Com mercado de trilhões a ser destravado, SPC Grafeno mira duplicatas escriturais
Diante da proximidade do destravamento de um mercado de trilhões, com o ecossistema das duplicatas escriturais, players e registradoras estão se preparando para uma nova fase. O cronograma de implementação do Banco Central prevê o início das emissões das duplicatas escriturais em 2026, enquanto a “estabilização” do sistema e das negociações deve ocorrer apenas em 2027, preveem especialistas. Mirando esse potencial e com a vantagem de nascer como um lab de inovação, a SPC Grafeno está otimista com este mercado e vê o produto se tornando o carro-chefe da casa após sua estabilização. A projeção é de 450 milhões de eventos mensais na escritural contra a emissão de 8 milhões de duplicatas mercantis atuais.
“Aqui tem muita oportunidade. O Banco Central já determinou um caminho para o ativo, que é empoderá-lo. No caso da duplicata, hoje, a mercantil ou a de serviço, quem é empoderado é o sacado ou sacador, que têm mais força para a precificação de risco”, diz Magno Lima, CEO da SPC Grafeno. “Quando falamos da duplicata escritural, isso muda, porque ao ser emitida uma duplicata/boleto, eu o recebo para pagar e não me preocupo mais com ‘quem eu estou pagando’, e sim com ‘o que eu estou pagando’, porque o novo sistema financeiro vai trocar a titularidade de forma dinâmica. Então, o ativo está empoderado.”
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A casa solicitou autorização para ser escrituradora da duplicata escritural. Em relação ao ativo, o volume a ser destravado é de R$ 9 trilhões a R$ 10 trilhões, enquanto o PIB está na casa de R$ 12 trilhões. “É praticamente a economia como um todo. E tem outras grandes oportunidades de alargamento do crédito, de profundidade do crédito, que vão trazer outros produtos, outros negócios e mais informações também para a tomada de decisão, principalmente no que pede a precificação do risco”, aponta Lima.
A SPC Grafeno, que descobriu o papel da entidade registradora enquanto se debruçava sob a agenda do Banco Central entre 2017 e 2018, viu nesta atuação um papel muito importante para a tomada de decisão de crédito, o dataset que esse mercado formaria, para o B2B. Na análise da casa, o B2B sempre foi muito carente de dados, demanda que pretendiam sanar.
Sobre os desafios na empreitada, na visão da empresa, até cerca de um ano atrás, havia uma dificuldade na percepção de valor sobre o registro pelo mercado, como nos FIDCs, por exemplo, mas esse tipo de atuação representa uma oportunidade, especialmente agora após a mudança de regras da CVM, que traz a obrigatoriedade de registro de recebíveis. Com isso, as securitizadoras alcançaram cerca de 30% da base de clientes da SPC Grafeno. Ou seja, há um “momento de maturação” do mercado neste sentido, e ainda há essa abertura para a economia real e todo o sistema financeiro, mas ainda é um processo em andamento. “A segurança que trazemos é percebida só à medida do uso, ela não está instalada. Se tivemos essa dificuldade no registro, na escrituradora, devemos ter algo semelhante”, diz o CEO da SPC Grafeno.
Lima também identifica uma dificuldade a respeito da tecnologia. O executivo pontua que as empresas precisam estar preparadas para suprir a demanda existente. Hoje, com operações em D0, a “registradora não pode falhar, ou a operação não acontece”, o que torna a tecnologia imprescindível, ainda mais com os volumes que virão da escrituradora, na esteira das duplicatas escriturais.
Em 2026, terá início a fase de operação assistida, já com permissão para negociação das duplicatas escriturais. O cronograma é escalonado por porte de empresa, com fases de implementação que começaram com testes em outubro deste ano. O ambiente de testes, inclusive, continha insumos valiosos de um estudo de volumetria solicitado pelo BC. O estudo tratou de questões como quantidade de transações do mercado mercantil, do mercado de serviço, ticket médio, estoque, entre outros.

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“Quando terminamos o estudo, refizemos o plano de teste. No dia 31 de outubro, o Banco Central já respondeu o plano de teste, aprovando, e iniciaram em 1º de dezembro. Ou seja, em um mês, tivemos que nos organizar. Contratamos uma grande auditoria para as signatárias, o que estava na comissão de duplicatas, a Grant Thornton”, conta Lima, acrescentando que a previsão é encerrar os testes em dezembro, com mais 15 dias para a auditoria emitir o relatório de asseguração.
Após os 15 dias, iniciam-se os testes integrados, bilaterais, com as casas aprovadas, que dura mais 60 dias. Posteriormente, ocorrerá outra rodada de auditoria, com mais 15 dias para a asseguração, com algum tempo para que o BC forneça a aprovação para as signatárias aprovadas nestas etapas para operarem como escrituradoras. Por fim, inicia-se a operação assistida, com previsão de seis meses, seguida por seis meses de inclusão das empresas de grande porte, seis meses para as do médio, e seis meses para as pequenas.
O executivo da SPC Grafeno destaca a previsão de 5,4 trilhões de transações no ano, equivalente a aproximadamente 450 milhões de transações por mês. Na primeira onda, são 610 empresas de grande porte mapeadas. Na segunda onda, são quase 2 milhões de empresas mapeadas e, na última, cerca de 17 milhões de empresas. “Entendemos que esse mercado, apesar das ondas, vai ser muito dinâmico. Como a duplicata escritural será um benefício, e será destravada pelas grandes, muito provavelmente, uma empresa grande que se relaciona com uma pequena, fará com que a pequena comece a operar na duplicata escritural também antes mesmo da sua obrigatoriedade”, opina Lima, complementando que a visão da casa é que a duplicata escritural seja uma realidade, de fato, em 2027.
Para a casa, “se tudo continuar caminhando da forma que está”, a duplicada escritural virá a mercado no último trimestre de 2026, perto do final do próximo ano, com as empresas de grande porte atuando. A previsão é que a “estabilização” desse mercado ocorra apenas em 2027.
Lima afirma que a SPC Grafeno é uma empresa com uma arquitetura tecnológica muito atual, permitindo que ela seja flexível às demandas do mercado. A casa nasceu em um lab de inovação. Em 2017, SPC Grafeno criou um data lab com duas funções principais, uma, trazer tecnologias emergentes do Vale do Silício para acoplar nos produtos do SPC Brasil, birô de crédito, e o outro pilar era conseguir entender a continuidade de negócio da SPC Brasil. “Acreditamos que esse relacionamento que o SPC Brasil tem, principalmente com o varejo, é algo que também queremos ancorar dentro da SPC Grafeno. Também temos feito movimentos, principalmente com bancos digitais. Não que a gente não vá para os bancos tradicionais, pelo contrário, estamos indo. Mas vemos uma boa receptividade também nos bancos digitais”, conta.
A casa entende que 2026 será um ano desafiador, mas de construção. No que tange ao registro, a SPC Grafeno vem crescendo mais de 10% ao mês, aumentando sua penetração no mercado de capitais. Recentemente, a empresa também lançou o produto “Radar de Risco”, que traz uma série de informações para a tomada de decisão de crédito, complementando informações do birô. “Acreditamos que 2026 vai ser um ano de crescimento para nós, e em outras linhas de negócio, como a de inteligência de dados, a nossa validação de hipóteses. Já estamos no mercado com nosso portfólio. E a duplicata escritural, sem sombra de dúvidas, vai ser o carro-chefe, porque em volumetria, não se compara com o que temos hoje. Temos um teto de 10 milhões de operações e vamos para 450 milhões”, diz Lima.
Em 2025, foram viabilizados mais de R$ 300 bilhões em crédito seguro, ou seja, que passaram pela plataforma da SPC Grafeno, com mais de 200 milhões de ativos processados. O objetivo da casa, responsável por 50% das CCBs registradas no Brasil, é se consolidar como um dos principais parceiros do mercado de capitais e fazer essa movimentação na economia real junto ao varejo, às PMEs e a algumas grandes empresas com as quais a casa tem relacionamento. A SPC Grafeno também fará parte do hub da ABBC para levar o serviço de escriturador aos bancos médios, agora em fase de integração, e para os grandes bancos grandes, segmento em que há mais sinergia com os bancos digitais devido ao “approach” tecnológico.
