Titulares de CRAs da Raízen se juntam para tratativas em caso assumido pelo Felsberg advogados

Titulares dos Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) da Raízen, de séries emitidas pela Opea Securitizadora, no contexto do processo de recuperação extrajudicial da empresa, estão entrando em um processo de tratativa com a companhia, assessorados pelo Felsberg advogados.
O escritório assessorará investidores das 1ª, 2ª e 3ª séries dos CRAs da Raízen em meio à configuração de vencimento antecipado automático dos títulos, desencadeada pelo pedido de recuperação apresentado pela companhia.
A assessoria jurídica foi formalizada em 13 de março e, desde então, o escritório está atuando na análise da operação e em interlocução com as partes envolvidas. “No momento, as equipes seguem em tratativas com a companhia para alinhamento dos próximos passos no âmbito da recuperação extrajudicial”, disse o Felsberg, em nota, à reportagem.
A operação soma cerca de R$ 7 bilhões em créditos acumulados de 10 séries e reúne um grande número de investidores de CRAs da Raízen, de base pulverizada, com cerca de 80 mil pessoas físicas.
Ao mesmo tempo, há participação relevante de investidores institucionais, incluindo grandes assets e instituições financeiras, tanto na gestão de recursos quanto na administração de carteiras privadas.
Devido à confidencialidade, o escritório não citou nomes de principais credores. A expectativa, segundo o Felsberg, é de que a assessoria de investidores contribua para organizar a atuação dos credores e apoiar a condução das negociações com a devedora.

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Clara Azzoni, sócia da área de Reestruturação e Insolvência do Felsberg Advogados, aponta que a pulverização dos credores no mercado de capitais sempre foi um desafio para garantir uma participação efetiva nas mesas centrais de negociação.
Neste caso, há um movimento relevante de coordenação: pela primeira vez, os investidores – debenturistas e detentores de CRAs da Raízen, que somam cerca de 100 mil pessoas – estão se unificando para contar com representação estruturada de assessores experientes.
“Isso possibilita um diálogo construtivo e coordenado com a empresa, e amplia a capacidade de influência e efetiva participação desses credores desde o início do processo de reestruturação da dívida, refletindo um claro amadurecimento do mercado de capitais brasileiro de reestruturação e insolvência, que beneficia todos envolvidos, inclusive a emissora/devedora”, analisa.
Na frente financeira, os titulares contarão com o apoio da Journey Capital, que atuará como assessora da operação. As equipes jurídica e financeira devem atuar de forma coordenada na avaliação de alternativas e no suporte às decisões dos investidores.
O escritório ainda aponta que, pelo volume financeiro e pelo número de investidores, o caso deve ter desdobramentos relevantes para o mercado de securitização do agronegócio, com potencial de influenciar práticas de governança e a atuação de credores em processos de reestruturação no país.
*Esta matéria foi editada para corrigir a informação sobre as séries que envolvem a operação. São 10 séries, totalizando o montante de R$ 7 bilhões, não se tratando apenas da 73ª.
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