Campanha Vórtx Institucional

PUBLICIDADE

Na reta final para o Fácil, BEE4 e Núclea focam em prateleira de produtos e educação do emissor

Amanda Meneses

Da esquerda para a direita: Daniel Debessa, da BEE4; Cristiana Pereira, do conselho da BEE4; Rodrigo Fiszman, chairman da BEE4; Patricia Stille, CEO da BEE4; Joyce Saika, da Núclea; e Ricardo Dias, da Núclea.

Após anos de contribuições com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), junto à sua investidora majoritária Núclea, a BEE4 se prepara para a reta final de entrada em vigor do Fácil. A regulação, que deveria entrar em vigor em janeiro deste ano, foi postergada para março, provavelmente devido a ajustes internos no regulador e questões de adequação de sistemas, fornecendo mais tempo para que o mercado se prepare. Na BEE4, o foco está em ofertar uma “prateleira ampla” e aproveitar o prazo extra para reforçar o letramento dos emissores em questões mais específicas e de regulação.

“Para 2025, o mercado deu o salto para sair do sandbox. A gente já tinha testado a regulamentação, já tinha colocado quatro empresas de setores diversos no mercado, com essa visão de sair do sandbox, mas precisa não apenas da BEE4 se tornar uma infraestrutura de mercado com todas as licenças definitivas da CVM, mas de uma norma para essas empresas, e no final de 24 veio a consulta pública do Fácil”, recapitula Rodrigo Fiszman, cofundador e chairman da BEE4, complementado por Patricia Stille, cofundadora e CEO da casa. “Foram muitos e muitos estudos técnicos protocolados aqui para a CVM, promoções, inclusive comentários das oito manifestações de mercado [da consulta pública].”

A trajetória, que iniciou com tratativas junto à CVM em 2018 e, posteriormente, com a participação do lab do regulador, o sandbox, agora avança para a fase de expansão do portfólio e produtos com a efetiva entrada do Fácil, a ocorrer em 16 de março ante 2 de janeiro anteriormente. Ainda que o ambiente macroeconômico seja desafiador e 2026 prometa volatilidade, os executivos da BEE4 e da Núclea estão otimistas, especialmente em relação à emissão de dívida corporativa. A bolsa das PMEs entrou em operação em 2022, listando a primeira companhia, a primeira de quatro, ao todo em sua atuação no sandbox, em um período de seca de IPOs.

O intuito é combinar os portifólios das casas e oferecer um hub completo para os emissores. Enquanto a BEE4 fica com a parte de dívida corporativa e equity, a Núclea, já conhecida por fornecer infraestrutura de pagamento para PMEs e pela registradora de serviços financeiros, será responsável por captação bancária, títulos de crédito, e outros, atrelados especialmente ao lastro das emissões feitas na Bolsa das pequenas e médias empresas. “Temos uma complementariedade de serviços muito boa entre BEE4 e Núclea. BEE4 mais para a parte de dívida corporativa, equities, começando pelo Fácil, e Núclea mais para a parte de captação bancária, títulos de crédito, derivativos de balcão. Quando unimos essas forças, conseguimos identificar uma plataforma bastante robusta para acessar o mercado de balcão organizado brasileiro”, comenta Ricardo Dias, diretor de Novos Negócios da Núclea.

O Fácil torna o caminho para as pequenas e médias empresas acessarem o mercado de capitais menos custoso e burocrático. Basta o enquadramento em requisitos que incluem listagem em mercado organizado; ser constituída na forma de sociedade anônima (S.A) com determinadas regras de governança; e receita bruta anual consolidada inferior a R$ 500 milhões. 

“Quando pensamos em estrutura de custos, falando de custo de distribuição, há um equilíbrio de mercado. Não é aí a grande mudança, mas sim no custo de preparação dessas empresas e da estruturação para organizar essas ofertas”, diz Patricia, CEO da BEE4. “Quando você reduz os pré-requisitos, há redução de custo operacional e custo financeiro efetivamente". Os executivos mencionam ainda, sem o Fácil, custos na ordem de R$ 5 milhões a R$ 10 milhões, independentemente do porte da empresa, que envolvem serviços como auditoria e divulgação trimestral de resultados financeiros.

Campanha Vórtx Institucional

PUBLICIDADE

Algumas das “facilidades” do Fácil incluem começar a acessar o mercado sem ser um emissor de capital aberto, exclusivamente para ofertas de dívida e para investidor profissional, ou acessar o mercado de investidores profissionais por meio de oferta pública a necessidade de um coordenador. “Essa companhia de capital aberto pode também acessar o mercado usando um coordenador no rito automático da CVM. Nesse caso, ela acessa o público, em geral, e o benefício é que não precisa ter um formulário de referência, nem lâmina, prospecto. Há dispensa de tudo isso”, esclarece Fiszman, acrescentando que a modalidade é parecida com um leilão, porque tem um prazo de duração, métricas estabelecidas pela CVM, e cujo preço e quantidade podem variar em um range de 15% para cima ou para baixo. “O book building de uma oferta pública, hoje, não é tão transparente assim.”

Com as mudanças, a casa espera bons resultados. Há pelo menos 15 empresas interessadas e aptas, aquelas inscritas no programa de subsídio de listagem promovido pela BEE4 na forma de reality show, com apoio de assessoria jurídica, auditoria e outros, a serem fornecidos por grandes nomes do mercado como Machado Meyer, Madrona e RSM. O foco, com o tempo extra até a entrada em vigor do Fácil, é na prateleira de produtos fruto da relação BEE4 e Núclea, e no letramento da ponta emissora. 

Ricardo da Núclea, exemplifica a relação entre as casas citando uma debênture emitida por uma empresa no regime Fácil, depositada na BEE4, e adquirida por um fundo ou por um banco. “Esse banco pode ter uma demanda, e é muito comum no mercado isso, de fazer uma operação compromissada, utilizar aquele título para poder levantar recurso por meio de uma aprovação compromissada, que é isenta de IOF, etc. Assim como o CRI ou o CRA, por exemplo, eles têm que ter um lastro, e muitas vezes esse lastro é um ativo bancário, como, por exemplo, uma CPR ou uma CCI, títulos específicos dos seus respectivos segmentos”, esclarece o executivo ao citar o portfólio da Núclea, que inclui ativos financeiros como recebíveis e derivativos. “Quando Nuclea ou BEE4 vão apresentar os produtos, os clientes em geral têm essa demanda. Analisando o roadmap definido, especialmente para 26, atendemos uma demanda do mercado de passar a ter uma prateleira muito mais robusta, inclusive para que as integrações sejam mais facilitadas.”

O processo até a maturidade deste mercado é longo. Iniciando com a construção de confiança, progredindo par ao aumento de emissões e desenvolvimento da liquidez, até o lançamento de novos produtos e, por fim, ganho de escala e maior participação de investidores institucionais e estrangeiros. Daniel Debessa, novo diretor de Desenvolvimento de Mercado e Conexão com Participantes da BEE4, lembra que, no passado, também não existia liquidez no crédito privado, o que mudou de 2012 até agora. “Essa parte de liquidez que as corretoras fazem muito, tem muito também no seu preço. Existe sim a liquidez no mercado secundário, com o seu preço, seja com o spread aberto, seja com o spread fechado. Na estrutura de crédito privado de empresas menores, sem balanço tão robusto, essa liquidez existe, mas é o pênalti. Ela vai existir, mas não é o foco. O foco aqui é o empresário conseguir fazer a emissão fácil e fazer diversas outras”, diz. 

O adiamento da entrada do Fácil, possivelmente relacionado a questões internas da CVM de adequação como aprimoramento do sistema de oferta pública e do sistema de registro de empresas, será utilizado para “tornar a rota 100% fluida”, segundo a BEE4, mas também vai focar no atendimento, tirando dúvidas dos emissores e aperfeiçoar questões mais específicas, como questionamentos a respeito de divulgação de fatos relevantes para as empresas do Fácil.