Raízen: plano de reestruturação inclui aporte de até R$ 4bi e três opções de pagamento

A Raízen publicou ontem à noite os principais termos e condições da proposta de reestruturação de R$ 65 bilhões em suas dívidas sujeitas à recuperação extrajudicial que está sendo negociada com os credores financeiros.
Em termos gerais, o plano de reestruturação das dívidas da empresa manteve a proposta de injeção de capital de até R$ 4 bilhões por parte dos acionistas, sendo R$ 3,5 bilhões da Shell e R$ 500 milhões da Aguassanta, veículo de investimento ligado ao controlador Rubens Ometto.
O plano prevê a conversão de parte da dívida em ações e conta com três opções de pagamento, de acordo com o material divulgado pela empresa como parte do processo legal de reestruturação, chamado blowout.
A companhia destacou que os termos ainda estão sujeitos a alterações no curso das negociações, à obtenção de aprovações necessárias e execução de documentos definitivos, de acordo com o fato relevante.
Conversão de dívida em ações da Raízen
Na primeira opção de pagamento (Opção A), o plano inclui conversão de 45% da dívida em ações, enquanto os 55% restantes serão convertidos em novos instrumentos de dívida, sendo 17,6% da Raízen Energia e 37,4% da Raízen Combustíveis.
Nesta primeira opção, o credor pode escolher receber o crédito reestruturado na moeda original de seus títulos de dívida, de acordo com o documento.
A taxa de juros no caso da Raízen Energia será de CDI+1,25% em real, ou 7% a.a. em dólar e 6,5% ao ano em euro. Para títulos de dívida em real que não podem ser indexados ao CDI, a taxa será atrelada ao IPCA+9%. Os vencimentos serão em 2033 e 2035, com pagamento de 50% em cada vencimento.
No caso da Raízen Energia, a companhia tem a opção de pagar o juro em dinheiro, ao custo adicional de 2% sobre a taxa contratada.
“Na prática, é um instrumento que dá fôlego de caixa para a empresa no início e remunera melhor o credor exposto a esse trecho”, observaram analistas da XP Investimentos em relatório aos clientes publicado também ontem à noite.

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No caso da Raízen Combustíveis, as taxas de juro serão de CDI+2,75% em real, 8,5% a.a. em dólar e 7,65% a.a. em euro, com pagamento semestral com vencimentos em 2034.
Esta nova dívida contará com garantias reais, incluindo a alienação fiduciária de certas sociedades de propósito específico (SPEs), que sejam controladas pela companhia, no caso da Raízen Energia.
Em Raízen Combustíveis, a garantia será a alienação fiduciária da planta de lubrificantes e certos tanques de combustível.
Outras opções
Na segunda opção (Opção B), tendo a Raízen Energia como emissor, haverá um desconto de 80% no saldo devedor, que terá vencimento único em 2047. Neste caso, existe a possibilidade de pré-pagamento da dívida em qualquer momento por meio do pagamento do valor presente descontado do principal.
Na terceira opção (Opção C), que contempla credores menores, haverá o pagamento em dinheiro no valor equivalente ao menor entre 75% de seus créditos ou R$ 9.750,00. Esta opção está sujeita ao teto de R$ 150 milhões em pagamentos.
Se a demanda exceder este teto, o plano de pagamento vai priorizar os pequenos credores.
Este plano ainda precisa ser aprovado por mais da metade doscredores sujeitos à recuperação extrajudicial, observou a XP no relatório. As assembleias das dívidas estão acontecendo nas próximas semanas e os termos finais podem sofrer ajustes ao longo do processo, acrescentou.
Termos adicionais incluem spin-off
Os termos adicionais do plano de reestruturação incluem ainda a cisão da empresa em Raízen Energia e Raízen Combustíveis e desinvestimentos de ativos de energia, ativos non-core e usinas de cana-de-açúcar da Raízen Energia.
A Raízen Combustíveis deverá buscar novos investidores ou vender ações para reduzir sua dívida e pagar os credores, inclusive por meio de uma oferta na bolsa de valores.
As regras precedentes para a conclusão do plano incluem um período de bloqueio (lock-up) para venda de ações de até 12 meses, um acordo tributário e o aporte dos acionistas.
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