Aegea dependerá de novo aporte antes de refinanciar dívidas em 2026

A empresa de saneamento Aegea precisará de uma nova capitalização de seus acionistas antes de voltar ao mercado no 2º semestre deste ano para refinanciar suas dívidas, de acordo com fontes que acompanham o setor.
Em fevereiro, a Aegea já havia recebido um aporte de capital de R$ 1,2 bilhão por parte dos acionistas Itausa e Fundo Soberano de Singapura (GIC), conforme fato relevante publicado na ocasião. Com esta capitalização, a fatia do GIC atingiu 34,62%, da Itausa 13,27% e a Equipav 34,62%.
Os atrasos na divulgação do demonstrativo financeiro e as questões relacionadas à governança, como o disclosure de informações, são fatores que dificultam a precificação de uma eventual emissão da empresa, de acordo com as duas fontes a par do assunto.
A empresa precisa conversar mais com o mercado, disse uma das fontes. No momento, não tem preço de mercado para Aegea, observou a fonte. A alternativa seria buscar recursos em bancos de fomento, acrescentou.
Atualmente, os títulos de dívida da Aegea estão sendo negociados a CDI+5% ou até mais no mercado secundário, disse a mesma fonte. Normalmente, na holding os títulos operavam em torno de CDI+2%, observou.
Esta taxa mostra uma reprecificação dos títulos da empresa em função do aumento do risco percebido após o atraso na divulgação do balanço financeiro e rebaixamento de ratings. Além disso, a o momento econômico adverso também dificulta qualquer emissão neste momento, afirmaram as duas fontes.
Observação negativa para a Aegea
A Fitch Ratings rebaixou o rating da Aegea de "BB" para "BB-" em abril, colocando as notas de crédito da empresa em observação negativa. A decisão foi motivada pelo atraso na divulgação das demonstrações financeiras de 2025, o que gerou incertezas sobre controles internos e transparência financeira, de acordo com o relatório da agência de rating.
“Quando anunciamos o rebaixamento, colocamos os ratings em observação negativa porque ainda não sabíamos a magnitude do impacto dos novos números no Ebtida (não no caixa) da empresa”, Gustavo Mueller, diretor da Fitch Ratings, disse à Capital Aberto.

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Após a publicação, a Fitch estima que houve um impacto de 0.5x na alavancagem líquida da companhia, o que é tolerável para a classificação atual, assumindo que a empresa vai desalavancar nos próximos anos, afirmou Mueller.
A Aegea reportou R$ 12,11 bilhões em caixa ao final de 2025, enquanto os vencimentos somavam R$ 4,66 bilhões no curto prazo e R$ 3,82 bilhões em 2027. O endividamento encerrou o período em 3,8x considerando apenas a empresa. Incluindo Águas do Rio e a Corsan, a alavancagem encerrou em 4.5x a dívida líquida/EBITDA.
Este patamar de caixa é confortável para o 1º semestre do ano, mas a Fitch estima que no próximo semestre a empresa precisará recorrer ao mercado para refinanciar dívida.
Pressão de custo
A Fitch mantém a observação negativa para os ratings da empresa, anunciada em abril, e vai observar o comportamento das métricas. Esta observação precisa ser reavaliada em até seis meses, ele Mueller.
A empresa sempre teve acesso ao mercado de capitais tanto lá fora como localmente, disse Mueller. Se houver um aumento no custo de captação, pode ter um consumo de caixa maior para pagamento de juro e alterar o perfil de risco da empresa.
Contudo, a Fitch quer observar como será este comportamento nos próximos meses, porque entende que estes movimentos voláteis no mercado secundário recentemente ocorrem muito em função dos atrasos e dos questionamentos de mercado, acrescentou.
A reavaliação do rating vai incorporar outras questões, como por exemplo, qual vai ser o impacto para a companhia em termos de custo de captação, disse Mueller. O liability management (gestão de passivo) é uma prática recorrente que a Aegea precisa fazer pelo modelo de negócios da empresa, acrescentou.
“É crucial que a empresa mantenha o acesso a uma fonte diversificada de financiamento e com condições, custos e prazos adequados, considerando que esta é uma indústria com característica de retorno de longo prazo”, disse.
Consultada, a Aegea preferiu não comentar sobre o assunto. A Itausa e o GIC não retornaram imediatamente a pedidos de comentários.
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