Campanha Vórtx Institucional

PUBLICIDADE

Desconhecimento sobre IA ameaça decisões de conselheiros nas empresas

Alexandre Inacio

A inteligência artificial (IA) chegou às salas de diretoria com a força de uma promessa inegável. Mas, entre o entusiasmo declarado e a capacidade real de gestão, há um abismo que os números não deixam ignorar.

A IA já ocupa o centro do discurso estratégico das empresas brasileiras, mas ainda não se consolidou como capacidade organizacional estruturada. A maturidade executiva e a governança não avançam no mesmo ritmo, limitando a transformação da tecnologia em vantagem competitiva sustentável.

Essa é a conclusão do estudo sobre IA Aplicada à Estratégia, conduzido pela Meta em parceria com a Fundação Dom Cabral (FDC), que ouviu mais de 100 CEOs e executivos de 20 setores da economia.


Entenda como a IA já está influenciando decisões em empresas, conselhos e áreas estratégicas


O estudo mostra que mais de 80% das organizações consideram a IA relevante, mas a maioria ainda não estruturou os fundamentos necessários para escalar seu uso.

Entre os principais desafios, 80% das empresas não realizam avaliações recorrentes de maturidade em IA, enquanto 74% não possuem práticas consolidadas de gestão de riscos.

Na governança corporativa, onde decisões erradas afetam acionistas, conselheiros e estruturas societárias inteiras, a ausência de controle sobre sistemas de IA representa um risco sistêmico crescente.

Capital em Debate na IA

Para aprofundar a discussão sobre o tema, a Capital Aberto realizará na tarde desta quarta-feira o Capital em Debate, evento que vai discutir como a IA está redefinindo a governança corporativa e a tomada de decisão dos executivos.

O encontro contará com a presença do especialista André Bodowski que falará sobre como a inteligência artificial já impacta a governança corporativa, o direito societário, as relações com investidores e a tomada de decisão empresarial. 

O debate online propõe uma discussão prática e informativa sobre riscos regulatórios, deveres fiduciários, responsabilidade civil e criação de valor econômico em um contexto de crescente uso de algoritmos e automação.

O evento é gratuito e as inscrições podem ser feitas aqui.

O custo do despreparo executivo em IA

A transição da IA de um experimento tecnológico para um ativo estratégico exige uma governança que, na maioria das empresas brasileiras, ainda não existe.

Campanha Grafeno Institucional

PUBLICIDADE

Além disso, 74% das companhias operam sem práticas estruturadas de gestão de riscos — dado preocupante em um ambiente de negócios cada vez mais regulado e dependente de dados.

A falta de métricas formais para avaliar o retorno sobre o investimento também é um ponto crítico: cerca de 23,2% das empresas não definiram indicadores claros para medir o sucesso de suas iniciativas.

Para os conselhos de administração, o cenário impõe uma reconfiguração de papel. Na era da inteligência artificial, a governança corporativa deixa de ser apenas um mecanismo de conformidade e passa a assumir um papel estratégico na inovação, na gestão de riscos e na geração de valor sustentável.

Isso significa que conselheiros que não dominam os fundamentos da IA arriscam aprovar investimentos equivocados, negligenciar exposições regulatórias ou, no pior cenário, ratificar decisões geradas por sistemas opacos sem o devido escrutínio humano.

A pressão regulatória chegou

O ambiente normativo aperta o cerco. O Marco Legal da IA (PL 2338/2023) foi aprovado pelo Senado em dezembro de 2024 e tramita na Câmara em 2026, prevendo multas de até R$ 50 milhões e a criação do Sistema Nacional de Regulação e Governança de Inteligência Artificial (SIA).

A legislação inspira-se no AI Act europeu e classifica sistemas por nível de risco — o que impõe obrigações específicas a empresas que usem IA em crédito, seguros, seleção de pessoal ou tomada de decisão estratégica: exatamente o perímetro em que executivos do C-level mais atuam.

Para o setor privado, a incerteza regulatória prolongada tem um custo concreto. Empresas que precisam decidir sobre investimentos em sistemas de IA, estruturas de governança e conformidade regulatória operam sem clareza sobre as obrigações que serão impostas, o prazo de adequação e a autoridade responsável pela fiscalização.

O que os líderes estão priorizando

Apesar das lacunas, há movimento. Segundo o CEO Outlook da EY-Parthenon, 30% dos executivos brasileiros apontam IA e soluções digitais como essenciais para o crescimento. Cerca de 46% das organizações priorizam uma adoção ética e responsável da tecnologia, mesmo que isso implique ganhos menores no curto prazo.

Entre as tecnologias mais relevantes, o aprendizado de máquina desponta citado por 61% das empresas, enquanto a IA generativa já é considerada essencial por 43%. Agentes autônomos aparecem com 29% das menções — sinal de que a próxima fronteira é a IA que não apenas recomenda, mas age.

O consenso entre especialistas é de que 2026 marca uma virada de fase. A automação inteligente para executivos passou do piloto para a produção, e a governança de IA deixa de ser opcional — a conformidade normativa e o acompanhamento ético tornam-se condição de operação.

Para os executivos, a mensagem é direta: dominar IA não é mais atributo de diferenciação. É pré-requisito de gestão.


Leia também: Sem entraves jurídicos, mercado aguarda janela para emissão de debêntures de infraestrutura