Neo dá start no segmento de crédito da casa e estrutura seus primeiros FIDCs

A Neo, gestora com quase 22 anos de trajetória, está colocando na rua seus primeiros Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs), após a criação da vertical de crédito nos primeiros meses deste ano. Os fundos variam, mesclando elementos do crédito estruturado e de special sits, em antecipação a um cenário de menos otimismo para o crédito privado. A previsão da casa é chegar a um target, no final do ano, de entre R$ 200 milhões a R$ 300 milhões captados.
A gestora, que já pretendia criar uma nova vertical para além de multimercados, ações e private equity, uniu o plano de longo prazo ao momento de mercado e decidiu estruturar seus primeiros fundos de crédito. “Multimercado conseguia ter uma estabilidade um pouquinho maior. Creio que, de 2023 para cá, o mercado reagiu muito mal à performance deles e acabou punindo a categoria com resgates muito grandes. E a Neo sempre teve uma vontade de ter uma quarta vertical de crédito”, conta Arnaldo Ferreira Braga Neto, sócio e responsável pela área de crédito da Neo Investimentos, dizendo que a iniciativa foi uma convergência de muitos fatores.
Enxergando o momento de crédito atual com alguma preocupação e prevendo uma janela de 12 meses para frente razoavelmente difícil para o segmento devido a taxas com uma tendência de aumento, com inadimplência crescente devido aos efeitos da política monetária, e oferta menor de crédito, a casa está posicionando seus produtos para escolher setores menos impactados por esse movimento.
“Setores que tem empresas com saúde financeira melhor ou cuja atuação passa um pouco mais ao largo da política de juros. Essa é a nossa primeira definição estratégica. A segunda é fazer um produto híbrido com crédito estruturado, mas também special sits. E tentar surfar um pouco nessa onda de inadimplência que vai ter”, conta Braga Neto, dizendo que o mercado precisará de capital em distressed e ativos judiciais, onde a casa está se posicionando.

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Não há, no entanto, um segmento ou setor específico em que a Neo queira atuar. A intenção é “ver aquilo que dá negócio”. “Às vezes eu gosto de um setor, mas o setor está captando taxas muito baixas, tipo o infra. Infra é um setor que gostamos, mas eu não sou competitivo. E tem setores que às vezes não são tão bons, mas o player é bom, porque ele não tem tanta alavancagem”, diz o executivo da Neo.
A casa está colocando na rua o fundo de cima, o flagship, “guarda-chuva” das outras estruturas, produto meio crédito estruturado e meio ativos judiciais que vai comprar as outras estratégias a serem estruturadas na casa, e um “fundo de baixo”, de ativos judiciais de natureza trabalhista, junto com a Vórtx. Outros fundos também já estão em processo de estruturação e alguns ainda em fase de mandato. Entre as teses estão precatórios, pré-precatório, ativos judiciais de natureza trabalhista, duplicatas de serviços e ativos de recebíveis de recarga de carro elétrico.
“Hoje, nós estamos com três fundos na entrada de produção, mas temos outros tantos aqui que já estão na fila. A ideia é chegar no final do ano com algo como entre seis e dez fundos desses estruturados, que chamamos de plataformas. Cada um tem a sua lógica de originação, mas todos eles convergem para esse fundo mãe, o nosso fundo flagship”, conta o executivo da área de crédito da Neo.
A ideia da Neo é chegar no final do ano com algo entre R$ 200 e R$ 300 milhões captados entre as duas estratégias, do fundo-mãe e os fundos plataformas. A casa também pretende, em todas as estruturas possíveis, adotar cota sênior e subordinada.
“Mas isso depende muito da condição mercadológica e da exigência dos clientes. Porque às vezes os clientes querem uma taxa um pouquinho maior, aceitam correr mais risco, então encaixamos uma mezanino. Mas a ideia é que a maior parte tenha sênior e júnior”, explica Braga Neto.
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