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“Fábrica” de índices, Teva aperta o passo na esteira do bom momento vivido pelos ETFs

Jiane Carvalho

O mercado brasileiro de ETFs – fundos de índices negociados em bolsa – registrava um patrimônio de R$ 69 bilhões (Set/25), avanço de 27% sobre dezembro passado, e de 40% em 12 meses, segundo boletim da B3. Uma expansão forte, mas em um mercado ainda pequeno perto do americano, cujas projeções indicam o ingresso (fluxo), só em 2025, de US$ 1 trilhão para os ETFs. Com o maior interesse das casas em lançar ETFs, maior diversificação dos produtos e o avanço do modelo de fee based na remuneração dos assessores, fundos de índices ganham espaço na bolsa. É este o pano de fundo de crescimento da Teva Índices, casa especializada em produzir índices que dão origem aos ETFs.

A Teva tem hoje 23 ETFs de parceiros como BTG, Genial, Safra, entre outros, construídos com índices gerados na casa. Quase metade deles (10 índices) foram lançados nos últimos seis meses e 13 (56%) chegaram ao mercado ao longo de 2025. “A maior parte dos lançamentos recentes é do universo da renda fixa. Tem muita inovação neste segmento com fundos indexados ao IPCA, NTN-Bs ou LFs. O mercado de ETFs no Brasil ainda é pequeno, mas tem tudo para se desenvolver neste momento em que o fee based ganha espaço”, comenta Gabriel Verea, CEO e co-fundador da Teva Índices. O executivo se refere a mudanças regulatórias promovidas pela CVM e que estimulam a prática do fee based, remuneração pelo desempenho da carteira dos clientes, e não pela venda do produto de investimento (rebate).


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“Quando você indexa uma carteira (fundo) a determinados ativos, o produto fica mais barato e transparente para o investidor. Claro que, quando você inova no mercado, gera insegurança e resistência. Os produtos têm cada vez mais liquidez, que era uma preocupação do investidor”, explica Verea, lembrando a dificuldade no início da Teva, criada por ele e o sócio o Solly Nissim Sayeg em 2019.

A dupla bateu em mais de 50 casas tentando “vender” seus primeiros índices para indexação dos ETFs. Conseguiu com o BTG Pactual, em 2020, com o ETF DEBB11, de debênture, uma construção de índice que levou tempo. “Criar um índice de debênture atreladas ao DI, com prazos diferentes, marcação a mercado, exigiu, na época, um trabalho de desenvolvimento conjunto entre Teva, BTG, CVM e B3. Os ETFs são interessantes porque dão acesso à pessoa física a estratégias indexadas que só institucionais conseguiriam comprar.”

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A própria B3 participou da primeira rodada institucional de captações da casa, em 2023, que levantou R$ 13,5 milhões. A captação foi liderada pela Quartz, a gestora de private equity da família Galló, e teve a participação da L4 Ventures, o fundo de corporate venture capital da B3.

Na lista dos primeiros demandadores de índices para ETFs está o Safra, com o ELAS11 – que tem na carteiras empresas de capital aberto com representatividade de mulheres. A tendência mais recente, destacada pelo CEO, são os ETFs de Renda Fixa, estimulados pelo juro alto. Há algumas semanas, a Genial Investimentos lançou seu primeiro ETF no mercado, estruturado com base em um índice da Teva, de crédito privado. O GICP11 é composto por 99% de debêntures e 1% Letras Financeiras do Tesouro (LFTs). No pipeline de lançamentos, outro ETF de Renda Fixa, desta vez do Bradesco, indexado a uma carteira de LFTs, já protocolado na CVM.

Embora os ETFs deem acesso ao investidor pessoa física a carteiras que dificilmente conseguiriam montar, diversificadas e mais baratas, quem tem puxado o desempenho desta indústria são os institucionais. Na visão de Gabriel Vera, o produto tem “facilitado a vida dos gestores”, citando como exemplo um desenvolvimento recente da casa, de índice de LFs.

“A letra financeira é quase a mesma história da debênture do DI, que é um título de DI, de financiamento bancário, que geralmente é só negociado por institucionais. Os fundos utilizam LFs para gestão de liquidez, de caixa. Dá menos trabalho e é mais barato comprar cotas de ETFs de LFs do que comprar papel por papel, negociar etc.” A título de exemplo, um dos ETFs com índice da Teva, recém lançado, é do BTG Pactual (LFIN11). A carteira é composta por LFs de bancos nos segmentos S1 (45%), S2 (20%), S3 (35%) – segmentação do BC. “Em S1, buscamos mais segurança e no S2 e S3 buscamos mais retorno. Um gestor de fundo pode comprar LFs para gestão de caixa, como é comum, ou garantir esta exposição via ETF, simplificando sua vida”, explica Vera. Segundo o último boletim da B3, os institucionais respondem por 55,1% do volume de ETFs sob custódia.

Novas verticais

Dentro do universo da indexação de portfólios, o CEO da Teva destaca o trabalho feito junto a Single Family Offices ou Multi Family Offices, e cita como exemplo produto desenvolvido pela Teva para o Nexus — family office do fundador do Boticário. Outra vertical importante foca no trabalho junto aos fundos de pensão. “É uma tendência que as fundações utilizem índices como instrumento de gestão. Pode ser um fundo exclusivo, indexado, não necessariamente um ETF, mas um produto que siga um índice. Ou uma indexação do portfólio mesmo, que começa a ganhar forma aqui”, explica Gabriel Verea. A casa já desenvolve trabalho para duas fundações, mas segundo Vera, os nomes não podem ser divulgados. “A gente já tem algumas coisas que provavelmente vão sair ano que vem e que são bem interessantes no universo da indexação.”