Light: sem Tanure, capitalização deve ser ancorada por BTG e Samambaia

A capitalização de até R$ 1,5 bilhão da Light, prevista para ocorrer até 90 dias após a assinatura da renovação da concessão da distribuidora de energia, deve ter como âncoras o Fundo Samambaia e o BTG. O Fundo Samambaia, gerido por Ronaldo Cezar Coelho, detém a maior fatia na Light SA, com 20,01%, enquanto a fatia do BTG Pactual representa 14,81% do total de ações da empresa.
A capitalização está prevista no plano de recuperação judicial da empresa, aprovado em 29 de maio pelos credores da empresa, para assegurar a implementação dos termos e condições de reestruturação de crédito da companhia.
O Ministério de Minas e Energia (MME) autorizou a prorrogação de concessões de 14 distribuidoras de energia, incluindo a Light, conforme publicação no Diário Oficial da União, em 6 de abril. Após o anúncio, o MME e as distribuidoras têm 60 dias para assinarem os documentos da renovação.
Inicialmente, o plano de recuperação aprovado em maio de 2024, previa que o acionista âncora que assumiu o compromisso de fazer um aporte de R$ 1 bilhão na companhia seria o fundo de investimento Bavaro Fundo de Investimento em Ações.
O fundo Bavaro é um veículo de investimento em ações relacionado à WNT Gestora de Recursos, ligado ao empresário Nelson Tanure, de acordo com três fontes a par do assunto.
Porém, quando os credores BTG, Prisma e Farallon que financiaram a compra da Ligga Telecom executaram as garantias, Tanure também perdeu parte das ações da Light que foram dadas em garantias na operação, de acordo com uma das fontes.
Minoritários da Light
Diante disso, o BTG precisará fazer o aporte caso os acionistas minoritários não participem da capitalização, com a missão de atingir o montante de pelo menos R$ 1 bilhão. Se o BTG assumiu uma fatia na Light, acaba levando “o ônus e o bônus” da operação.
O BTG já tinha uma posição na Light antes dessa execução na qual adquiriu as ações do Tanure na empresa de energia, disse uma segunda fonte. Isso porque o BTG já havia adquirido ações da companhia que pertenciam ao Banco Master, de acordo com esta mesma fonte.

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Independente desta movimentação por parte dos acionistas âncoras, a tendência é que os acionistas minoritários exerçam o seu direito previsto no plano de recuperação e subscrevam ao aumento de capital, diante do preço atual da ação, que vem operando próximo de R$ 5 na B3.
O preço de emissão unitário das novas ações que serão submetidas pela Light será de R$ 6,29 por ação, de acordo com o plano. Tal valor considera o preço médio ponderado por volume de ações negociados na B3 no período de 60 dias encerrados em fevereiro de 2024.
O plano prevê que a empresa vai oferecer dois bônus de subscrição para cada ação emitida na capitalização. Na prática, significa que o acionista que participar da capitalização poderá triplicar a sua posição na operação por um custo adicional simbólico de R$ 0,01 por cada nova ação ordinária emitida neste aumento de capital.
Garantia da isonomia
A medida visa garantir a isonomia entre os investidores e funciona como um mecanismo de proteção contra a diluição. Ao participar do aumento de capital, o acionista minoritário assegura o direito de manter sua fatia proporcional na empresa nas mesmas condições vantajosas do investidor principal, aproveitando o potencial de valorização dos ativos no contexto da reestruturação financeira da Light.
A Light deverá convocar em até 45 após a data da renovação da concessão uma assembleia geral extraordinária dos acionistas da empresa para deliberar sobre a realização do Aumento de Capital.
A medida visa garantir a isonomia entre os investidores da empresa e funciona como um mecanismo de proteção contra a diluição dos acionistas minoritários, seguindo os termos do art. 171 da Lei das Sociedades por Ações, de acordo com o plano.
Os acionistas da Light, por ocasião da realização da AGE Aumento de Capital Novos Recursos, terão direito de preferência para a subscrição das novas ações eventualmente emitidas em razão do exercício do direito de preferência na proporção do número de Ações da Light de que forem titulares na data da AGE.
O prazo é para exercer o direito é de no máximo de 30 dias contados da publicação da respectiva ata da assembleia, de acordo com o plano.
BTG, Light e MME não retornaram pedidos de comentários.
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