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“Meme stocks” criam distorções em ETFs

Paula Lepinski

“Meme stocks” criam distorções em ETFs
Imagem: freepik

A varejista de jogos GameStop e a rede de entretenimento visual AMC recentemente entraram na mira da comunidade online, que impulsionou as chamadas “meme stocks” por meio de publicações nas redes sociais Reddit e Twitter. O frenesi de investidores de varejo foi acompanhado com preocupação por analistas, que não identificaram fundamentos sólidos para a aquisição desenfreada dos papéis e temiam distorções em veículos passivos. Pois a previsão tornou-se realidade. Hoje, GameStop e AMC são nada menos do que as duas maiores holdings presentes no Exchange Traded Fund (ETF) iShares Russell 2000 (IWN) da gestora BlackRock, com um peso combinado de 2,1% no índice. 

Basta uma análise criteriosa para identificar a ausência de fundamentos mencionada por analistas. A GameStop é negociada em bolsa a 35,2 vezes o seu valor contábil e a um valor empresarial (EV) de 381 vezes os seus lucros subjacentes. No caso da AMC, o mercado prevê que os lucros subjacentes da rede de cinemas serão negativos nos próximos 12 meses. 

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A preocupação acerca das meme stocks não se limita à BlackRock. Na Invesco, que tem 1,4 trilhão de dólares sob gestão, a GameStop representa 8,8% do ETF S&P SmallCap Value Momentum (XSVM), 10,9% do ETF Invesco S&P SmallCap Value Momentum (XSMO) e 7,8% do ETF Invesco S&P SmallCap Consumer Discretionary (PSCD). A questão é ainda mais delicada na gestora State Street Global Advisors, com 3,59 trilhões de dólares sob gestão. Em janeiro, o ETF SPDR S&P Retail (XRT) registrou que, dentre as top 10 holdings do índice, a GameStop “abocanhava” 19,9% dos ativos, enquanto as outras nove, combinadas, representavam apenas 11,8%. 

Prejuízos 

Embora a maioria dos investidores tenha se beneficiado até agora com o rali das meme stocks, os ETFs se encontram numa situação delicada, já que eles podem alterar inesperadamente suas exposições a esses ativos durante os meses de rebalanceamento. Os clientes da Invesco observaram isso acontecer no ETF Dynamic Leisure and Entertainment, que movimenta 1,7 bilhão de dólares. O ETF viu sua exposição à AMC aumentar de 3% em fevereiro deste ano para 18% no início de junho, quando o rebalanceamento trimestral o obrigou a vender toda a sua participação na empresa, já que as métricas da AMC haviam se deteriorado a tal ponto que a companhia não atendia mais aos critérios de inclusão. 

Além disso, a exposição exagerada a empresas como a GameStop e a AMC deixam os fundos vulneráveis a perdas significativas. Em janeiro, esse temor se concretizou no ETF SPDR S&P Retail, da State Street Global Advisors. Após o ETF seguir os seus fundamentos e, consequentemente, aumentar a sua exposição à GameStop, investidores abandonaram o fundo, que perdeu 500 milhões de dólares num único dia.