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Intrabank vira Intra e se diz "atenta a oportunidades de aquisições de players relevantes"

Redação Capital Aberto

Thiago Figueiredo, diretor de produtos e distribuição da Intra

Com origem em uma família com atuação no crédito e na gestão imobiliária por mais de três décadas nas regiões centro-oeste e sudeste, a Intrabank, agora denominada Intra, cresceu com foco nos recebíveis. Com mais de R$ 20 bilhões em operações originadas e liquidadas desde 2020, a casa reforça a necessidade de originação própria qualificada, análise de crédito disciplinada e monitoramento contínuo. "Recusamos operações onde: a estrutura não está clara; a capacidade de pagamento é limitada; a empresa não apresenta geração de caixa adequada; possui pouco histórico no mercado; o risco não está adequadamente precificado ou possui alavancagem elevada", conta Thiago Figueiredo, diretor de produtos e distribuição da Intra.

Em entrevista ao Além do Capital, Figueiredo falou sobre a história da gestora, comemorou a regulamentação do mercado, a exemplo da CVM 175 e citou a mudança da marca de Intrabank para Intra, anunciada aos clientes nesta terça-feira (28). Leia na íntegra:

Como foi a origem da casa? Se tornar uma asset focada em crédito era a ideia desde o início?

A gestão está sob responsabilidade de Valdir Piran Jr., a terceira geração de uma família com atuação nos setores de crédito e gestão imobiliária por mais de três décadas nas regiões centro-oeste e sudeste.

Em 2020, o acionista desmobilizou alguns imóveis pessoais e, com os recursos, montou uma operação independente denominada FIDC Intrabank, iniciando as operações de crédito e aquisições de recebíveis.

Em 2021, com as operações consolidadas, o acionista decidiu montar a gestora Intrabank, haja vista que a operação tomou um porte mais robusto. Desde então, a estratégia segue focada em crédito estruturado, com disciplina e controle de risco.

Por que o crédito e por que os FIDCs?

O crédito está no DNA da família e, naturalmente, por ter reunido uma equipe com características fundamentais para uma gestora como originação e estruturação de negócios para médias e grandes empresas.

A proposta, desde o início, era construir um fundo com capital próprio, governança e visão de longo prazo, já considerando um cenário futuro de captação de terceiros. Nesse contexto, o FIDC se mostrou o caminho natural, por contar com estrutura formal, administrador, custodiante e regulamentos definidos, e por oferecer uma base mais sólida para a evolução até o modelo de gestora, como, de fato, ocorreu.

Quais desafios a casa enfrentou no início e como foram superados? 

Em 2021, cheguei para estruturar a gestora do grupo. Até aquele momento, estávamos operando como consultores especializados dos fundos. Então, o desafio principal, nesse primeiro momento, foi trazer esses fundos para dentro de casa.

Um dos maiores desafios foi dar agilidade na análise de crédito, trazendo esse DNA de analisar “até a última linha” de uma forma rápida para dentro dos processos de uma gestora.

Quando iniciamos, em 2020, os sócios trouxeram um diretor de originação que já havia trabalhado em banco e montado outros FIDCS. Naquele cenário, começamos a implantação de sistemas, de governança, de compliance, dentro de uma proposta muito mais ágil. Conseguimos evoluir isso com a contratação de pessoal mais focado na operação de uma gestora, não apenas na visão de um FIDC multicedente e multisacado.

A Intra nasce dentro de um grupo com histórico em recebíveis e reestruturação. Como essa origem molda a forma como vocês enxergam risco hoje?

O mais importante disso tudo é o histórico que temos trabalhado com crédito privado, trabalhando com uma análise muito criteriosa em relação à capacidade de pagamento desses clientes e uma relação muito próxima com os tomadores.

Essa maneira de operar e analisar crédito em que, de fato, estamos próximos a esses credores, é uma característica que temos até hoje, tanto é que não temos nenhuma empresa que vá para o comitê de crédito que não tenha recebido nossa visita, ou call com os executivos que tomam as decisões de crédito.

E nessa análise, não verificamos só os números. Atuamos com empresas que faturam acima de R$ 150 milhões anuais e mitigamos os riscos através de uma análise criteriosa dos gestores que conduzem as empresas. Desde que iniciamos esse processo, essa tem sido uma característica muito forte da gestora.

Vocês atuam fortemente em crédito estruturado e FIDCs. O que define, na prática, uma “boa operação” para a Intra?

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Uma boa operação é aquela que tem clareza de fluxo, capacidade de pagamento e estrutura adequada de mitigação de risco.

Não olhamos apenas a garantia. Olhamos a qualidade do tomador como um todo, ou seja, histórico, setor, governança e geração de caixa.

São operações com começo, meio e fim definidos, onde o risco é entendido e monitorado ao longo do tempo.

Onde vocês enxergam ineficiências hoje no mercado de crédito privado brasileiro? 

Ainda vemos ineficiências na análise de crédito e no uso de tecnologia. O mercado evoluiu, mas muitos processos ainda são pouco estruturados.
Temos investido em sistemas proprietários e dados para melhorar a tomada de decisão, dar mais agilidade e aumentar a segurança na gestão das operações.

Qual é o diferencial competitivo de vocês: originação, estruturação, monitoramento ou capacidade de recuperação? 

Nosso diferencial está, principalmente, na combinação de: originação própria qualificada, análise de crédito disciplinada, monitoramento contínuo e proximidade com o cliente.

Também existe uma separação clara entre comercial e crédito, garantindo independência na tomada de decisão.

Também realizamos operações que não são todos os bancos ou gestoras que conseguem fazer na mesma velocidade. Tomamos a decisão sempre de forma rápida e diligente.

Em um mercado com crescente concorrência em crédito, onde vocês dizem “não” com mais frequência?

Em momentos de maior liquidez, o mercado tende a relaxar critérios. É justamente onde somos mais conservadores.

Recusamos operações onde: a estrutura não está clara; a capacidade de pagamento é limitada; a empresa não apresenta geração de caixa adequada; possui pouco histórico no mercado; o risco não está adequadamente precificado ou possui alavancagem elevada.

O mercado de FIDCs passou por mudanças importantes nos últimos anos. Como vocês avaliam a evolução regulatória recente? Isso favoreceu a casa?

O mercado de FIDC evoluiu bastante nos últimos anos. A resolução CVM 175, por exemplo, trouxe mais padronização, transparência e segurança para investidores. Isso contribui para atrair capital institucional e fortalecer o mercado como um todo.

Acreditam que o mercado de crédito estruturado tende à consolidação entre gestoras? A entrada de novos players tem melhorado a qualidade do mercado ou gerado distorções?

Acreditamos que o mercado tende a se consolidar e o Intra está sempre atento a oportunidades de aquisições de players relevantes no mercado.

Com o tempo, a disciplina de risco e a capacidade de gestão tendem a separar os operadores mais preparados.

Faz parte dos planos criar novas verticais ou crescimento inorgânico (M&A)?

O Intra está focado em consolidar e aprofundar a proposta de valor que já entrega aos seus clientes. Avaliamos continuamente oportunidades de crescimento, seja orgânico ou por meio de parcerias estratégicas, mas tomamos essas decisões com critério e no tempo certo. Por ora, o que posso dizer é que há um pipeline de iniciativas sendo maturado internamente.

Quais os objetivos a curto, médio e longo prazo? Aonde querem chegar?

Estamos em um momento muito interessante. Temos estudado novas teses de produtos, ampliado nosso portfólio de tecnologias proprietárias e acompanhado de perto as tendências do mercado de crédito privado. O mercado está em evolução constante, e queremos estar sempre à frente, não só respondendo ao que acontece, mas ajudando a construir o que vem a seguir. Acreditamos que há um espaço relevante a ser ocupado e estamos nos preparando para isso.


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