Em nome da diversificação, assets incentivam fundos de pensão a investir em ativos alternativos

Diante da importância da diversificação, especialmente em cenários voláteis como o atual, gestoras de investimento mencionam a oportunidade de obter bons retornos com ativos alternativos, casamento perfeito com a tese de longo prazo dos fundos de pensão. Durante o painel Investimentos Alternativos: Private Equity e Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs), no 14º Seminário de Investimentos nas EFPC, Fram Capital e HSI Investimentos falaram de seu trabalho como gestoras desse segmento e como esses ativos deveriam ganhar mais visibilidade das entidades de previdência.
Com foco no segmento imobiliário, Fábio Mazzeo, Relações com Institucionais da Fram Capital (de ativos alternativos e special sits) com ampla experiência em fundos de pensão, comenta sobre a volatilidade do cenário e cita que a gestora conseguiu, nos moldes da CVM 175, criar uma estrutura de FII já regulamentada e facilitada para os fundos de pensão, buscando rentabilidade acima das metas de produtos de investimento. “Achar essas alternativas e olhar a longo prazo é o que vai permitir que você passe por esses ciclos”, diz o executivo.
Cesare Rivetti, sócio-fundador da Fram Capital, lembra que os FIIs de tijolo têm características interessantes, como o próprio ativo real, que dá o lastro para o capital investido, além da oportunidade de comprar um ativo descontado (embora tenha uma razão para isso, como inadimplência ou aluguel mais barato) em tempos de juros mais altos. Ele propõe “um olhar alternativo para os investimentos alternativos”, se direcionando principalmente aos fundos de pensão. A Fram, inclusive, dividiu um mesmo FII em duas classes de cotas, sênior e subordinada, para separar o imóvel do risco. O imóvel está 100% no usufruto da sênior, visando um produto para essas entidades.

PUBLICIDADE
Diante do cenário de juros mais altos, que impacta o preço dos imóveis, o sócio da Fram lembra da dificuldade para o segmento de FIIs, ainda mais levando em consideração quem investe pensando em renda. “O impacto é direto, você é obrigado a fazer a reavaliação do ativo”, diz Rivetti. “No entanto, tem situações em que você pode ter uma queda do valor do imóvel devido aos juros, mas isso pode ser absorvido pela cota subordinada.”
Já Maximo Lima, CEO da HSI, gestora que atua exclusivamente com ativos ilíquidos, comenta sobre a gestão ativa, de operar efetivamente os ativos dos FIIs, e o otimismo com a operação de crédito privado no Brasil. “Tem espaço para muitas casas”, diz.
Os executivos ressaltaram a importância de fundos de pensão também investirem em ativos alternativos. Embora alguns títulos sejam mais “seguros”, é importante “não colocar todos os ovos em uma única cesta”. “Ter um pedaço da carteira nisso [ativos alternativos] faz muito sentido. Lá fora, os fundos de pensão investem 30% nesse segmento, porque gera alfa. No Brasil, isso não faz sentido, mas uns 10% sim”, opina Lima, da HSI.
A parcela de investimento dos fundos de pensão em ativos alternativos ainda é modesta, mas há esperança de que ela aumente, desde que as entidades olhem para esses ativos com visão de longo prazo. No Brasil, segundo os painelistas, investir em ativos alternativos pode até ser mais fácil, considerando que as taxas de juros são naturalmente altas, e as NTN-Bs permitem a gordura para arriscar no segmento.
Citando ações para melhorar a alocação dos institucionais em ativos alternativos, os executivos mencionam as amarras regulatórias no Brasil, que ainda “engessam” essas entidades, pontuando, por exemplo, a restrição de operar imóveis, mas também a postura de “dar uma chance” a ativos “não experimentados” por esses players.
Leia também: Gestoras veem cenário volátil, mas citam momento de oportunidade para alocação e geração de alfa


