Número de IPOs tem recuperação global, mas Brexit promete atrapalhar
Redação Capital Aberto

No segundo trimestre de 2016, as ofertas públicas iniciais de ações (IPOs, na sigla em inglês) levantaram US$ 22,5 bilhões no mundo, segundo dados da consultoria Renaissance Capital. Parece muito quando se pensa no marasmo que tomou conta da bolsa brasileira nos últimos tempos e em relação à quantia global arrecadada no primeiro trimestre — apenas US$ 9,6 bilhões foram investidos em companhias no período. Entretanto, basta lembrar que, de abril a junho de 2015, as ofertas haviam amealhado US$ 51,2 bilhões.

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A região que mais levantou recursos foi a Europa — 47,3% do total. Privatizações e spin-offs foram destaques no continente: a dinamarquesa Dong Energy, de energia eólica, captou US$ 2,6 bilhões; a estatal de seguros holandesa ASR Nederland obteve US$ 1,2 bilhão. A Ásia, que tem um ambiente de IPOs tradicionalmente movimentado, viu o volume de captações diminuir por causa do mau desempenho de ofertas passadas. Apenas dois IPOs em Hong Kong levantaram cerca de US$ 100 milhões no segundo trimestre, e ambas as companhias estão sendo negociadas a valores inferiores aos da estreia. Na América do Norte, as ofertas somaram US$ 4,7 bilhões, montante mais animador que os US$ 300 milhões dos três primeiros meses do ano. As companhias da América Latina não levantaram um tostão entre abril e junho.
Apesar de ser a campeã até agora, a Europa deve sentir o impacto da saída do Reino Unido nos próximos meses, pondera a Renaissance. A Brexit é um ingrediente a mais no conjunto de incertezas políticas que contribuem para a estagnação das captações em bolsa. Há ainda a desaceleração do crescimento chinês e a possível alta da taxa de juros americana. Parece que os US$ 22,5 bilhões do segundo trimestre, ainda que comedidos em relação a 2015, deixarão saudade nos banqueiros de investimento.


