Planejamento estratégico garantirá diferencial em 2026
Graziela Bernardo e Deusa Marcon

A Inteligência Artificial (IA) é prioridade das empresas brasileiras para 2026. No caso específico do Mercado de Capitais, a Anbima criou recentemente um centro de inteligência de dados com o objetivo de acelerar estratégia de Inteligência Artificial, que visa mapear os principais desafios dos stakeholders da associação no mercado de capitais, e nortear a elaboração e implementação de soluções de IA.
O interesse crescente pela IA mobiliza de pequenos empreendedores até gigantes do setor. No entanto, a crença de que a tecnologia fará tudo sozinha para os negócios é ilusória. Para a especialista em planejamento estratégico e design thinking Graziela Bernardo, CEO da Recíproka, a verdadeira vantagem competitiva não está no acesso aos modelos de IA, mas em sua implementação estruturada e alinhada a um plano estratégico claro, baseado no pensamento crítico.
A OpenAI, referência global, passou a oferecer serviços de consultoria em projetos corporativos, com valores a partir de US$ 10 milhões, demonstrando que a tecnologia por si só não é suficiente - ela precisa de orientação estratégica para gerar valor.
Além disso, os números comprovam que a falta ou falhas no planejamento emperram o futuro das empresas. De acordo com o Panorama RD Station 2025, 71% dos times de Marketing não atingiram suas metas em 2024 e 33% nem sequer tinham metas definidas. Esse cenário confirma o alerta da especialista: a IA não elimina a necessidade de planejar e ainda eleva a régua da gestão.
“A Inteligência Artificial acelera análises, simula cenários e sugere caminhos, mas a decisão final continua sendo humana. É a visão crítica da liderança que transforma dados em escolhas inteligentes, orienta prioridades e define metas factíveis”, explica Graziela.
O desafio não é apenas tecnológico. O ambiente corporativo está mergulhado em excesso de informação, o que tem obscurecido o discernimento. Segundo a pesquisa Panorama 2026, realizada pela Amcham Brasil em parceria com a Humanizadas, embora 77% das empresas afirmem que a IA é prioridade, a maior parte delas ainda investe pouco – apenas 2% do orçamento anual. Como consequência, 61% dos executivos ouvidos pelo estudo afirmaram que não perceberam um impacto relevante nos resultados.
Na prática, a abundância de posts, notificações e relatórios superficiais vem criando lideranças mais imediatistas e dependentes de atalhos tecnológicos, muitas vezes sem visão de processo. Para Graziela, esse empobrecimento na profundidade analítica é um dos maiores riscos para 2026, especialmente quando o assunto é planejamento.

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“O bom julgamento nasce da reflexão, do debate e da construção coletiva. A IA ajuda a mapear dados e organizar informações, mas não substitui a capacidade de formular hipóteses de valor, de enxergar interdependências e de decidir com visão sistêmica”, reforça a especialista.
O futuro não espera
O fim do ano se aproxima e já é possível encontrar panetones à venda nos supermercados. Se até o famoso pão doce, que é a marca registrada do Natal, já está por aí, o planejamento das empresas para o próximo ano precisa estar bem definido. “Quando o panettone chega à prateleira, a sensação é de que o ano acaba mais rápido. Na gestão acontece algo bem parecido. Quando percebemos, o calendário virou, a concorrência acelerou e o plano ainda não saiu do papel”, alerta Graziela.
Nesse sentido, ela defende que as empresas fortaleçam ambientes de aprendizagem, desenvolvam senso crítico em suas lideranças e cultivem competências humanas – como empatia, colaboração e visão sistêmica. Só assim será possível transformar a velocidade oferecida pela IA em vantagem competitiva sustentável.
Neste cenário, a Recíproka tem apoiado os negócios do Mercado de Capitais na condução de reflexões sobre os temas complexos dos negócios, a partir de uma metodologia proprietária de planejamento ágil, que permite aos executivos e líderes vivenciarem uma jornada de aprendizado e colaboração, que culmina na estruturação de um planejamento estratégico consistente e factível. Além disso, lançará um curso sobre IA para lideranças, em que a relevância da visão de processos para desenvolver e implantar soluções de IA no dia a dia, é parte da programação.
Para 2026, o recado é claro: o futuro não espera. A aceleração das megatendências, o amadurecimento da IA e a pressão competitiva exigem das empresas escolhas conscientes. “Planejar é deixar de ser refém dos acontecimentos. A tecnologia é uma aliada extraordinária, mas sem visão crítica e estratégia bem desenhada, não entrega resultados”, conclui.
Graziela Bernardo, Estrategista e Designer Thinker, CEO e Fundadora da Recíproka
Deusa Marcon, Estrategista e Especialista em Inovação, Co-fundadora da Recíproka


