Campanha Vórtx Institucional

PUBLICIDADE

Gestoras veem cenário volátil, mas citam momento de oportunidade para alocação e geração de alfa

Amanda Meneses

Letícia Albuquerque, head de Investment Solutions da Tivio Capital
Letícia Albuquerque, head de Investment Solutions da Tivio Capital

O cenário projetado pelas gestoras deve permanecer volátil e influenciando a dinâmica de preços de ativos por um bom tempo. Executivos veem, no entanto, oportunidade em meio à volatilidade e citam a importância da diversificação, pontuando que esse cenário proporciona bons retornos tanto no Brasil quanto abertura para alocação internacional, que não nos Estados Unidos, como por BDRs ou ETFs. Alguma novidade pode vir do ritmo e nível da desaceleração econômica global devido à política tarifária dos Estados Unidos.

Executivos disseram que vivem um momento estratégico para o setor de entidades de previdência privada, mas pontuaram o ambiente complexo que faz com que repensem estratégias. “O ambiente econômico nacional e internacional tem se mostrado volátil, incerto e desafiador. A complexidade dos mercados, as mudanças regulatórias, as exigências de maior transparência e responsabilidade socioambiental são apenas alguns dos fatores que aumentam o grau de sofisticação exigido na gestão de recursos presidenciais”, comentou Devanir Silva, diretor-presidente da Abrapp durante a abertura do 14º Seminário de Investimentos nas EFPC, ressaltando que entidades seguem como referência.

Durante painel sobre estratégias de Investimento para 2025, executivos de diferentes gestoras citaram que o contexto econômico é diferente do projetado ao final do ano passado, pela ruptura da dinâmica de comércio internacional. Essa ruptura traz como consequência a expectativa sobre o que vai acontecer com inflação, juros e traz desaceleração da atividade econômica de alguma forma. 

Para o alocador de recursos esse é um cenário bastante desafiador, não falando apenas de 2025, mas também de 2026. O cenário fiscal do Brasil ainda é citado como “calcanhar de Aquiles”, fazendo com que o prêmio de risco da parte longa da curva de juros fique um pouco maior. Olhando para perspectivas, há um divisor de águas que também afeta a alocação de recursos: a desaceleração da economia flertando com uma recessão.


Aprenda tudo o que precisa para tirar grandes fundos do papel no curso Estruturação de fundos


No Brasil, a inflação vinha arrefecendo, mas com as tarifas, pelo menos no curto prazo, ela deve ficar alta. No entanto, não se sabe por quanto tempo e o quanto isso vai afetar a decisão do BC. “Não está claro que o BC vai cortar juros ainda esse ano”, opina Marianna Costa, economista Chefe da Mirae Asset.

Campanha Vórtx Institucional

PUBLICIDADE

As gestoras mencionam a importância da diversificação, ainda que alguma classe de ativos se destaque. Olhando o mapa de alocação da Tívio, considerando o atual cenário, hoje, nos títulos prefixados na renda fixa, a visão da casa é neutra, bem como para moedas (dólar/real), crédito estruturado, crédito bancário, multimercados Brasil, ações Brasil (alocação em níveis mínimos históricos) e internacional. 

No crédito corporativo, a visão da gestora é underweight devido à queda dos spreads, e possuem visão mais positiva para as NTN-Bs. A casa tem preferência para NTN-Bs de vencimento de até 5 anos. “Vemos de fato uma gordura mais longa nas NBT-Bs mais longas, mas devido ao fiscal estamos cautelosos, então nos mantemos nos títulos de duration de até 5 anos”, diz Letícia Albuquerque, head de Investments Solutions da Tivio Capital. 

Letícia cita ainda os impactos na indústria de multimercados, que tem sofrido, mas aponta uma visão “construtiva” para a classe, citando sua posição importante nos portfólios e o nível de dispersão dos resultados entre os fundos. Já quanto à alocação internacional, a executiva lembra sua importância e cita a eficiência dos ETFs, apontando que a Bolsa americana não está cara. “Estamos num momento superinteressante para alocação internacional e é importante principalmente para mitigar riscos-Brasil”, opina.

Já para a Tarpon não existe melhor forma de gerar patrimônio do que ações, citando a diferença de alfa da classe entre crédito e títulos americanos, por exemplo. Apesar do cenário, segundo a casa, mesmo com a taxa de juros estruturalmente alta, existem elementos do Brasil que trazem oportunidades. “É um dos melhores momentos nos últimos 20 anos para nos tornarmos sócios de boas companhias brasileiras. Não significa que não vai chacoalhar, que não vai ter drawdown”, diz Roberto Belchior, sócio da Tarpon, citando os balanços robustos da temporada referente ao 1º tri de 2025. O fundo Tarpon GT, por exemplo, desde seu início (2015), teve um retorno acumulado de 938%, enquanto o Ibovespa rendeu 124%. 

Considerando todo o contexto, o executivo da Tarpon destaca que após 9 anos está vendo o investidor estrangeiro ter interesse no Brasil novamente. “O Brasil surge como quase único competidor para esse fluxo internacional, podemos ser muito beneficiados, é só não fazer barbeiragem”, citando que outros países são pouco “investíveis” e a possível rival, a Índia, está “muito cara”. O estoque de ações em poder do varejo, inclusive, em grande parte de investidores internacionais, ultrapassou pela primeira vez o de investidores institucionais, lembra Belchior. 

Os executivos debateram como a volatilidade afeta a estratégia das casas, pontuando que a cautela tem sido maior, sendo marcada pela busca por durations menores. Destacaram ainda que volatilidade não necessariamente é risco, mas representa uma oportunidade. “Alocação internacional, por exemplo, não é só Estados Unidos”, lembrou Letícia. As casas pontuaram ainda a importância da regulação recente de BDRs e a abertura que criou para investimento em outros países.

Olhando para as perspectivas das eleições de 2026 e seus impactos, os executivos lembram que as ações brasileiras possuem uma combinação de fatores positivos, bons fundamentos, operando com desconto, e que, com boas escolhas de alocação, inclusive, há oportunidades de bons retornos.