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Maio registra a maior entrada de estrangeiro na B3 desde 2019

Jiane Carvalho

O investidor estrangeiro voltou ao mercado acionário brasileiro com apetite renovado. Em maio deste ano, a entrada líquida de recursos na B3 somou expressivos R$ 10,66 bilhões — maior valor mensal desde dezembro de 2019, quando foram registrados R$ 17,65 bilhões. O estudo, realizado pela Elos Ayta, considera também os aportes via IPOs e Follow-Ons. O número ficou pouco acima dos R$ 10,01 bilhões de agosto de 2024, mês que até então liderava a retomada.

Mesmo ao excluir as emissões primárias, o dado de maio mostra um ingresso líquido importante de R$ 10,58 bilhões de recursos de estrangeiros, ainda o melhor resultado em mais de cinco anos.

Para Felipe Sant'Anna especialista em investimentos do grupo Axia Investing, parte do movimento se explica pelo ingresso de dólares no país na “busca por ativos baratos”. Sobre a perenidade do movimento, Sant'Anna pondera que “pode ser apenas um trade pode ser apenas uma operação do gringo como a gente já viu em vários momentos”.

Em uma análise mais estrutural do movimento, feita pelo especialista do grupo Axia, os ativos brasileiros estavam muito baratos no final do ano passado, citando bancos negociados abaixo do valor, mesmo com lucros trimestrais na casa de bilhão. “Como aconteceu agora com o Banco do Brasil com R$ 7 bilhões de lucro e sendo um excelente pagador de dividendos e com perenidade,” comenta, acrescentando que empresas do varejo de alimentos vieram muito fortes e que outras como a Casas Bahia e Americanas, “mesmo em dificuldades, ainda assim baratas até mesmo para uma especulação de mercado”. Outro exemplo de companhias que atraem capital, citados por Sant'Anna, são a JBS, maior produtora de proteína de carne do mundo, e a Embraer que subiu muito com esse fluxo de compra dos gringos por conta da crise da Boeing.

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“Tudo isto explica, em parte, o fluxo de entrada de dinheiro estrangeiro no Brasil. E sem IPOs na bolsa, o investidor que quer colocar dinheiro no Brasil compra os papéis que já estão consolidados. Ele encontra papéis baratos”, afirma o especialista. “O gringo, na minha opinião, pode estar fazendo apenas um trade. Nós temos eleições no radar em um cenário próximo, que já está no início e que pode afetar o movimento.” O debate nesta quarta-feira (04) na Axia Investing era sobre o possível trade do estrangeiro, que pode fazer a bolsa sair dos 130 mil ou 140 mil pontos, para 120 mil. “Basta que o gringo lá fora aperte o botão liquide sua posição e migre seu capital.”

No estudo realizado pela Elos Ayta, com o resultado de maio, o saldo acumulado em 2025 alcança R$ 21,52 bilhões com IPOs e Follow-Ons, revertendo de forma clara a tendência negativa de 2024, quando houve saída líquida de R$ 24,2 bilhões. Sem considerar as emissões, o quadro é ainda mais expressivo: um saldo positivo de R$ 21,09 bilhões em 2025, ante uma retirada de R$ 32,1 bilhões no ano anterior.

Outro indicador que, na avaliação da casa, confirma a força desse movimento é o volume financeiro negociado. O total de compras realizadas por estrangeiros em maio foi de R$ 327,0 bilhões — maior cifra desde agosto de 2024, quando o volume atingiu R$ 339,8 bilhões. Esse crescimento das compras ocorre pelo segundo mês consecutivo, após os R$ 272,2 bilhões registrados em março. No lado das vendas, o dado de maio mostra leve recuo frente ao mês anterior, passando de R$ 323,4 bilhões em abril para R$ 316,4 bilhões — um indicativo de que o estrangeiro não apenas comprou mais, como também reduziu ligeiramente o ritmo de saídas.


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