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Gran Capital constrói portfólio premium e planeja novos aportes em 2026

Jiane Carvalho

Guilherme Gama, sócio-fundador da Gran Capital Partners

Sterna Café, de cafés especiais, La Guapa, de empanadas que recebem a assinatura da chefe Paola Carosella, e Aurok, de carnes, têm algo em comum. Além de serem focadas no público AB, as empresas são as primeiras investidas da Gran Capital Partners. A escolha do setor de alimentos e bebidas como foco de seu primeiro fundo, o GCP1, não foi por acaso. A ideia era utilizar a expertise adquirida na Gran Coffee – que saltou de um faturamento de R$ 10 milhões para R$ 500 milhões em 16 anos com 16 M&As. “Isso resultou, em 2019, num desinvestimento que gerou um retorno bastante significativo (na Gran Coffee) para esse ciclo que foi feito. E desse contexto, saiu uma vontade de replicar essa história em novos negócios”, explica Guilherme Gama, sócio-fundador da Gran Capital Partners. Nos planos para 2026, a casa trabalha com a meta de um crescimento médio das investidas de 60% e já busca outras duas para completar o portfólio. “Não posso citar nomes, mas é no varejo, consumo de alimentos e bebidas, um focado mais em sobremesas e doces, e outro focado mais em alimentação mais casual.” Na entrevista ao Além do Capital, Gama conta dos planos de um segundo fundo, focado em business service, e dá detalhes da estratégia de cogestão para as investidas. Acompanhe:

Qual foi a motivação para criar a Gran Capital, casa focada no segmento de high growth?

Surgiu do desejo de replicar a história da Gran Coffee em novos negócios. Fiquei um período trabalhando em bancos de investimento e quando voltei à Gran Coffee, ela tinha 30 colaboradores e faturava R$ 10 milhões por ano. Quinze anos depois, fatura R$ 500 milhões com 1.600 colaboradores. A Gran Coffee passou por uma trajetória como família, de crescimento robusto, depois um ciclo de private equity com consolidação por M&As adquirindo mais de 16 empresas. Isso resultou, em 2019, num desinvestimento que gerou um retorno significativo. E desse contexto, saiu a vontade de replicar essa história. É da proposta de levar empresas de médio porte a se tornarem Granes que nasceu a Gran Capital. É neste segmento de empresas que tem o maior potencial de criar valor. Foi um desejo de replicar o que aconteceu com a Gran Coffee.

Qual o nicho ou a proposta de atuação do primeiro fundo da Gran Capital?

No nosso primeiro fundo, o GCP1, o foco é em alimentos e bebidas. Procuramos empresas que tenham modelos de negócios já comprovados. Nada que seja um teste, nada que seja um turnaround. São empresas que funcionam e são boas, mas precisam de apoio de capital e de gestão para conseguir se transformar em uma grande empresa. São negócios que têm potencial de crescer acima de 30% ao ano, pelo menos, em um ciclo de médio prazo, de 5 anos. O nosso horizonte acaba sendo um pouco mais curto do que de Privates mais later stage, que olham de 5 a 10 anos. Nosso horizonte fica entre 3 a 6 anos para cada investimento. E com uma atuação que, muitas vezes, começa com o básico, montar a governança, o time, a controladoria e estabelecer processos. Nós desenhamos o Gran Capital Way, que são todas as 150 iniciativas mapeadas de desenvolvimento da companhia, divididas em diferentes áreas de uma empresa, e como podemos ajudar as companhias a se prepararem para esse crescimento.

Como ocorre o processo de seleção das empresas para a alocação do capital? 

Tanto para a escolha do setor como das companhias, olhamos muito para dentro de casa. Olhamos para nossa capacidade de gestão comprovada, para os setores que navegamos muito bem, temos expertise. Quando montamos a gestora e, consequentemente, o fundo um, decidimos iniciar por uma estratégia de fundos setoriais. Isto nos dá muita sinergia, facilita a prospecção de ativos, determinar os targets, os nichos. A Gran Capital começou pelo mercado de alimentos e bebidas. Todas as três investidas já realizadas têm um modelo semelhante, de operações com lojas próprias, uma marca própria, com ou sem franquia. E tem uma verticalização dessa operação. Todas as operações que olhamos acabam tendo fábrica, um desenvolvimento de portfólio de produtos. Sempre buscando atender um perfil de público parecido com os produtos aspiracionais, um branding bacana. A ideia é que as empresas se tornem, se ainda não são, líderes em seu mercado. Com isso, no futuro, a empresa pode ser um ativo de desejo, único nesse mercado tanto para investidores estratégicos nacionais quanto internacionais. Ou mesmo para outros fundos fazerem uma segunda onda de crescimento.

A Gran Capital tem planos de um segundo fundo e, se sim, em qual setor seria?

Temos em nosso planejamento, futuramente, ter outros fundos setoriais, incluindo o que a gente chama de business service, de negócios que são B2B, prestação de serviços para companhias, serviços de contrato de médio e longo prazo, gestão de ativos. Estamos montando a tese deste fundo dois, que planejamos para um futuro próximo. E, naturalmente, devemos ter no futuro também outros fundos de alimentos e bebidas. Estamos analisando possíveis vertentes ligadas a alimentos e bebidas, com modelos diferentes. A Gran Capital desenhou o planejamento com foco nos setores que temos expertise de gestão.

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Quais são as três empresas que já receberam aporte no fundo um da Gran Capital?

Este primeiro fundo foi pensado para ter entre quatro e seis empresas. Hoje, temos três investidas e estamos buscando fechar mais dois investimentos nos próximos meses. Nós montamos o fundo, fizemos a primeira alocação na Sterna Café, de cafés especiais. No segundo ano (2025), investimos em outras duas empresas, a La Guapa, de empanadas, e a Aurok, uma marca de carnes especiais. Todas elas focadas no público AB, com produtos de qualidade, porém acessíveis. As pessoas querem ter um produto diferenciado, de consumir porções menores, mas de muita qualidade. Agora, em nosso terceiro ano, o objetivo é completar o ciclo de investimentos, provavelmente com mais dois aportes. Já temos trabalhado bastante. Não posso citar nomes, mas é no varejo, consumo de alimentos e bebidas, um focado mais em sobremesas e doces, e outro focado mais em alimentação mais casual.

Qual é a estratégia pensada de desinvestimento dos aportes feitos? 

Seguimos as melhores práticas. Olhamos muito para o mercado americano. Idealmente, se a gente transformar essas empresas e multiplicá-las ao longo de 3 a 6 anos, podemos ter saídas esperadas para 4 a 7 anos, isto para um fundo com prazo máximo de 10 anos. Vemos, muitas vezes, a dificuldade dos Granes fundos em reciclar capital. No Brasil, se você cria uma empresa que já é grande, que é o foco da maioria dos grandes privates, passa a ter só duas saídas possíveis. Uma é vender para um estratégico global, mas muitas vezes o Brasil passa por momentos de baixa atratividade para o capital de empresas estrangeiras. Acho que dá para contar nos dedos quanto os M&A cross border ocorreram no Brasil no ano passado. O outro caminho é o IPO. No Brasil, há 4, 5 anos que a gente não observa uma empresa chegando na bolsa. Isto criou quase um bloqueio para empresas de R$ 200 milhões a R$ 400 milhões de Ebitda. No nosso posicionamento de investir em empresas que faturam entre R$ 20 milhões e R$ 150 milhões, tem muito mais portas de saída. Temos estratégicos locais e outros tipos de investidores, como Family offices. E temos também os Granes private equity que podem comprar as empresas já em outra fase. No limite não é o melhor comprador, mas é uma saída. O driver principal da nossa decisão de investimento não é um trade de múltiplo, é a criação de valor no negócio. Crescer uma empresa 40%, 50% ao ano, por si só, já cria muito valor.

Qual é o modelo de gestão que vocês imprimem nas investidas? 

Sempre buscamos um modelo de cogestão, isso é do nosso histórico. Damos valor para o empreendedor, enxergamos que ele tem uma posição superimportante no desenvolvimento das empresas. A gente enxerga que só consegue ter uma capacidade de influenciar e contribuir ativamente na transformação da empresa se nós formos um investidor relevante para a tese. Independentemente do valor aportado, se for 40% ou 60% da companhia, o nosso papel é sempre de um alinhamento de cogestão com os sócios. Isso é assegurado por um acordo de acionistas bem feito. Nossas participações nas empresas, na prática, variam entre 25% e 75%, mas a gente navega dentro desse range, que é uma participação relevante e mantendo o fundador também com uma participação relevante.

Quem é o investidor que aporta recursos no fundo da Gran Capital?

Nós temos uma série de empresários, famílias, multi e single family, que investem conosco, e um grupo de pessoas que gostariam de empreender, mas não trilharam esse caminho. Neste caso, são executivos do mercado financeiro, tanto de investimento quanto advogados da área. A atuação da Gran Capital tem sido muito apreciada pelos nossos parceiros, pelos investidores, se sentem sócios do negócio. Não é um investimento puramente financeiro para acordar daqui a cinco anos e ver se vendeu a empresa e deu retorno. A gente promove muito esse relacionamento com os cotistas, levamos para conhecer as companhias, para participar, promover eventos, encontros. Hoje, a gente tem mais de 50 famílias investindo conosco.

Qual o valor do fundo um e como tem sido o desempenho das investidas pela Gran
Capital?

O fundo tem um capital autorizado de R$ 150 milhões. Já temos os três investimentos e vamos para uma última rodada de captação para completar o fundo. Nos próximos seis meses, esperamos conduzir os últimos investimentos do fundo e focar na execução. Depois, teremos o fundo dois, de business services. Para esse ano, por exemplo, o crescimento médio das empresas do nosso portfólio deve superar 60%. A gente vem sempre pisando no acelerador com muita cautela. No ano passado, a única empresa que já tínhamos investido e gerimos o ano todo foi a Sterna, de cafés. Ela cresceu 100% em 2025. Para esse ano, o nosso planejamento é de um crescimento médio do portfólio superior a 60%.


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