Breve novela do caso Virgo tem 'acordo não vinculante' para venda integral à Riza Asset
Foram 10 dias entre as denúncias de uso irregular de recursos dos clientes pela Virgo até o anúncio do acordo de venda integral para a Riza Asset Management, de Daniel Lemos. A velocidade com que o acordo foi costurado espelha o tamanho do impacto da quebra de confiança na Virgo, segunda maior securitizadora do país e comandada por Ivo Kos. Fechamento do fundo Allocation – no centro das denúncias por receber irregularmente recursos -, pedidos de saída de gestoras clientes da Virgo e cancelamento da joint venture com a BIMS, forçaram a um acordo em que a Riza, com R$ 15,9 bi de AUM, compra uma casa bem maior, a Virgo, com R$ 90 bilhões sob gestão fiduciária.
O acordo Virgo e Riza anunciado na sexta-feira (29) é apenas o primeiro passo para resolver a crise de confiança na securitizadora após as denúncias feitas à CVM pelo ex-sócio Eduardo Levy. A Virgo destinava recursos de clientes, como Kinea, XP e outros, que deveriam estar em um fundo de baixo risco, e alta liquidez, para o Fundo Allocation, de CRIs. A engenharia envolveu o desviou R$ 240 milhões de fundos de outros clientes para honrar uma operação de CRI da Cedro Participações. Todos estes atores, conforme fato relevante, estão contemplados no acordo.


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A Virgo informou que o acordo é não vinculante, mas exclusivo, para a alienação de 100% de suas ações para a Riza e que a conclusão da transação depende de condições precedentes, entre elas a auditoria da Virgo, que deve ser concluída em até 60 dias. Além disso, a Riza se comprometeu a adquirir, sem deságio, todos os CRI de emissão da Virgo ligados a um projeto imobiliário da Oncoclínicas em parceria com a Cedro Participações, atualmente em posse do Allocation. Esse compromisso, conforme consta do Fato Relevante, garante que os investidores não sofrerão prejuízo caso os CRI não sejam liquidados antes do fechamento da operação. Como depende de auditoria, o acordo assinado entre as casas não envolve valores.
“A operação, uma vez concluída, possibilitará o resgate dos recursos atualmente investidos no Allocation sem qualquer prejuízo aos investidores de títulos emitidos pela Virgo”, diz trecho do comunicado enviado ao mercado pela Virgo.
A Riza Asset, assim como a Virgo (2021), é uma casa com pouco histórico no mercado, mas sob o comando de Daniel Lemos, executivo experiente com passagens por BTG Pactual e XP, casa em que foi o braço direito de Guilherme Benchimol. Criada em 2020, a Riza tem hoje 17 fundos, sendo 10 abertos e 7 listados com mais de 400 mil cotistas.
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