos avaliados em 4,4 bilhões de euros. A ideia é implicar a Alstria nos esforços privados para o cumprimento das metas do Acordo de Paris, como a limitação da média de aquecimento global a 1,5 grau Celsius neste século. 

Questão de linguagem 

Como observa um artigo da IR Magazine, para além da novidade desse tipo de envolvimento de investidores com as questões ambientais, o episódio tem pelo menos um ponto curioso. Ele está relacionado ao fato de, reunidos em assembleia no ano passado, os cotistas terem recusado proposição semelhante da administração da Alstria — na ocasião, os votos contrários foram 95,1%. Os cotistas preferiram receber sua parte em dinheiro. 

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Ouvido pela publicação, o CEO da reit, Olivier Elamine, disse acreditar que a virada da percepção tem a ver, entre outros fatores, com uma questão de linguagem. Na assembleia de 2020, a Alstria perguntou se os cotistas gostariam de receber seus dividendos ou permitiriam a destinação dos recursos a projetos ambientais — a indagação, portanto, envolvia uma ideia, ainda que remota, de perda. Desta vez, a administração apostou em uma abordagem mais positiva: a pergunta que recebeu o “sim” de 85,2% dos shareholders era algo como “se esses investimentos ‘verdes’ forem aprovados, os dividendos como um todo serão reduzidos em apenas 0,01 euro por cota”. Minimizada a sensação de perda, veio a aprovação, o que mostra um caminho que outras empresas podem adotar para convencer seus investidores a também se engajar nas questões ambientais. 

Também contribuiu para a mudança de avaliação a intensificação das preocupações com os aspectos ESG dos investimentos, cada vez mais presentes no dia a dia dos investidores.  

 

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