Private Equity dos EUA expande operação de biogás no Brasil
A Denham Capital, gestora americana de private equity, adquiriu por meio da Thopen Energia a Biogás Energia Ambiental, empresa que explora biogás no Aterro Bandeirantes, em São Paulo. Na ponta vendedora estavam a ALN Gás e Energia e Heleno & Fonseca Construtécnica.
A Biogás Ambiental era controlada pela ALN (75%), integrante do Grupo J Malucelli, e pela Heleno & Fonseca (25%). Com a venda, os dois grupos encerram sua exposição ao ativo e liberam capital para novos investimentos.
Biogás de aterro
O Aterro Bandeirantes, localizado no bairro de Perus, na zona norte de São Paulo, opera a captura e conversão de biogás desde 2004. A concessão é regida pelo Contrato 18/SVMA/2000, firmado com a Prefeitura de São Paulo.
O projeto foi o primeiro no país a aproveitar gás de aterro sanitário para geração de energia elétrica em escala. Também integrou os primeiros projetos brasileiros certificados como Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) pelo Protocolo de Kyoto.
Toda a produção de biogás do Bandeirantes tem como destino exclusivo a Thopen, para geração distribuída de energia elétrica. A operação configura integração vertical entre a extração do gás e sua conversão em eletricidade.
Operações de biogás da Thopen
Com a aquisição, a Thopen passa a controlar três plantas de exploração de biogás em aterros sanitários no Brasil. Além do Bandeirantes, já detinha a São João Energia Ambiental, no aterro São João (SP), e a AMP1 Bioenergia, em Macaé (RJ).
A empresa nasceu em março de 2025 a partir da RZK Energia, adquirida pela Pontal Energy por mais de R$ 1 bilhão e rebatizada como Thopen. A plataforma tem como controladora final a gestora americana de private equity Denham Capital, com foco em energia e transição energética.
A Denham Capital restringe seus investimentos a fontes renováveis, descartando carvão e outros combustíveis fósseis. O grupo mantém no Brasil, além da Thopen, a Ceiba Energy, detentora de duas usinas termoelétricas que operam a gás.

PUBLICIDADE
A Pontal Energy, braço de geração centralizada do grupo, tem 608 MW de capacidade instalada entre energia eólica e solar. Em dezembro de 2025, vendeu o Complexo Eólico Caetité Norte, com 193,2 MW, para a Aliança Energia — primeira desinvestida de ativo maduro do portfólio.
Expansão acelerada
Em 2025, a Thopen incorporou 44 usinas da Raízen (119,3 MWp) e 45 usinas solares da Matrix Energia por R$ 556 milhões. Adquiriu também a usina de biogás Gaswatt Energia, de 5 MW, em São Paulo, e uma planta solar de 6 MWp no Tocantins.
O CEO Gustavo Ribeiro, que acumula a liderança da Thopen e da Pontal Energy, declarou que a estratégia prioriza ativos já operacionais. A abordagem reduz riscos de construção e licenciamento, acelerando o retorno sobre o investimento.
A previsão de aporte na plataforma soma R$ 2,3 bilhões até 2027, destinados à geração distribuída e à gestão de consumidores no mercado livre de energia. A meta é superar 800 MWp de capacidade instalada e 1 milhão de unidades consumidoras sob gestão.
Mercado no Brasil
O Brasil encerrou 2025 com 1.803 plantas de biogás e produção próxima de 5 bilhões de m³ por ano, conforme o Panorama do Biogás 2025, publicado pelo CIBiogás. O setor cresceu 5% no número de unidades e 6% no volume produzido em relação ao ano anterior.
O biometano registrou em 2025 a maior taxa de crescimento já aferida no país. Projeções do CIBiogás indicam que a oferta pode triplicar até o final de 2026, sustentada pela entrada de 30 novas unidades produtoras e por pedidos de ampliação em análise na ANP.
Leia também: Raízen: plano de reestruturação inclui aporte de até R$ 4bi e três opções de pagamento
