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Prateleira: revisitando os fundamentos da gestão de recursos

PE

Peter Jancso

A partir de sua obra de 1992, “Capital Ideas: The Improbable Origins of Modern Wall Street”, o renomado historiador financeiro Peter Bernstein complementa sua narrativa original que explicou como algumas teorias se tornaram os principais “mandamentos” da gestão de recursos. Os efeitos dessa revolução se manifestam todos os dias na natureza dos mercados, no número de alternativas de Investimento, no desenvolvimento de instrumentos financeiros exóticos e na gestão de risco.

Em sua obra original, Bernstein descreve a jornada de pioneiros como Harry Markowitz, Bill Sharpe e Myron Scholes, e como desenvolveram teorias para explicar a relação entre risco e retorno, os benefícios da diversificação de portfolio e como precificar opções financeiras. A partir dos anos 70, com a rápida evolução da capacidade computacional, as teorias começaram a ser testadas por investidores institucionais, que chegaram a conclusões poderosas que viriam a transformar a “arte” da gestão de recursos em ciência. Não é difícil imaginar a resistência e ceticismo com que essas ideias foram recebidas.

Vencida a inércia dos preceitos antigos por conta dos retornos superiores obtidos pelos iconoclastas, essas teorias se converteram no novo mantra e se estabeleceram como o novo paradigma. Até que uma nova escola de pensamento, as finanças comportamentais, apareceram para provocar o status quo. Desafiando o modelo de “homus economicus” e a teoria das expectativas racionais, a nova teoria demonstrou situações onde os mercados agiam de forma pouco “racional” e estavam sujeitos a vieses psicológicos, como a dificuldade em vender ações com prejuízo. Os bárbaros estavam nos portões do arcabouço intelectual prevalecente!

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Uma vez mais o cavaleiro branco da academia aparece para salvar o dia e conciliar as divergências. A despeito das limitações conhecidas dos modelos “clássicos”, os atores de mercado ajustam essas deficiências em um processo contínuo de seleção natural (“só quem ganha dinheiro permanece no jogo”). Embora existam anomalias recorrentes nos mercados, não existe evidência de que elas consigam ser exploradas de forma sistemática. Em outras palavras, é muito difícil bater o mercado todo o tempo.

Este é o paradoxo atual e que tende a persisitir: existe uma corrida frenética por novas formas de produzir retornos acima da média do mercado (o chamado “alfa”). Com o avanço das transações eletrônicas e algoritmos quantitativos, essas oportunidades de gerar alfa tendem a ser muito fugazes, tornando os mercados ainda mais eficientes na formação de preços. Essa corrida maluca cada vez mais difícil.