Brasil tem feito lição de casa e atrai novos investidores para infraestrutura, avaliam executivos
Gestores e executivos de companhias de infraestrutura evidenciaram leitura similar em um evento voltado a investidores nesta terça (19): como o país ‘tem feito a lição de casa’ do ponto de vista institucional, houve uma evolução significativa na matriz de risco dos contratos em anos recentes. Somado ao “forte ambiente regulatório” e à demanda por projetos, o setor de infraestrutura, em seus diferentes segmentos, está atraindo interesse maior de investidores estrangeiros. O encontro promovido pelo Santander aconteceu em São Paulo.
“O ambiente atual difere do de 15 anos atrás, quando as construtoras dominavam o setor. Há players hoje que trazem um equilíbrio entre a construtora e o investidor. [o cenário atual] É um pouco resultado da evolução do ambiente institucional, com alternância de poder e imprensa livre. Poderíamos fazer um trabalho melhor do que fazemos, mas acho que o ambiente de negócios é bom para quem entende as idiossincrasias do Brasil”, disse André Figueira, sócio de infraestrutura da Kinea.
O sistema legal, a financiabilidade e projetos mais bem estruturados – com melhor qualidade dos estudos elaborados – ajudaram, continua Enio Stein, CFO da EPR. “São fatores que atraem o investidor”. Um avanço do ambiente de negócios veio acompanhado de movimentos governamentais, com road shows internacionais, que tem contado com a participação de bancos e outros agentes que assessoram e estruturam as operações.

PUBLICIDADE
Ricardo Lee, head project finance de logística do Santander, que divide a expectativa de aquecimento relacionado à atratividade de novos investidores para o setor no Brasil, pontuou exemplo. A francesa Vinci Highways desembarcou no país ao vencer, no ano passado, leilão rodoviário da Rota dos Cristais, trecho da BR-040 que conecta Belo Horizonte (MG) a Cristalina (GO), com quase 600 km de extensão e principal eixo logístico do agro mineiro.
Se o país mantiver as ‘regras do jogo’ sólidas, sem alterações que tragam insegurança ao ambiente, “o capital vem”. Um sinal que reforça leitura favorável relacionada ao interesse pelos projetos no país são os consecutivos leilões de rodovias, com um bom número de participantes na avaliação desses executivos. Figueira, da Kinea, citou um certame recente que contou com cinco concorrentes.
Alguns pontos de atenção foram citados. Um deles é a importância de manter a estrutura das agências reguladoras para o acompanhamento dos projetos, a exemplo da ANTT (que recentemente perdeu parte do corpo técnico por enxugamento de custos). Em rodovias, por exemplo, os contratos são de 30 anos. “A rodovia é uma comunidade viva e a região no entorno vai mudando ao longo do tempo. A qualidade do corpo técnico e a independência das agências reguladoras é fundamental”, disse o executivo da Kinea.
Leia também: Alckmin: "debate fiscal deve ser de quem sabe fazer conta"


