Controle operacional se tornou o pilar da confiança no mercado
Vertrau
Por muito tempo, boa parte das empresas priorizaram corte de custos e aspectos essencialmente financeiros a questões de gestão, mas há momentos em que o mercado força conversas que vinham sendo adiadas — e o atual é um deles. Após anos de abundância de liquidez, crescimento acelerado e estruturas cada vez mais sofisticadas, o sistema financeiro volta a esbarrar em um velho problema: a confiança. Agora, a governança, debate corporativo já conhecido, volta ao foco. Mais do que expansão puramente numérica, as empresas enfrentam o desafio de sustentar crescimento sem perder controle operacional e mantendo a transparência, e o tema ganha ainda mais relevância em meio a escândalos de mercado envolvendo créditos ruins, companhias em dificuldade e manobras financeiras.
Além de representar um conjunto de princípios, estruturas e práticas que orientam como uma organização é dirigida, definindo como decisões são tomadas, como riscos são avaliados e como os interesses de diferentes partes, como stakeholders, mas também colaboradores, parceiros e a própria sociedade, são equilibrados ao longo do tempo, a governança corporativa tem se mostrado um fator decisivo para a sustentabilidade das empresas.
A perspectiva, inclusive, é que o tema ganhe ainda mais os holofotes em 2026. Além de um maior nível de exigência devido a avanços regulatórios, o movimento é impulsionado por uma necessidade de reforçar mecanismos que assegurem o mercado e os investidores da confiabilidade dos processos da empresa. Casos recentes reacenderam no mercado a necessidade de uma revisão de boas práticas, mas este cenário é continuidade de um movimento que já vem ocorrendo.
A pesquisa de análise dos informes de governança das companhias abertas brasileiras do último ano, realizada pelo Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), por exemplo, revela que a taxa média de aderência das companhias às práticas recomendadas pelo Código Brasileiro de Governança Corporativa atingiu 68,2% em 2025, um crescimento de 1,2 ponto percentual em relação aos 67% registrados em 2024. Entre os segmentos da B3, o Novo Mercado manteve a liderança na aderência média, com 80,1%.
Mas essa tendência não é exclusiva de empresas abertas ou de faturamentos astronômicos. Já em 2026, segundo outra pesquisa do IBGC acerca das perspectivas de executivos e conselhos, que abrange companhias dos mais variados tipos e faturamentos, a maioria desses administradores afirma que suas organizações provavelmente irão aprimorar a governança corporativa, com 49% deles afirmando a intenção de aprimorar o tema como “provável” e 36,3% como “muito provável”. As menores empresas da amostra, com faturamento bruto anual de até R$ 20 milhões, são as que mais apontam como provável o aprimoramento da governança, totalizando 94,6%.
Governança e risco em foco
Durante muito tempo, o risco foi tratado como algo relativamente “simples” que tratava apenas de crédito, prazo, garantia e retorno, mas hoje, essa lógica se mostra insuficiente. Eventos recentes expõem a fragilidade da ausência de controle efetivo sobre ativos e fluxos financeiros. Quando surgem dúvidas sobre a existência, a titularidade ou a priorização de recebíveis, o problema já não é apenas financeiro, como se torna jurídico, regulatório, reputacional, e, em última instância, sistêmico. Ou seja, o risco não está apenas sobre quem paga, mas em quem controla.

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Escândalos financeiros como os casos do Banco Master, que revelaram sérias lacunas na gestão de risco, crédito e liquidez, deixaram o mercado em alerta, e geraram choques tão grandes que o próprio governo reviveu a possibilidade de uma reforma no modelo de regulação e supervisão brasileiras, a ponto de considerar a implementação do modelo Twin Peaks.
Ativos como os recebíveis, por exemplo, sempre estiveram presentes nas engrenagens do mercado de crédito, mas agora há uma mudança no papel que passam a desempenhar, uma vez que deixam de ser um detalhe operacional e podem assumir o protagonismo como pilar de governança. Questões como onde estão registrados, quem tem prioridade sobre o fluxo, quantas vezes foram cedidos, e se existe rastreabilidade confiável precisam ser claras, para garantir uma estrutura contratual que sustente a confiança.
É comum tratar governança como um conjunto de regras, comitês e cláusulas, mas, na prática, ela se manifesta no dia a dia, nos processos e na capacidade de execução. Não por acaso, o debate regulatório, o comportamento dos investidores e a jurisprudência recente caminham na mesma direção: quem não demonstra controle passa a enfrentar custo maior de capital, ou simplesmente perde acesso a ele.
O próprio mercado precifica e vê com maus olhos práticas como a falta de transparência. Uma pesquisa recente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) sobre a percepção de integridade no mercado de capitais, que avalia a percepção do nível de integridade na atuação dos agentes do mercado de capitais e de eficácia do sistema regulatório e de proteção aos investidores, revelou uma visão negativa, com uma média de 2,57, entre pouco íntegro e razoavelmente íntegro, antes mesmo da explosão dos casos de quebra de confiança no mercado que aconteceram em 2025.
Nesse novo ciclo, governança deixa de ser apenas discurso de diferencial qualitativo e passa a funcionar como critério de credibilidade. Empresas e estruturas que conseguem provar controle e governança efetivos atravessam crises com menos volatilidade, enfrentam menos questionamentos regulatórios, além de manter acesso a funding mesmo em ambientes adversos.
O mercado não está apenas mais exigente, mas menos tolerante a improvisos, a estruturas pouco transparentes e a controles baseados apenas em confiança subjetiva. Nesse ambiente é que navegam plataformas como a Vertrau, de infraestrutura que sustenta o mercado e auxilia na boa governança, organizando, registrando e integrando o controle de recebíveis, o que auxilia a transformar recebíveis em algo verificável e governável. Só o discurso não é suficiente, e, cada vez mais, quem não consegue provar controle perde lugar no mercado.
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