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Ambipar entra com pedido de recuperação judicial

Jiane Carvalho

Após uma série de eventos que afetaram a confiança na empresa, que incluem problemas com operações de derivativos cambiais, vencimento antecipado de bonds e dívidas empacotadas por COEs, a Ambipar entrou com pedido de recuperação judicial na 3ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro. A decisão, anunciada nesta segunda-feira (20) foi tomada em caráter de urgência pelo Conselho de Administração da companhia.

O pedido de RJ era aguardado há dias pelo mercado. A Ambipar tinha até a quinta-feira (23) para solicitar uma RJ, data em que acabava a medida cautela cedida pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ/RJ). Sem o pedido de RJ, as dívidas poderiam ser executadas após o fim da cautelar. Simultaneamente, a subsidiária Ambipar Emergency Response entrou com pedido de proteção Chapter 11 no estado do Texas, nos Estados Unidos. A Ambipar, segundo balanço patrimonial no final de junho, tem dívidas que chegam a R$ 10,7 bilhões.

A Ambipar passou de uma situação de controle para um pedido de RJ em semanas após credores buscarem antecipar o vencimento de dívidas da companhia em meio a uma crise de governança com afastamento de executivos. A maior parte da dívida da Ambipar é com detentores de bonds, embora haja também debêntures e dividas bancárias.

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Um dos gatilhos para a crise da Ambipar foram derivativos cambiais fechados com o Deutsche Bank. Em setembro, com oscilações no câmbio, o banco cobrava depósitos de margem – comuns nestas operações – que chegavam a R$ 170 milhões. Foi o início de uma batalha jurídica para evitar o fechamento das operações entre Ambipar e Deustsche. Além disso, o embate fez com que credores se debruçassem sobre a situação de caixa da companhia, encontrando inconsistências. Os bonds, empacotados em COEs e vendidos a investidores, também espalharam prejuízos e pioraram a situação de desconfiança.

O Deustsche Bank havia ajuizado uma ação cautelar pré-arbitral no TJ de São Paulo, na tentativa de encerrar a operação de derivativos contratada pela Ambipar. Também nesta segunda (20), o TJ negou o pedido feito pelo Deutsche.

A sucessão de problemas que afetaram a confiança na Ambipar incluíram rebaixamento da nota de crédito pela S&P de “AA” para “D”, o disparo dos CDS (Credit Defajult Swaps) da companhia, que são seguros contra inadimplência. Os títulos lastreados nos green bonds da companhia, emitidos em 2023, foram perdendo e sendo liquidados.  

Nas últimas semanas, as ações da Ambipar viraram pó. A companhia perdeu mais de 90% do valor em bolsa, com os papeis negociados na casa de R$ 0,59.


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