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Em meio ao fechamento de capital por grandes empresas, BEE4 tem 15 aberturas por PMEs no pipeline 

Amanda Meneses

Divulgação BEE4

O potencial do mercado brasileiro de ampliar o número de empresas abertas é a mais recente aposta de diversos players. Com um acesso majoritário de empresas mais maduras, inovações regulatórias como o Fácil prometem mudar o jogo. Atualmente, são cerca de 700 empresas abertas no país, das quais quase 400 possuem ações negociadas em bolsa, enquanto o restante se atêm à emissão de dívida. Nos últimos anos, inclusive, há uma saída significativa de empresas da bolsa, mas o movimento não desanima a BEE4, que tem no pipeline ao menos 15 empresas com interesse no registro de companhia aberta, embora a expectativa aponte para a categoria B (emissão de dívida), inscritas no programa Rota Fácil.

Durante o BEE4 Summit, evento realizado na capital paulista nesta terça-feira (2), a BEE4 anunciou o nome das 15 selecionadas para o Programa, que ao final das etapas de filtragem do Reality Show, vai selecionar 10 empresas que receberão subsídio de custos de preparação para listagem. Estão selecionadas, na primeira etapa, as empresas Santa Angela (construtora); Abrazanty (indústria); 3e (serviços); Escad (serviços); Grupo Vellore (indústria); GBI (comércio); Stoque (tecnologia); Plastifluor (indústria); Wittel (tecnologia); Vapza (serviços); Safer (tecnologia); Lux (serviços); Habitare (serviços); Grupo Rao (serviços); e Tutors (serviços). 


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“Para você virar uma empresa de capital aberto e acessar o mercado, precisa ter o mínimo de governança, maturidade financeira, maturidade de gestão. Muitas empresas têm determinadas agendas ligadas a isso na sua lista, mas ainda não é necessariamente uma prioridade. Gosto de falar que ‘vira prioridade quando mexe no bolso’, então criamos o Rota Fácil”, comenta Rodrigo Fiszman, cofundador e presidente do Conselho da BEE4, em coletiva durante o evento, lembrando que haverá alguma adaptação das empresas que estão na BEE4, hoje, na transição do Sandbox ao Regime Fácil. “Teremos 14 empresas tirando esse registro CVM, com certeza. Fora isso, existe um pipeline de empresas que, independente do Rota Fácil, decidiram começar a se organizar para fazer o pedido de legítimo de capital aberto a partir de janeiro.”

Entre as empresas selecionadas para o Fácil, há os mais variados segmentos de atuação e valor de faturamento, oriundas de diferentes regiões do Brasil. A grande maioria, inclusive, é de fora de São Paulo. “Os faturamentos variam de R$ 30 milhões a R$ 400 milhões. É uma faixa bem ampla. Algumas delas, inclusive, de marcas conhecidas que a gente vê no nosso dia a dia”, conta Fiszman.

A participação no programa é gratuita, mediante o enquadramento em alguns critérios, já previstos no Fácil, como faturamento anual entre R$ 10 milhões e R$ 500 milhões, organização societária como S.A (ou LTDA desde que com disposição para migrar para S.A.), mínimo de um ano de operação; e interesse comprovado em acessar o mercado de capitais. 

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Para esta primeira fase, a classificatória, a BEE4 olhou as companhias que se enquadravam no faturamento de R$ 10 milhões a R$ 500 milhões, e essas companhias foram ranqueadas ao preencherem um formulário. “Tinham que responder se era uma S.A ou limitada, se elas usavam um RP ou não. Esse exemplo do RP é muito bom, porque se uma companhia não utiliza um sistema de controle do seu financeiro, dificilmente tem uma maturidade financeira para ser auditada. Então, esse item podia acabar sendo um item eliminatório”, esclarece o presidente do Conselho da BEE4.

Centenas de empresas estão interessadas em acessar o Fácil por meio da BEE4, segundo a plataforma. A garantia, por ora, é que ao menos 10 delas solicitem o registro de companhia aberta, seja com registro categoria A ou B, mas as expectativas para IPOs são mais baixas devido a fatores como cenário macro. Não há previsão, no entanto, de quando as emissões devem ocorrer.

A partir de 2 de janeiro, o Fácil entra em vigor. Por ora, o momento é de adaptação, tanto da BEE4 quanto das empresas participantes. Ao longo de 2025, a plataforma tirou as licenças definitivas e fez as adaptações regulatórias necessárias. “Isso já foi feito. E a gente também construiu dentro da nossa jornada para o emissor os ajustes necessários para operar no Regime Fácil. Ainda estamos finalizando isso até o final do ano. Isso tudo vai estar pronto até 2 de janeiro”, conta Fiszman. Na ponta das empresas participantes, a principal adaptação é em relação à obrigação de publicação do informe semestral no Fácil. “Ao longo do sandbox, a gente trabalhou com um informe auditado anual.”

Perspectivas otimistas

Na abertura do evento, Patricia Stille, CEO da BEE4, rememorou os esforços da BEE4 ao implementar o uso da tokenização e o pioneirismo em relação ao sandbox. Alexandre Abreu, diretor financeiro e de mercado de capitais do BNDES, parceiro da BEE4 na empreitada de ampliar o acesso das PMEs ao funding, também citou o papel do banco como fomentador de mercado e seu histórico de investimento no mercado de capitais. Segundo o executivo, em um estudo da rentabilidade das operações de mercado de capitais do BNDES, o retorno médio nos últimos 25 anos foi de 17%, acima da Selic (de 11%) e Bovespa (10%). Inclusive, a partir de 2006, falando do valor dos investimentos, 70% das empresas responsáveis foram consideradas médias. 

Abreu reforçou que é preciso participar de mercados ainda em desenvolvimento, a exemplo da própria atuação da BEE4. “Ela trabalha com segmento complexo no Brasil, pequena, média empresa. E o BNDES entende que esse mercado deve ser apoiado com responsabilidade técnica, mas deve ser apoiado”, diz.

Ainda durante o evento, Pedro Malan, economista e ex-ministro da Fazenda, também fez sua análise sobre como o mercado de acesso pode impactar a economia brasileira, pontuando que a empreitada deve ter sucesso, mas ainda depende de fatores como responsabilidade fiscal do governo, política monetária, entre outros. “Sobre o potencial que o mercado de capitais no Brasil tem, acho que o Brasil tem oportunidade, com essa iniciativa, agora facilitada, porque o mundo hoje está abrindo enormes oportunidades nesse contexto de reduzir dependências de fornecedores de alguma coisa”, opina Malan, afirmando ter confiança que o Brasil tem espaço nessa nova configuração mundial.