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Stablecoins ameaçam estabilidade de mercados de crédito

Paula Lepinski

Stablecoin, em tradução literal, significa “moeda estável”. O termo se refere às moedas digitais que são lastreadas em ativos reais, como o ouro e principalmente o dólar, para diminuir a volatidade de suas cotações.  Hoje, muitas stablecoins — incluindo a mais famosa delas, a tether — não são totalmente lastreadas em dinheiro, e sim numa mistura de títulos de dívida de curto prazo e outros ativos de menor liquidez. E, ironicamente, o último relatório da agência de classificação de risco Fitch sugere que os efeitos disso no mercado financeiro podem ser o contrário do que o nome “stablecoin” sugere.  

Segundo a agência, os mercados mundiais de crédito de curto prazo podem sofrer uma desestabilização caso haja um movimento brusco de resgate e, portanto, de conversão dessas criptomoedas em dinheiro tradicional. Nesse cenário, alerta a Fitch, a stablecoin poderia ser tornar um risco sistêmico para o mercado financeiro. 

O tamanho desse impacto pode ser ilustrado a partir da stablecoin tether. Em março de 2021, a theter era lastreada em títulos de dívida de curto prazo que somados atingiam cerca de 20,3 bilhões de dólares. O montante supera o valor que os principais fundos de investimentos dos mercados americano e europeu têm em títulos de dívida.  

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O alerta da Fitch chega num momento em que os reguladores aumentam o escrutínio sobre o potencial impacto dos ativos digitais nos mercados financeiros tradicionais. Recentemente, o anúncio de que a Associação Diem, apoiada pelo Facebook, e o Silvergate Bank planejam emitir uma nova stablecoin aumentou a preocupação em relação à adoção desse tipo de moeda digital em grande escala. Em junho, o presidente da distrital do Federal Reserve em Boston, Eric Rosengren, foi incisivo: as stablecoins serão uma preocupação em termos de estabilidade a menos que os órgãos reguladores ajam rapidamente.   

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