Precatório, o palavrão que virou negócio bilionário
Juro real na casa dos 14% e 15% ao ano tem sido osso duro de roer para empresas brasileiras. Não é história de pequeno negócio só. Ítalo Fais, sócio da TAG Investimentos e à frente da área de produtos estruturados da gestora, viu isso de perto nesta semana, com mais uma grande varejista pedindo recuperação judicial.
"Se as grandes estão sofrendo, imagina as pequenas e médias que ninguém está olhando", resume Fais, direto ao ponto.
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É nesse tabuleiro de juro caro que a TAG encontra espaço para um ativo pouco falado nas rodas de investimento, o precatório. A ideia soa complicada, mas o resumo é simples, dívidas que a Justiça já reconheceu como certas, só falta o pagamento sair.
A gestora compra esses créditos de aposentados, empresas e famílias que preferem receber logo, mesmo com desconto, a esperar anos na fila do governo.

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O mercado de precatórios menores movimenta entre R$ 15 bilhões e R$ 25 bilhões por ano, mas só 8% disso é negociado. "A gente tem um mercado imenso de oportunidades", diz Fais.
O problema, segundo ele, é que muita gente nem sabe que essa porta existe. Boa parte dos credores são aposentados do INSS que recorrem ao crédito consignado, mais caro, sem imaginar que o próprio precatório poderia virar dinheiro na conta antes.
"Precatório é um palavrão para muita gente, então ninguém olha com os olhos", resume.
Regra é regra, claro. A CVM só libera fundos compostos exclusivamente por precatórios federais para investidores qualificados, mudança que veio com a resolução 175. E o risco existe, viu.
"Existem riscos regulatórios, de atraso no pagamento e jurídicos ligados à homologação da cessão pelo juiz", detalha o executivo.
Por isso a recomendação da própria TAG é não exagerar na dose. Mesmo o investidor mais arrojado deveria travar entre 5% e 10% do patrimônio nesse tipo de ativo, nada além disso.
De olho no futuro, Fais aposta suas fichas em inteligência artificial, energia e data centers como próximos queridinhos do mercado. E tem novidade saindo do forno, um fundo de recebíveis voltado para condomínios, aposta recém-lançada pela TAG.
