Fictor começa trajetória em mercado de proteína animal para competir com gigantes

A Fictor Alimentos, que estreou seu IPO (Oferta Pública Inicial, em português) reverso ao final do ano passado na B3, agora entra em nova fase: a de operacionalização, que inicia após a aquisição de uma unidade produtiva da empresa Mellore Alimentos, em Minas Gerais, em busca de competir com as grandes do mercado de proteína animal, como Minerva e, em breve, com a MBRF, resultado da fusão de Marfrig e BRF. O acordo ainda não foi homologado, mas a aquisição começa a dar frutos por meio de um contrato de arrendamento. A companhia também vai realizar um aumento do capital social por meio de oferta privada de até R$ 70 milhões em ações, com data de corte de subscrição até esta terça-feira (29).
A Fictor divulgou o deal, que ocorreu por meio de um edital de venda da unidade produtiva da companhia em recuperação judicial (RJ), a Mellore, em abril, mas a operação ainda está pendente de homologação. “O objetivo do Arrendamento é, portanto, possibilitar as atividades operacionais da UPI Mellore pela Companhia, por meio de sociedade controlada a ser constituída, até a homologação da Proposta de Aquisição. Entretanto, a efetivação do Arrendamento depende de autorização específica pelo Juízo Recuperacional”, disse a companhia, em Fato Relevante publicado no dia 24.
O intuito é iniciar a operacionalização da Fictor mirando a exportação. As perspectivas, inclusive, são positivas para a companhia após todo o processo, visto sua valorização desde o IPO e após o Fato Relevante da aquisição.
“Se a gente estivesse hoje no Small Caps, estaria em primeiro lugar em rentabilidade do dia que tomamos posse, 11 de dezembro, até hoje. E se eu estivesse no IAGRO, também era o primeiro lugar de rentabilidade. E, acredite, se eu estivesse no Ibov, seria mesma coisa”, afirma André Vasconcellos, diretor estatutário de estratégia, planejamento e relações com investidores da Fictor Alimentos.
Segundo simulação do executivo, a companhia lidera rentabilidade nos principais índices da B3 e do setor de proteínas. Na simulação de inclusão no SMLL, indicador do desempenho médio das cotações dos ativos de uma carteira composta pelas empresas de menor capitalização, as ações ordinárias FICT3 apresentam valorização de +171,98% entre 10 de dezembro de 2024 e 23 de julho de 2025, maior rentabilidade entre as ações simuladas na carteira, superando Cogna Educação (COGN3: +125,96%) e Méliuz (CASH3: +89,52%).
Já em relação ao IAGRO, índice voltado ao agronegócio, que apresenta queda de 7,68% no mesmo período, das ações simuladas, apenas nove apresentaram desempenho positivo. Entre elas, a Fictor Alimentos (FICT3), que despontou com +171,98%, seguida por Assaí (ASAI3: +55,45%) e Pão de Açúcar (PCAR3: +42,15%).

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A companhia, que ainda não possui operação, vai iniciar o processo pela unidade produtiva de Betim, recém-adquirida. A escolha, embora o deságio da operação seja vantajoso, não foi aleatória. “Minas Gerais é um estado muito populoso e com uma demanda muito reprimida. Possui muitas plantas 'sifadas' (plantas que possuem SIF, Serviço de Inspeção Federal), mas muitos frigoríficos do Brasil se concentram no centro-sul. Em Minas, adquirir uma planta muito moderna, como é o caso dessa UPI Mellore, que vai se tornar FICT ou Fictor Alimentos Betim, é muito interessante por uma questão sinérgica também”, diz Vasconcellos, apontando que há outros ativos em avaliação no mesmo estado, o que deve facilitar a capilaridade logística e escoamento de produção. Após a aquisição, as ações da Fictor tiveram uma alta de quase 10%.
“Essa planta é 'sifada'. Ou seja, tem algumas permissões para que a gente possa exportar para determinados países. São mais de 100 países, e alguns são mercados bem promissores”, comenta o executivo da Fictor.
O intuito é apostar na proteína animal, em especial, de aves e suínos, mas a psicultura não é descartada e também consta como opção no estatuto da companhia. O setor ganha ainda mais atratividade em meio à gripe aviária, que embora preocupe, fez com que empresas que já estavam estressadas, em regime falimentar ou RJ, se depreciassem ainda mais, atraindo compradores.
Para a companhia, este, inclusive, é um momento oportuno, visto que JBS, uma das concorrentes, fez deslistagem na B3 e optou pela listagem nos EUA, e houve a recente incorporação entre duas gigantes, a MBRF.
“Teoricamente, além da Fictor Alimentos S.A., no nosso setor, só tenho aqui no Brasil a Minerva Foods e agora, em breve, a MBRF, fruto da incorporação da BRF pela Marfrig. Serão três ativos. Para quem cobre o setor, já são poucas companhias, por isso nos tornamos uma empresa promissora mesmo antes de apresentar os primeiros retornos ao mercado de capitais”, opina Vasconcellos.
O retorno da companhia, hoje, está praticamente vinculado à rentabilidade do próprio ativo em si. A partir de agosto, a empresa inicia a geração de receita operacional por meio de contrato de arrendamento. A Fictor também vai realizar um aumento de capital por meio de subscrição privada de novas ações ordinárias. Os recursos serão destinados para a aquisição de unidade produtiva isolada (UPI) da Mellore e, se for o caso, para reforço do capital de giro.
“O contrato de arrendamento da UPI e o aumento de capital privado são importantes, porque essa subscrição permite uma injeção de recursos no momento em que não há grandes acessos ao mercado de capital, e haverá um ingresso de recursos por meio de uma oferta secundária, um incentivo importante vinculado ao minoritário”, diz o executivo.
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