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B3 defende internalização de ordens, mas quer “controles e limites”

Érica Polo

A B3 projeta que a internalização de ordens, caso aprovada no Brasil, não prejudicaria a formação de preços e outros pilares de ‘best execution’ das operações se houver um limite para as negociações. “O que a gente tem dito é que um volume agregado de mercado, em torno de 15% fora do livro central, não parece ser um número que impactasse a formação de preço, a transparência e a liquidez”, disse Mario Palhares, vice-presidente de Negociação Eletrônica e CCP da B3 em entrevista coletiva nesta segunda-feira (18).

A bolsa está contribuindo com o debate a respeito do tema e enviou sugestões para a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que encerra nesta segunda-feira o recebimento de contribuições técnicas de agentes do mercado brasileiro para realizar um estudo – ainda sem data para finalização, segundo o regulador. Limite para negociar fora da bolsa e uma forma de garantir que a bolsa não perca perfis de investidores são sugestões da B3.

O assunto não é novo no país – já em 2007, por exemplo, a CVM chegou a levar o tema à discussão. Segundo advogados, contudo, à época não havia condições de comunicação ágil o suficiente para melhor formação de preços, por exemplo, um dos pilares do ‘best execution’ das operações de compra e venda de ações.

Internalização de ordens é comum nos grandes mercados globais, como nos Estados Unidos e Europa. Trata-se de fechar negócios com valores mobiliários sem passar pela bolsa. As corretoras fechariam operações entre elas, ou entre os próprios clientes, sem que fossem registradas na B3.


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Segundo Palhares, a bolsa não é contra a internalização. Contudo, na visão da bolsa, é preciso impor limites (como o de volume negociado fora de seu ambiente), além dos perfis participantes, para que a saída de pessoas físicas em sua totalidade, por exemplo, não afete a dinâmica das negociações naquele ambiente. “Internalização e inovação no mercado podem ser mecanismos para desenvolver liquidez, para ajudar o desenvolvimento do mercado”, diz o executivo. “Mas há uma preocupação com a qualidade do mercado brasileiro”, continua.

“E então, de novo, entra a questão do porquê a gente propõe e defende que a internalização tenha controles, limites”. Para ele, uma das características do mercado brasileiro é a “boa diversidade” de investidores, entre pessoas físicas, investidores institucionais locais e investidores estrangeiros.

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O mercado brasileiro tem a participação de cerca de 15% de pessoas físicas, 30% de investidores institucionais e os estrangeiros. Se pessoas físicas passam a negociar apenas nas corretoras, por exemplo, uma classe completa de investidores pode sair do livro da B3. “Isso mudaria a dinâmica de negociação e poderia tornar o mercado brasileiro menos atraente para o investidor estrangeiro”, continua Palhares. Um olhar sobre o tema também está na pauta das sugestões, disseram os executivos da bolsa.

Uma das preocupações sobre a remoção de liquidez da bolsa, em médio e longo prazos, é uma eventual leitura negativa relativa à qualidade do mercado local afastando investidores estrangeiros. Ademais, se o regulamento não for bem desenhado, com o estabelecimento de limites por exemplo, pode ocorrer “piora importante” dos spreads. Menor liquidez pode levar à abertura.

“Vai chegar um tempo que alguém que não é uma pessoa física vai dizer: opa, eu estou atuando como formador de mercado. Estou dando preço de compra e de venda. Mas eu estou sendo executado com menos frequência porque tem menos gente no livro”, comenta. “O que vou fazer? Eu vou abrir os spreads.”

O fato é que, no tempo, reflete Palhares, a execução das pessoas tende a piorar porque os volumes vão ser menores, os spreads vão ser maiores e o valor pago para aquele ativo vai ser pior. “É difícil até dizer o que é melhor execução, porque o preço que vai estar na tela poderia ser um preço muito melhor se a gente não tivesse retirado liquidez do livro”, continua.

Com a sugestão de limites de negociação e um trabalho relacionado aos perfis investidores, segundo ele, a bolsa busca preservar formação de preço, que todo investidor tenha acesso àquele preço e à liquidez daquele mercado, e que a transparência não se perca. Thais Brigatto, gerente de produtos Cross Markets da bolsa, lembra ainda que a internalização não necessariamente torna os custos das operações mais baixos. Redução de liquidez e possível abertura de spreads impacta no custo de negociação.

“Mesmo no mercado americano, onde há um processo de internalização fora de bolsa constituído, estão em pauta agora discussões relevantes sobre qualidade: se o mercado americano não seria melhor se o fluxo fosse direcionado para a bolsa”, finalizou o executivo.

Na visão da B3, já ocorre internalização no mercado brasileiro nas operações diretas e RLPs. "Internalização, para a gente, é todo e qualquer negócio que não é fechado no livro central", diz. Segundo ele, quando há oferta direta, por exemplo, os negócios são fechados na mesa da corretora e tomam preço do livro central da bolsa, mas não interagem com as ofertas que estão no livro.


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