Percepção de integridade no mercado de capitais é frágil, revela pesquisa da CVM
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) divulga nesta segunda-feira (15) o resultado da pesquisa "Percepção de Integridade no Mercado de Capitais Brasileiro - 2025", que avalia a percepção do nível de integridade na atuação dos agentes do mercado de capitais e de eficácia do sistema regulatório e de proteção aos investidores. O relatório revelou uma visão negativa dos entes sobre o tema, com um indicador de 2,57 (numa escala de 1 a 5). Ou seja, o resultado está entre pouco íntegro (2) e razoavelmente íntegro (3).

A pesquisa foi coordenada pela Assessoria de Análise Econômica, Gestão de Riscos e Integridade (ASA) da Autarquia, e os dados foram coletados entre os dias 28 de abril e 19 de maio de 2025, antes mesmo de casos como o da securitizadora Virgo e da Reag asset. Ao todo, foram recebidas 1.526 respostas e, desse total, 652 respondentes encaminharam comentários voluntários adicionais.
Assegure a continuidade do legado familiar com ferramentas jurídicas e estratégias tributárias eficientes no curso Planejamento Sucessório

PUBLICIDADE
O resultado de 2,57 (numa escala de 1 a 5), entre pouco íntegro e razoavelmente íntegro, é composto por duas seções: o comportamento ético dos profissionais que atuam no mercado de capitais brasileiro, com média de avaliação de 2,59, e a seção que trata da eficácia do sistema regulatório e de proteção do investidor existente para garantir a integridade do mercado, com média de 2,55. Cada uma recebeu peso de 50% no cálculo do resultado do indicador.
“ Nota-se que as seções obtiveram resultado similar, abaixo do valor médio, indicando necessidade de atenção a ambas as dimensões que compõem o indicador”, ressaltou a CVM, em relatório sobre a pesquisa.
Houve uma diferença significativa entre os respondentes que declararam atuar profissionalmente com atividades reguladas pela CVM (25%) e os demais (75%). Considerando apenas as respostas do primeiro grupo, o resultado do indicador foi de 2,97 (mercado razoavelmente íntegro), enquanto para o segundo, foi de 2,44.
Segundo a CVM, o fato de todos os resultados terem ficado abaixo do valor médio da escala (3,00 – razoavelmente ético) requer atenção. "Numa análise comparativa, a atuação dos assessores de investimento é alvo de maior crítica e indicativo de que medidas relacionadas a esse grupo de participantes deveriam ser priorizadas (resultado próximo de 2,00 – pouco ético)", diz o documento. Após os assessores, a pior avaliação foi atribuída aos gestores e administradores de fundos de investimento, sendo que, nos comentários, o principal foco das críticas foram casos de fundos de investimento imobiliário.
Já em relação à eficácia do sistema de regulação e de proteção ao investidor, a média do resultado para os 8 itens questionados foi de 2,55. O pior item foi "Supervisão e Sanção do Mercado", com média de 2,24%, seguido por "Geral", os 2,34%, e por "Direitos e Proteção Legal do Investido", com 2,36%. A maior média foi atribuída ao item "Padrões e Práticas Contábeis", com 2,87%.
